Em
um lugar bem distante dali, em uma fortaleza, um homem forte e barbudo se
sentava na varanda. Um robô lhe deixava o café e saiu. Uma bela mulher de
cabelos vermelhos se sentou diante dele na mesa.
–
Rose... – disse o homem. – Se levantou tão cedo, o que há?
–
Meu amor, posso ir até a floresta? – perguntou. – Ela me faz tão bem...
–
Claro. Vou mandar murar um pedaço da floresta só para você.
–
Obrigada, querido. – beijou-lhe e saiu.
Vestiu
uma capa e foi na direção da floresta, chagando nela, foi até um lago, olhando
sua imagem refletida na água. Se sentia fraca, e detestava se sentir assim.
–
Oh, querido lago... Há algo que me faça se sentir bela e forte novamente?
No
lago, sua imagem mudou, mostrando a imagem de uma jovem de longos cabelos, e
olhos cinzentos.
–
Eu me lembro dela. Devo fazer o mesmo que fiz da ultima vez?
O
lago afirmou, mostrando o que ela deveria fazer e ela sorriu. Voltou para o
castelo e encontrou seu marido novamente.
–
Querido, quero que mure perto do lago! Quanto tempo demora?
–
Será tão rápido que você nem perceberá.
Mas
para Rose os dois meses que demorou foi exaustivo, mas havia ficado como ela
queria, alto e resistente. Pra ela só faltava uma coisa.
Dois
meses haviam passado, e o piano de Dora estava pronto. Mas ela continuava frequentando
a loja de Bill, e a casa de Anita com mais frequência que o normal. Loren
esteve fria e distante nesse tempo, e as tentativas de Logan foram em vão de
falar com ela.
Ele
estava no jardim de Anita, afiando a ponta das novas flechas que havia feito,
quando Dora apareceu.
–
Olá, Logan!
Ele
a olhou, ela estava bem vestida demais para uma simples visita a Anita.
–
Oi. – respondeu, guardando a flecha na aljava. Ela o puxou pela mão.
–
Vamos dar uma volta? – convidou. – Está um dia lindo, e eu sou louca pra
conhecer a floresta.
–
Ok. – disse, pegando o arco.
Nas
ultimas semanas ele esteve conversando com ela para saber algo sobre Eliwood, e
em troca ela queria a companhia dele em seus passeios.
–
Ah, veja, um rouxinol! – exclamou, logo que eles entraram na orla da floresta.
– Seu piano é magnifico, já estou aprendendo algumas musicas. Qualquer dia
desses você tem que ir lá em casa me ouvir tocar.
Eles
se sentaram perto de uma árvore. Ela havia trago um álbum com retratos, e o abriu.
–
Veja, este é meu pai, com minha mãe. – disse ela.
–
Hmm, você se parece com sua mãe. – disse, tentando se interessar, até que na
próxima foto ele realmente se interessou.
Era
Eliwood ao lado de sua mãe. Sua mãe estava séria, e usava seu pior olhar de
desprezo para seja quem for que estivesse tirando a foto.
–
Nunca entendi porque a Sra. Eliwood sempre foi tão séria. – disse.
–
Ela não era feliz. – respondeu, e Dora olhou para ele com curiosidade.
–
Como pode saber?
Ele
voltou para a foto dos pais dela.
–
Veja, até os olhos de sua mãe sorriem. – disse e voltou para a foto da dele. –
Ela não. Veja como ela mantém distancia de Eliwood.
–
Foi tão triste a morte dela. – suspirou. – Pobrezinha, perdeu o filho e morreu
de tristeza...
Logan
respirou fundo para conter o ódio, aliás, Dora não fazia ideia do que realmente
tinha acontecido.
–
Quem te contou isso? – perguntou.
–
Eliwood, quando veio nos visitar. Estava tão abalado. Perdeu o filho e a esposa
tão de repente...
Ele
não respondeu. Tinha vontade de gritar com a garota, dizer pra ela toda a
verdade sobre Eliwood, mas não podia. Ela virou a página do álbum, mostrando a
foto de um homem com barba, grande como um viking, e uma mulher ruiva ao seu
lado.
–
Quem são esse? – perguntou.
–
Pietro e Rosemarie Spietato. – disse ela, e ele olhou com mais atenção.
–
Esse é o Spietato?
–
Sim, e sua esposa é irmã de Eliwood. Por isso Eliwood cuida de uma das melhores
cidades da redondeza. Pelo menos é o que o meu pai diz, eu acho que é inveja.
Ela
virou a página, mostrando a foto de outros prefeitos e esposas, e quando
terminou, ela foi embora. Logan voltou para casa, e se sentou na sala, Anita
havia saído para comprar panos e tecidos novos, e aparentemente Loren também
não estava.
Ele
ficou por um instante observando os livros, com a mente distante. Para chegar
até Spietato era uma longa viagem, e ele precisava saber onde encontrar os
rebeldes. Um som fez ele sair de seus pensamentos... Loren estava em casa. Ele
podia ouvir ela dedilhar as cordas do seu violoncelo, tocando uma musica suave.
Ele
subiu as escadas, guardou seu arco e flecha e bateu na porta dela. O som do
dedilhar parou, e a porta se abriu. Ela olhou bem para ele e ia fechar a porta,
quando ele impediu.
–
Certo, sei que depois que você me disse que prefere não se apegar a ninguém,
imaginou que eu te deixaria em paz, mas me dê um minuto. – pediu. – Estamos do
mesmo lado, e eu já abri mão de vingança por justiça.
Ela
o olhou e soltou a porta, deixando ele entrar. Era a primeira vez que ele
entrava ali. Havia uma escrivaninha com partituras feitas à mão, livros celtas,
uma prateleira com livros e outra com vidros, alguns com líquidos e raízes, e
outros com pós. Ela indicou a poltrona, e ele se sentou. O violoncelo ocupava
quase toda a cama, e havia um incenso queimando perto da janela, que cheirava a
rosas. Ela se sentou na cama, e olhou para ele.
–
Você tem um minuto. – disse pegando o violoncelo e apoiando o braço dele no
ombro e o espigão no chão, como se fosse tocá-lo.
–
Eu estive juntando informações, e Spietato mora muito longe daqui. Tem algum
grupo de rebeldes em Roccaforte?
–
Sim. – respondeu ela, voltando a dedilhar as cordas do violoncelo.
–
Então se viajarmos até lá, poderemos se juntar a eles?
–
Como assim viajarmos? – indagou, parando de tocar. – Eu não disse que o
acompanharia em nenhum plano em momento algum.
–
Certo. – disse. – Mas se eu fosse, eles aceitariam minha ajuda?
–
Certamente. – disse, voltando sua atenção para o instrumento.
–
Estou pensando em fazer isso. Já juntei dinheiro suficiente para a viagem. –
disse ele. – Você não gostaria de ir?
Ela
olhou nos olhos dele, e ele teve a impressão de ver dor passar por eles.
–
Não tenho desejo algum de voltar a Roccaforte. – disse.
–
Você já esteve lá?
–
Seu tempo acabou. – disse fria.
Ele
suspirou e se levantou, deu uma ultima olhada nela, que arrumava a afinação das
cordas do seu violoncelo, sem olhá-lo, e saiu.
Ele
sabia que não havia ficado nem um minuto inteiro dentro do quarto dela, mas
provavelmente ela não queria entrar no assunto que ele queria começar.
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