Pela
tarde, Anita bateu na porta do quarto de Logan. Ele havia estado ali à manhã
inteira, planejando a viagem.
–
Chegou um convite pra você. – disse.
–
Convite? – indagou ao abrir a porta e receber o envelope de Anita. Ele abriu.
Logan,
Esteja
presente hoje em minha casa, às nove horas pós-meridiano. Irei tocar e quero
que você esteja lá.
Com
carinho, Dora.
Ele
olhou para Anita, que esperava ansiosa para saber o que era e entregou o
convite para ela ler.
–
Oh, que maravilha. Acho que tenho um traje perfeito para você lá em baixo.
–
Não sei se vou. – disse. – Pode não ser seguro.
Anita
respirou fundo.
–
Já estou farta dessa desculpa! – disse ela. – Você vai. Vamos descer, quero ver
se a roupa lhe servirá.
–
Eu preciso terminar algumas coisas... – disse.
Anita
olhou para a mochila sobre a cama dele, e para ele.
–
Vai viajar? – perguntou.
–
Eu ia te dizer... – começou ele.
Anita
apontou para as escadas, com a outra mão na cintura e eles desceram. Assim que
ele entrou na sala de costura, ela trancou a porta.
–
Por amor a Deusa, não me diga que está planejando outro ataque à Eliwood?
–
Não. – disse. – Loren disse que era a coisa errada a se fazer.
–
Que bom que seguiu o conselho dela. Você provavelmente deixaria Spietato
furioso. – disse indo até o armário e pegando uma calça social. – Vista isso,
ali. – e indicou uma cortina.
–
Vou para Roccaforte. – disse, vestindo a calça e saindo de trás da cortina. Ela
veio com uma agulha até ele.
–
O que vai fazer, seu desmiolado? – perguntou séria.
–
Me juntar aos rebeldes, ai! – exclamou quando a agulha o espetou. Ela estava
ajustando a calça.
–
Ficou maluco? Sinceramente, isso é a coisa mais insana que eu já ouvi. Você por
acaso tem uma tendência suicida?
–
Anita, quanto mais aliados os rebeldes terem, melhor.
–
Se há rebeldes em Roccaforte, são tão suicidas quanto você. – disse. – Eles tem
tecnologias, mas usam métodos antigos, que são mais divertidos. Coisas simples
como forca, guilhotina, se não queimarem você vivo. Imagino que Loren tenha lhe
falado sobre os pais dela.
Ele
estremeceu, e um pensamento veio em sua mente.
–
Loren não é daqui, certo?
–
Não. – disse ela, pegando uma camisa e fazendo ele vestir. – Ela veio de Roccaforte
logo depois do que houve, mas ela demorou anos, pois não tinha dinheiro, e veio
caminhando.
Ele
imaginou ela andando sozinha por cidades desconhecidas.
–
O que sabe mais? – perguntou interessado.
–
Ora, pergunte a ela, vocês não são amigos agora?
–
Você conhece ela muito bem, e sabe que amizade é um item excluído de sua lista.
–
A camisa está perfeita, deixe-me ver um colete. – murmurou, voltando ao
armário.
–
Anita, por favor, conte-me mais. – pediu.
Ela
colocou o colete nele.
–
O que te disse é tudo que sei. – disse. – Ela não é um livro aberto.
–
Como a conheceu?
Ela
pegou a agulha, trocando a linha, e pegou um botão para costurá-lo no colete.
–
Ela apareceu na minha porta, vendendo esquilos. Eu perguntei se ela tinha algum
abrigo, ela disse não, e deixei ela morar comigo. – disse. – Pronto. Olhe no
espelho.
Ele
caminhou até o espelho. Parecia errado, seus cabelos caídos no rosto bonito, e
roupas impecáveis e elegantes.
–
Só precisamos pentear esse cabelo para trás. Vista sua roupa e leve essa. Logo
é a hora de você ir.
Ele
fez o que ela havia dito, e pegou a roupa.
–
Logan. – disse, levando a ele sapatos bonitos e lustrados. – Quando você vai?
–
Amanhã. – disse, então a olhou nos olhos. – Vou fazer tudo que estiver ao meu
alcance para ajudar seu filho.
Ela
sorriu, um sorriso instável, e ele saiu.
Às
nove horas, Logan tocava a campainha da casa de Dora. Um mordomo atendeu.
–
Tem o convite?
Ele
mostrou o bilhete de Dora ao velho.
–
Me acompanhe.
Eles
saíram do hall, e ele acompanhou ele até uma sala circular, onde as cadeiras
encostavam nas paredes, e o piano ficava dentro do circulo. Ele se sentou.
Haviam muitas pessoas ali que quase não haviam notado ele, o que ele achou
ótimo. Quando todas as cadeiras estavam arrumadas, Dora entrou, com um belo
vestido branco. Ela sorriu ao ver ele, e se sentou diante do piano.
Ela
começou a tocar, seu pai estava sentado ali, ao lado da mãe dela, ambos
orgulhosos da filha. A musica era bela, mas estranhamente errada aos ouvidos
dele. Ele observou seu rosto, que estava concentrado na partitura diante dela e
nas teclas, e logo ele descobriu o que estava errado. Ela era ótima, mas não
tocava com sentimento. As musicas de Loren normalmente mexiam com ele de uma
forma que nem ele conseguia entender, mas a de Dora era estranhamente vazia e
sem vida.
Ela
tocou mais duas musicas, e se levantou, fazendo uma reverencia, enquanto todos
aplaudiam. Logan foi até a varanda para respirar, e logo Dora estava ali.
–
O que achou? – perguntou com olhos brilhantes.
Ele
era sincero, mas nenhum monstro sem alma, e sorriu.
–
Foi muito bom. – disse.
–
Graças a você. – disse ela. – Acho que o Bill ia demorar milênios para fazer
meu piano.
–
Não o culpe, ele tinha muitas encomendas. – disse.
Ela
sorriu e olhou para o céu.
–
Estou partindo de Argentum. – disse ele.
–
Para onde vai? – perguntou. Seus olhos brilhantes pareciam querem derreter.
–
Não sei. – disse, tentando manter isso em segredo. – Vou conhecer lugares
novos.
–
Você é tão corajoso. – disse.
–
Por que diz isso?
–
Sair, conhecer novos lugares, novas pessoas. É uma mudança tão radical, e ao
mesmo tempo, parece ser surpreendente! Ampliar os horizontes.
Ele
sorriu. Era bom que ela pensasse somente isso. Ele se virou, e ela o beijou no
rosto, e ele sentiu as bochechas quentes.
–
Boa sorte, Logan. – desejou, e se virou. – Espero que não me esqueça.
Ele
sorriu, e ela entrou. Ele foi embora dali. Tinha que buscar o cavalo com
Joseph, o garoto magricela conhecido de Anita. As ruas estavam vazias, e ele
sentia que alguém o seguia, o que era péssimo considerando que seu arco estava
em casa, ele se virou.
–
Quem está ai?
Das
sombras saiu Loren. Ela se aproximou de Logan.
–
Eu vou com você. – disse ela.
–
O que te fez mudar de ideia? – perguntou.
–
Recebi uma mensagem. – começou ela. – Dos rebeldes... Parece que Spietato
descobriu alguns deles e está mantendo-os presos em masmorras, mas não disse
nada sobre guilhotina ou coisa do tipo. Eles temem que ele faça algo pior, ou
que ele esteja torturando eles por informação.
–
Vamos. – pediu ele, e eles caminharam juntos. – Ficou sabendo algo sobre o
filho de Anita?
Ela
fez que não com a cabeça, e ele abriu o portão de madeira da casa de Joseph,
batendo na porta. Quando ele abriu a porta, ficou surpreso ao ver Loren.
–
Vou precisar de mais um cavalo. – informou.
Ele
separou dois cavalos bonitos e bem tratados, e deu as rédeas. Desejou boa sorte
e voltou para a sua casa. Eles voltaram pela rua em silencio. Logan deixou os
cavalos confortáveis do lado de fora, e entrou.
Ele
entrou em seu quarto, Anita havia deixado um prato de sopa sobre a
escrivaninha, de onde ainda saia fumaça, havia um bilhete que dizia; Fique com a roupa, pode ser util. Ele se sentou para comer. Ia sentir falta da comida
dela. E das broncas também.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente o que achou dos textos, participe! Sua opinião é super importante para que melhoremos nosso conteúdo! Seja um leitor ativo!