segunda-feira, 21 de setembro de 2015

X

Anita olhou pela janela da cozinha e Logan e Loren vinham.
– Pela Deusa, meninos, onde vocês se meteram?
– Estávamos na cabana durante a chuva. – disse Logan.
Loren subiu as escadas.
– Realmente difícil de acreditar com ambos molhados como pinguins! – disse. – Vou preparar chocolate quente para vocês. O tempo parece que não vai mudar. – disse e colocou algo no fogo. – Posso falar com você, Logan?
– Claro. – disse ele.
Ela o arrastou até a sala de costura.
– Que diabos você fez para a minha menina? – perguntou em tom baixo, porém severo.
– Eu a consolei. – disse. – Você sabia que ela não quer se apegar a ninguém? Ela me disse isso.
Anita levou as mãos à boca.
– É por isso que ela é tão fria comigo? – perguntou Anita, e ele se admirou em ouvir isso. Ele pensava que ela era diferente com Anita. – Como você conseguiu fazer ela falar? O que houve?
– Ela me impediu de matar Eliwood. – disse. – Nós discutimos, quando começou a chover, e ficamos lá.
– Filho, Loren não é uma pessoa fácil. – disse ela. – Se ela tem em mente não se apegar a ninguém, não se apegue a ela.
– Anita? – chamou ela da cozinha.
Anita foi até lá, Loren estava com roupas secas, e estava encostada na porta, olhando para fora, ela apontou para o fogão, onde o chocolate fervia.
– Oh, quase havia me esquecido.
Logan olhou para a jovem, e subiu as escadas, entrando no banheiro. Tomou um banho e foi para o quarto. O céu estava escuro de nuvens pesadas, e Anita abriu a porta, deixando a caneca de chocolate quente sobre a escrivaninha, puxou a cadeira e se sentou.
– Quando eu era jovem, eu era órfã também, e tinha dois irmãos mais novos para cuidar. – disse. – Não foi fácil cuidar deles sozinha, e eles sumiam das minhas vistas para aprontar sempre que podiam. – disse sorrindo.
Ele pegou a caneca e se sentou com as pernas cruzadas, sobre a cama.
– Raimund e Victor eram os nomes deles. Uma vez Raimund e Victor se perderam na floresta, perto de onde um dos servos de Spietato moravam. E todo dia àquela hora ele soltava seus lobos. Um deles pegou Victor, e eu corri para proteger Raimund, quando seu pai apareceu, matando os lobos. Cliff conseguiu uma grande confusão pra ele, por ter matado os lobos, mas havia salvado minha vida, e a de meu irmão também. Eu nunca tive a oportunidade de retribuir o favor... E Loren me lembra seu pai.
Logan olhou curioso para Anita.
– Seu pai era como ela, solitário, evitava as pessoas. Se sentia bem na floresta. Nunca pensei que ele fosse capaz de se apaixonar, até que ele conheceu uma moça e sumiu. – disse. – Não cheguei a conhecer a sua mãe, mas ela fez uma mudança em seu pai.
– O que está me dizendo, Anita? – indagou, com um sorriso tímido.
Ela apenas sorriu de volta e saiu do quarto, fechando a porta e o deixando com seus pensamentos. Ele se lembrou do que Loren havia desenhado no chão da cabana com a ponta da adaga. Ela havia desenhado um nó celta. Sua mãe o havia dito uma vez, enquanto o ensinava sobre os símbolos, que ele significava o nó infinito que enlaça todas as coisas, e que ele era um poderoso símbolo de proteção. O punho da adaga dela era desenhado com o nó celta, do mesmo modo que a prata trabalhada no relicário da sua mãe. Haviam muitos significados para o nó. Ele pegou o relicário, e o abriu. Suspirou e o fechou.


***


– Quer trabalhar aqui? – perguntou o velho, ajeitando os óculos, então o chamou para entrar na loja.
Nos fundos da loja havia muita serragem e lascas de madeira, ele colocou um cavalo esculpido na madeira diante dele, e deu a ele um cubo de madeira. Ele colocou um cinzel e um martelo diante dele.
– Mostre-me do que você é capaz. – e saiu.
Logan olhou o cavalo e pegou o cinzel e o martelo, começando a trabalhar na madeira. Uma vez tinha aprendido com seu pai que isso poderia ser um bom remédio para acalmar a ansiedade. Ele sorriu, enquanto tirava o excesso do cubo, e logo começou a esculpir o cavalo. Começando pelo rosto, o formato dos olhos, e ele ficou a manhã inteira ali, até que o velho voltou. Ele se chamava Bill.
– Ora, mas vejam só! Exclamou ele vendo o cavalo que Logan tinha feito. – Você é raro, garoto.
– Obrigada, senhor. E então? – indagou, colocando o cinzel na mesa.
– Muito bom... – murmurava enquanto analisava o cavalo. – Como se chama?
– Logan. – disse.
– Muito bom mesmo, Logan. – disse, elogiando ele mais uma vez. – Você acha que pode fazer algo de porte maior?
– Acho que sim, o que seria?
– A filha do ministro quer um piano de cauda. Tenho aqui um esboço das peças, é mais fácil do que o cavalo, mas tem que ter cuidado com a madeira, um instrumento feito à mão tem que ter boa qualidade.
– Posso fazer. – disse olhando o desenho das partes nas folhas de Bill.
– Ótimo, garoto! Está contratado. A Srta. Bianchi vem todos os dias aqui, e estou ficando maluco. Tenho muitas outras coisas a fazer.
– Srta. Bianchi?
– A filha do ministro. – disse um pouco irritado, e olhou para o arco dele. – Belo arco, filho. Você quem fez?
– Não, foi um presente.
– Você sabe usá-lo?
– Certamente. – disse.
– Bom, muito bom. Você começa já. Veja, aquela é a madeira que eu separei para o piano. Você pode começar. Preciso comprar algumas coisas, cuide da loja pra mim, certo? Sempre que a sineta tocar, você vai ao balcão. Tentarei voltar logo.
Logan observou Bill sair, e voltou-se para a madeira. Anita tinha dito a ele que Bill estava precisando de alguém, e um serviço era uma boa distração. Ele espiou no esboço, e mediu a madeira, moldando as beiradas, e lixando. Ele ficou por horas trabalhando naquilo, e as duas maiores partes já estavam prontas e lixadas, ele ia começar as menores, quando a sineta tocou.
Ele tirou o pó da madeira da roupa e saiu. Uma jovem bonita, de cabelos castanhos e olhos verdes, muito bem vestida, estava ali, e olhou para Logan como se estivesse olhando para algo fascinante.
– Posso ajudá-la? – perguntou.
– Ah... Eu... Encomendei um piano de cauda... E... – disse, quase como se não conseguisse se lembrar.
– Você é a Srta. Bianchi? – indagou.
– Sim, sou eu. – disse.
– Seu piano está sendo feito por mim. – disse ele. – Comecei hoje, e não tenho previsão de quando ficará pronto. – completou, sendo profissional.
– Hmm, ah, certo. – disse, sem se mover.
– Oh, Srta. Bianchi! – exclamou Bill, entrando com grandes pacotes e Logan foi ajudá-lo. – Veio saber sobre o piano, imagino.
– Ah, sim... – disse, observando Logan carregar os pacotes para dentro da loja. – Ele está fazendo, certo?
– Grande jovem. – disse Bill. – Difícil encontrar alguém com talento assim. Quer se sentar?
– Oh, não, obrigada pela gentileza. Amanhã retorno.
– Claro, até breve, então.
Bill entrou nos fundos da loja, e viu as duas peças do piano.
– Minha nossa, você é ágil. Deus me abençoou com você, quanto mais rápido este piano ficar pronto, menos visitas da Srta. Bianchi. – disse.
Logan terminou algumas peças pequenas, e perto do anoitecer, foi para casa. Ouvia-se vozes da sala de costura, o que significava que Anita estava com clientes. Ele subiu e tomou banho, deixou seu arco sobre a cama e desceu para a sala, onde haviam vários livros. A lareira estava acessa, e ele pode ver que Loren estava na poltrona, pois uma mecha de seu cabelo escapava da silhueta do móvel.
Ele olhou para a prateleira, grande parte dos livros de Anita eram celta, o tipo de livros que tinham na prateleira de seu pai e ele pegou um de contos, e se sentou em uma poltrona, completamente fora do campo de visão de Loren. Abriu o livro em um conto que se chamava Cerridwen e Gwyon. Mas ele não conseguia se concentrar na história e tinha que ler a mesma frase mais de uma vez, até que desistiu e foi à cozinha.
– Anita. – disse ao vê-la cozinhar. – Consegui o emprego.
– Eu já sei. – disse sorrindo.
– Como?
– Dora Bianchi é uma de minhas clientes. Estava super empolgada, falando de um jovem belo e misterioso que está trabalhando com o Sr. Bill. – disse.
Logan riu.
– Belo e misterioso? Mas ela só me viu hoje!
– Não seja assim! Ela está apaixonada, deixe ela se expressar.
– Anita, eu não tenho tempo para essas futilidades. – disse. – Vou juntar um dinheiro e ir atrás dos rebeldes.
– Ah, sim! É tudo que eu precisava, de mais um maluco nessa casa! – disse, mexendo algo no tacho. – Você sabe como se punem os rebeldes?
– Isso não me faz perder o sono. Mas já percebi que preciso ganhar tempo e informações antes de fazer algo.
– E não chame o amor é fútil. – disse. – Ele é algo maravilhoso.
Loren passou por eles com o violoncelo, e saiu para a noite, ele a observou sumir e voltou a olhar para Anita.
– Dora está encantada com o fato de você estar fazendo o piano dela. Principalmente por que Bill te elogiou, e todos sabemos como Bill é seletivo com isso.
– Hmm. – fez ele, bebendo um copo de suco.
– Ah, inclusive ela quase desmaiou quando soube que você mora comigo.
Ele engasgou.
– O que foi? – perguntou ela. – Deixei de por açúcar?
– Anita, ela é filha do ministro. E se Eliwood informou sobre um possível fugitivo?
– Não se preocupe, Dora não fala sobre essas coisas com o pai dela. E apesar de você pensar desse modo, ela pode nos informar sobre Eliwood, coisas que ela consegue facilmente.
Ele levantou as sobrancelhas, pensando sobre o assunto.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente o que achou dos textos, participe! Sua opinião é super importante para que melhoremos nosso conteúdo! Seja um leitor ativo!