Ele
pode ouvir a voz irritada dela.
–
Ora, isso são horas? – exclamou.
–
Perdão, minha senhora, estamos só cumprindo ordens.
–
Certo, mas sejam rápidos, pois amanhã eu preciso acordar cedo. – disse.
Ele
ouviu passos subirem as escadas, e a porta do quarto abriu. Era Hélio, um dos
guardas que ajudava sua mãe a descer para as masmorras, outro que ele não
conhecia entrou logo atrás.
–
Olhe debaixo da cama. – mandou Hélio.
–
O que estão procurando, afinal? Ratos? – indagou Anita, com raiva.
–
Somente uma vistoria de rotina, senhora.
Então
eles saíram do quarto e ele pode ver Loren no corredor, olhando como um gato
contrariado os guardas revistarem seu quarto. Logo eles se desculparam e
desejaram boa noite. Logan esperou que os som de cascos estivessem longe, e
então saiu do esconderijo, e olhou pela janela. Eles estavam vendo todas as
casas.
–
Essa foi por pouco. – disse Anita, entrando no quarto.
–
Como você sabia que eles estavam vindo? – perguntou.
–
Eu não sabia. Foi Loren quem me disse deles, ela não gosta de se sentir em divida
com ninguém e acabou de retribuir o favor que você fez a ela na floresta. –
disse e saiu.
Logan
olhou para a porta fechada do quarto dela, e fechou a sua, indo se deitar.
Talvez não tivesse pegado em um sono pesado, pois às quatro da manhã ouviu o som
de uma porta se fechar. Ele abriu a sua e deu de cara com Loren. Ela segurava o
violoncelo com uma mão, e parou ao vê-lo. Eles ficaram em silêncio por um longo
tempo.
–
Obrigado. – disse ele.
Ela
fez um gesto simples com a cabeça, e desceu as escadas.
–
Espere! – pediu ele e ela parou. – Você vai tocar?
–
Eu não devo dar satisfações a você. – disse, mas não de forma grosseira. Então
o olhou e suspirou como se estivesse cansada. – Por que quer saber?
Seu
olhar era tão profundo que fazia ele se sentir completamente nu. Ele quase
podia ler neles as palavras que não saiam de sua boca.
–
Não importa, você tem razão. – disse ele, e subiu as escadas, voltando para o
seu quarto.
De
manhã ele desceu até a cozinha, e escutou som de maquina de costura na sala ao
lado que sempre estava de porta fechada. Ele bateu.
–
Entre. – disse Anita.
Ele
entrou, a sala era grande, tinha rolos de tecidos em um canto, um sofá, e
vários vestidos e trajes a rigor em cabides, dentro de um armário com portas de
vidro. Anita olhou para trás, usava óculos.
–
Ah, é você Logan. Entre, estou com algumas encomendas para hoje. Já tomou café?
Ele
se sentou no sofá.
–
Anita, é hoje que Eliwood vem, não é?
–
Já deve estar na cidade.
Batem
na porta.
–
Rápido, vá para trás do armário.
Logan
se escondeu atrás do armário, e ela abriu a porta.
–
Pela deusa, Joseph, por que está tão pálido? – A indagou.
–
Senhora, seu filho... – disse a voz de um jovem, visivelmente sem fôlego.
–
Sente-se e recupere o ar. – pediu, mas sua voz estava preocupada. – O que tem
Josh?
–
Ele fez uma viagem para o sul, não?
–
Sim, sim. Acabe com isso e me diga o que houve?
–
Pegaram ele e os outros garotos, o Sr. Spietato.
Logan
espiou por um canto e viu Anita se sentar, branca como a seda em que ela
trabalhava.
–
O Sr. Eliwood vai se apresentar em publico hoje, talvez ele diga algo sobre
eles. – tentou consolar o garoto.
–
Obrigada, Joseph, pode ir.
O
garoto saiu, ela trancou a porta e Logan foi até ela.
–
Quem é Spietato?
–
Ele é o superior dos donos dessas terras. – disse, e levou à mão a boca,
aparentemente abalada demais para continuar. – Ele vai levar meu filho pras
suas guerras... Meu menino...
–
Superior a Eliwood... – repetiu, pensativo. – Guerra?
–
Sim, Spietato conquista outras cidades com violência. Como se estivéssemos
realmente em uma segunda era medieval. Enforca e empala os traidores e
rebeldes, estrupam mulheres, invadem terras com toda a violência de antigamente
e a tecnologia de hoje. Porque eles não se privaram da tecnologia, só nós fomos
deixados à mercê dessa decadência. Só de pensar no meu menino ao lado desse
homem me dá arrepios. – disse. – Mas se ele se rebelar e for descoberto vai ser
muito pior.
Logan
sentou no sofá novamente. Provavelmente Eliwood era o informante de Spietato
nessas terras. Se ele morresse...
–
Não sei o que você está pensando, garoto. Mas não faça. – pediu Anita.
–
Ele vai estar em publico, talvez eu não tenha outra oportunidade.
E
ele saiu da sala. Saiu com o arco e flecha, e vestiu uma blusa com touca. A
cidade iria estar cheia de soldados e ele não estava errado. Descobriu que
Eliwood ia aparecer as duas, num palco que havia sido montado no centro da
praça. Ele olhou ao redor, e viu a torre de uma igreja.
Quando entrou na igreja, ela estava
completamente vazia, ele logo encontrou a porta que levava as escadas. Era uma
e quarenta e cinco no relógio da igreja, ele subiu e olhou a vista dali. Era
perfeita, e não havia nenhuma arvore atrapalhando sua visão. As pessoas já se
aglomeravam ao redor do palco, onde estavam vários soldados. Ele escutou passos
na escada, provavelmente o padre, e se escondeu. Ele
espiou e se surpreendeu ao ver que era Loren.
–
Logan, saia dai. – disse ela.
Ele
saiu, a olhando com suspeita.
–
O que você faz aqui?
Ela
assoprou um pó na cara dele, e ele tossiu.
– O que você...? – ele estava tonto, via o rosto
dela sumir, como se estivesse dissolvendo, e caiu desmaiado.
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