sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O diário dos Morrigan



Capitulo II


Comatose ... Parte 2




Eu corria incessantemente, na verdade já estava correndo por horas e não chegava a lugar algum, era sempre a mesma escuridão. A luz não existia naquele lugar e o ar era pesado, úmido  e quase intoxicante já estava me deixando sem forças...
O ar pesado e com um forte fedor de mofo era a única coisa que fazia Alice não perder a razão enquanto corria naquela imensa escuridão, seus pés estavam cansados e apesar de continuar naquela mesma direção onde sua avó a indicara ela não sabia mais dizer para onde estava indo. Um desespero claustrofóbico começou a surgir dentro de Alice e por mais que ela afirmasse para si mesma “–Coragem garota, você vai encontrar o caminho de casa...” seu corpo reagia de forma contraria. Alice estava a beira de um colapso nervoso, sentia seu coração bater forte quase que explodindo sua respiração ofegante e cansada deu lugar a uma outra, mais frenética e curta, ela sentia seu corpo tremer por inteiro e se arrepiar com uma presença gélida que a rodeava no meio da escuridão...
Não importa onde Alice corria a tal presença maléfica e mórbida a seguia, na verdade não eram apenas uma, mas milhares delas ela podia sentir o toque das mãos gélidas surgindo da escuridão e a segurando por todo o corpo, Alice gritava e gritava desesperadamente de puro pavor ate que finalmente desmaiou...


Pulsos, tornozelos e pescoço presos por velhos grilhões de ferro enferrujado, Alice acordou num porão antigo e escuro, o chão úmido com poças d’agua refletiam num dos cantos do que parecia ser uma velha senzala silhueta de um homem forte e alto, com chifres de bode presos em sua cabeça, sentado em uma cadeira antiga de madeira nobre.  
- O que você quer de mim?... Por favor, me deixe ir embora...
- Seu sangue é o preço para minha liberdade, jovem Morrigan... Agora que tenho sua alma, o seu corpo é meu!
As últimas falas daquela criatura pareceram ser uma sentença de morte, pensou Alice enquanto sentia o vapor fétido da respiração do demônio em sua nuca.
Dente aquele momento de desespero e pavor que cresciam dentro de Alice uma voz suave, quase um sussurro dizia dentro de sua confusa cabeça... “ – Illustrare...”
Cada vez mais forte e presente as palavras foram saindo da boca de Alice repetidamente e freneticamente como as batidas de seu coração... Uma luz forte e incessante se instalou por todo o lugar junto com um ruído fino e ensurdecedor.
As correntes evaporaram como poeira e toda a escuridão perdeu forma dando lugar a um corredor de hospital. 

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