Capitulo II
Comatose ... Parte 2
Eu corria
incessantemente, na verdade já estava correndo por horas e não chegava a lugar
algum, era sempre a mesma escuridão. A luz não existia naquele lugar e o ar era
pesado, úmido e quase intoxicante já
estava me deixando sem forças...
∞
∞
O ar pesado e com um forte fedor
de mofo era a única coisa que fazia Alice não perder a razão enquanto corria
naquela imensa escuridão, seus pés estavam cansados e apesar de continuar
naquela mesma direção onde sua avó a indicara ela não sabia mais dizer para
onde estava indo. Um desespero claustrofóbico começou a surgir dentro de Alice
e por mais que ela afirmasse para si mesma “–Coragem garota, você vai encontrar
o caminho de casa...” seu corpo reagia de forma contraria. Alice estava a beira
de um colapso nervoso, sentia seu coração bater forte quase que explodindo sua
respiração ofegante e cansada deu lugar a uma outra, mais frenética e curta,
ela sentia seu corpo tremer por inteiro e se arrepiar com uma presença gélida
que a rodeava no meio da escuridão...
Não importa onde Alice corria a
tal presença maléfica e mórbida a seguia, na verdade não eram apenas uma, mas
milhares delas ela podia sentir o toque das mãos gélidas surgindo da escuridão
e a segurando por todo o corpo, Alice gritava e gritava desesperadamente de puro
pavor ate que finalmente desmaiou...
∞
Pulsos, tornozelos e pescoço
presos por velhos grilhões de ferro enferrujado, Alice acordou num porão antigo
e escuro, o chão úmido com poças d’agua refletiam num dos cantos do que
parecia ser uma velha senzala silhueta de um homem forte e alto, com chifres de
bode presos em sua cabeça, sentado em uma cadeira antiga de madeira nobre.
- O que você quer de mim?... Por
favor, me deixe ir embora...
- Seu sangue é o preço para minha
liberdade, jovem Morrigan... Agora que tenho sua alma, o seu corpo é meu!
As últimas falas daquela criatura
pareceram ser uma sentença de morte, pensou Alice enquanto sentia o vapor
fétido da respiração do demônio em sua nuca.
Dente aquele momento de desespero
e pavor que cresciam dentro de Alice uma voz suave, quase um sussurro dizia
dentro de sua confusa cabeça... “ – Illustrare...”
Cada vez mais forte e presente as
palavras foram saindo da boca de Alice repetidamente e freneticamente como as
batidas de seu coração... Uma luz forte e incessante se instalou por todo o
lugar junto com um ruído fino e ensurdecedor.
As correntes evaporaram como
poeira e toda a escuridão perdeu forma dando lugar a um corredor de hospital.
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