segunda-feira, 17 de agosto de 2015

VII



Logan preparou a flecha, e esperou. Ela deu mais um passo para trás, encostando o violoncelo em uma arvore de tronco grosso e se abaixou bem a tempo da seta cravar no tronco. Ela era ágil, e havia feito um corte no rosto do homem. Logan atirou, sua flecha passando perto do nariz do homem, então saiu de trás das árvores.
– Você errou. – disse Loren.
– Não, acertei bem no olho.
Ela olhou para o homem, que agora tremia com a besta na mão, e ele se virou para ver seu parceiro caído no chão, com uma flecha no olho direito. Quando voltou a se virar, Logan tinha o arco preparado.
– Sou mais rápido do que você. – disse, avisando o homem, e ele largou a besta no chão, correndo para a floresta.
Loren já havia guardado a adaga, e pegava seu violoncelo.
– Você está me seguindo? – perguntou ela. Sua voz era bela, vazia e estranha.
– Te encontrei por acaso. – disse.
– Sorte a minha. – disse mal-humorada.
– Ei! – disse ele, segurando o braço dela, e ela o olhou.
– Eu sei me defender sozinha. .
– Eu não disse que você é indefesa. – disse soltando o braço dela. – E sinceramente não acho que alguém que ande com uma adaga seja.
Ela caminhava na frente, carregando o violoncelo com cuidado e não falou nada.
Ele foi caminhando logo atrás dela, devagar para não alcançá-la e quando ela entrou pela cozinha de Anita, subiu as escadas sem olhar para trás.
– O que essa garota tem? – perguntou
– O que você fez? – perguntou Anita, enquanto cortava batatas.
Ele explicou o que aconteceu na floresta, e ela riu.
– O que é engraçado? – perguntou.
– Ela não gosta de se sentir indefesa.
– Certo, da próxima vez eu não interfiro. Aliás, você não respondeu minha pergunta. O que ela tem? Por que ela é assim, tão estranha?
– Ela não é estranha. – disse Anita. – Ela já passou por muitas coisas.
– Coisas?
– Não seja curioso! Se um dia ela começar a confiar em você, ela te contará. Se contar tudo, pois o que ela me disse sobre ela foi muito pouco.
Ele subiu. Sentia o cheiro de lavanda pelo corredor, e já sabia de onde vinha. Ele estava intrigado com o jeito dela, e irritado. Depois do jantar, ele subiu para se deitar. Demorou muito para dormir, olhando as estrelas, e as nuvens que cobriam o brilho da lua.
Pela madrugada ele acordou com alguém batendo na sua porta.
– Logan! – chamava Anita, baixo.
Ele abriu a porta, ela estava usando um roupão cor de rosa.
– O que? Aconteceu alguma coisa?
– Não, mas vai acontecer se você não se mexer. – ela entrou no quarto e puxou a cadeira da escrivaninha para o centro. Ele coçou o olho.
Anita puxou algo com a ponta dos dedos e um alçapão se abriu.
– Suba, os guardas de Eliwood estão se aproximando. – disse ela, alerta, e ele ouviu cascos de cavalo no quintal.
Ele pegou suas coisas e subiu. Fechando o alçapão. Ele encontrou uma fresta e olhou por ela. Anita já havia arrumado sua cama e a cadeira, e saiu no momento em que bateram na porta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente o que achou dos textos, participe! Sua opinião é super importante para que melhoremos nosso conteúdo! Seja um leitor ativo!