domingo, 21 de junho de 2015

Questões Incomuns - O último Ato

Eu disse, disse sim,

Mesmo sabendo que não me ouvia. 

E disse, e continuei a dizer 

Enquanto sentia as lágrimas rolarem 

E seu corpo estremecer.

Dizia desesperadamente

Tudo o que não podia me esquecer 

Eu sabia que não mais me via, 

E a dor em meu peito se fazia. 

Esta seria a nossa última despedida,

E nela eu lhe entregava minha prece mais polida.

O golpe certeiro, desferido com maestria, 

Pelo sorriso sarcástico que soava zombaria, 

Tirou-lhe o brilho do olhar que não mais se via. 

E enquanto o seu sangue se esvazia, 

Em meu peito uma ferida se abria, 

Tão dolorosa como minha covardia, 

Enquanto o teu sangue ao meu se confundia. 

Em meus braços teu sorriso se desfazia, 

E em meu peito grande tristeza brotava, 

Pois no teu peito o coração já não pulsava 

Deitei-me ao teu lado, certa da morte que viria.

Lembrando a arma que lhe tirara a vida, 

A mesma que perfurou-me com grande covardia,

E que aos poucos, em lenta agonia,


Tirava-me impiedosamente o ultimo suspiro de vida...


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