sexta-feira, 20 de março de 2015

Um conto de Peter O'Brian - A verdade sobre o Duque de Villette.

Desde o momento em que saíra da casa de meus pais, no exato instante em que pus meus pés para fora do portão de entrada da casa onde nasci e passei toda a minha infância e adolescência eu jamais poderia imaginas que iria tão longe ou que me veria envolto em tramas escusas e sentimentos tão confusos e intensos.


   Estávamos num café naquela cinzenta e fria manha. Jean não era mais o mesmo para mim, não trocamos uma palavra se quer desde o momento constrangedor em que fui acordado ate sentarmos a mesa e pela primeira vez ouvi ele ordenar “ – Chá, por favor!” ao garçom que anotava os nossos pedidos.
- A esta altura, você já deve saber de meu pequeno segredo. Não é?
Indagou Jean com sua voz baixa e um tanto trêmula, bem diferente do homem que estava acostumado a lidar todos os dias enquanto eu permanecia em silêncio.
- Olha, desculpa por não ter contado a você logo que nos aproximamos sobre minhas preferencias.
- Não é isto que me incomoda, eu sei que você quer se vingar dele...
Minhas palavras fizeram o sangue desaparecer do rosto de Jean, enquanto ele me olhava com aqueles olhos grandes e espantados.
- Não adianta me enganar... Sei que Anette, a dama de confiança de Madame Lis é sua irmã,  até antes de ontem a noite eu não tinha muitos problemas com isto afinal você continua sendo um bom amigo e com certeza deve ter bons motivos para manter em segredo seu parentesco com ela mas a vingança... Deixou me intrigado.
- Como você descobriu?
Eu sem dizer uma só palavra arrastei com um movimento suave de minhas mãos na toalha branca de algodão da mesa em que tomávamos nosso chá a carta que havia pegado do quarto de Anette.
- Onde você conseguiu isto?
Perguntou ele assustado.
- Foi por acaso, não se preocupe sua irmã não teve nenhuma culpa nisto.
- Deixe – me adivinhar! Foi no dia em que, você se encontrou escondido com sua amada Claudia?
Perguntou Jean com um leve tom irônico em sua voz e aquele olhar intenso que me fitava como na noite passada.
- Pois é meu amigo parece que você não é o único que fez os deveres de casa! Eu sei do afeto ente vocês dois, quem você acha que colocou vocês dois frete a frente nas ultimas duas vezes?
- Foi você... ?
Perguntei espantado enquanto ele me respondia com um aceno de cabeça dizendo que sim.
-Sou um homem muito convincente, fiz com que o Duque a permitisse visitar sua mãe, elas trocaram cartas durante toda a criação de Claudia nos colégios internos, mas nunca puderam se encontrar e quando percebi que você tinha um enorme desejo por ela...
- Desejo, não... E a amo! Estamos apaixonados e quero liberta-la das mãos daquele monstro.
Senti um ódio surgir no rosto de Jean ao ouvir minhas palavras, mas também uma leve tristeza em seu olhar que me fizeram perguntar.
- É ele não é? O alvo de sua vingança?
Dito isto, com uma expressão seria, mas com os olhos cheios d’agua Jean abre dois botões de sua camisa e retira um relicário em prata com as fotos de um casal juntos com um bebê nos braços da mulher de olhar terno e cabelos cacheados e um molecote sorridente sentado no colo de seu pai.
- Esta é minha família, esta pequena foto foi a única coisa que sobrou dela, pois tudo foi destruído pelas chamas... Nós éramos os caseiros do Château Villette, uma das fazendas produtora do melhor vinho francês e propriedade de uma das famílias mais ricas e abastardas de toda a França um mês após o nascimento de minha irmã e também da única filha e herdeira dos senhores, a sua Claudia o irmão mais novo do senhor Villette, na época um borra botas metido a rico, matou a todos e roubou criança enquanto seus capangas destruíam tudo começando um incêndio, meus pais foram mortos enquanto eu fugia com minha irmã nos braços para tentar nos salvar... As últimas palavras de minha mãe foram “Corra e salve sua irmã”.
Eu fiquei sem palavras, podia sentir o ódio e a saudade brotarem da única lagrima que escorrera de seu olho esquerdo enquanto ele segurava a única joia de família que ele tinha.
- Fomos criados num orfanato e eu assim que tive idade suficiente para carregar um saco pequeno de batatas fui vendido para um velho por algumas moedas para fazê-lo companhia, em todos os sentidos! Ele me assinou tudo o que precisei para ser o que sou e assim que conheci Madame Lis a convenci a comprar Anette minha irmã para tira-la daquela lata de lixo!
Eu podia compreendê-lo, agora que sabia de todos os motivos algo mais me prendia a atenção, como eu contaria para Claudia que seu tio não era apenas o homem extremamente controlador que ela acreditava ser, como iria contar a ela que ele assassinara seus pais deliberadamente por dinheiro e poder. Podia sentir minha cabeça começar a ferver com tantas perguntas.
- Claudia esta correndo um enorme risco de vida Peter. O Duque pretende desposa-la para ter acesso a toda a herança deixada a ela por direito.
- Não posso deixar isto acontecer Jean!
- Eu sei, Fuja com ela! Leve - a para longe daqui!
- Mas e você...?
- Meu destino esta traçado, desde o dia que assisti meus pais serem assassinados a mando daquele déspota maldito... Eu tenho que Mata-lo.
- Não vou deixa-lo sozinho nisto!
- Peter, esta não é a sua batalha... Tome sua amada e parta para bem longe daqui antes que seja tarde demais para vocês dois serem felizes. Em dois meses o duque fara uma viagem para Suíça até lá eu darei um jeito de levar suas cartas para ela, esteja preparado.

Dois Meses e 48 cartas de amor depois...
Batidas frenéticas a porta do quarto de hotel me deixaram com o coração acelerado, abri e Jean adentrou meu quarto com apressado e pegando as malas guardas sob a cama, abrindo os armários e as gavetas e jogado todo o seu conteúdo dentro doas duas malas agora abertas em cima da cama.

- Depressa o Duque acabou de tomar o trem, vocês devem partir agora!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente o que achou dos textos, participe! Sua opinião é super importante para que melhoremos nosso conteúdo! Seja um leitor ativo!