Após meu afortunado e momentâneo encontro com Claudia, passei as ultimas quatro semanas tentando resistir ao vicio de pensar nela, o que confesso ter sido um total fiasco, mas o destino mais uma vez cruzou nossos caminhos.
Numa manhã cinza e chuvosa em que eu estava saindo mais cedo de casa para o trabalho, a vi entrando em uma casa de chás, parecerá loucura caro leitor, mas de tanto sonhar e suspirar por ela, eu a reconheceria em qualquer lugar. Tomei um suspiro de coragem e fui a sua direção, paguei o cocheiro as pressas e sai correndo, subi os poucos degraus que levavam a entrada. Algumas mesas, Cheias Outras vazias, talvez pelo horário ou pela forte chuva o local estava deveras movimentado. Olhei ao redor depois de alguns segundos procurando eu a vi sentada em uma das mesas conversando com um garçom, sentei-me numa das mesas que estavam próximas e fiz o pedido de uma xicara de chá inglês. Meu coração pulsava de tal maneira que mal conseguia disfarçar a tremedeira, precisava arranjar um jeito de falar com ela, mas como Jean dissera “... Esqueça essa garota..." não pude deixar de pensar naquela hora o porquê tal criatura de beleza angelical poderia representar um grande risco a qualquer um que se aproximasse! Minhas teorias a respeito do aviso de Jean se tornaram mais obscuros ao notar que uma mulher de trajes finos e cabelos ruivos sentou-se a mesa com Claudia, era Madame Lis. Apesar de se passar por uma dama da alta sociedade, todos sabiam que Lis era dona de um cabaré e definitivamente uma dama, não importa a sua idade não seria bem vista se andasse em sua companhia, por isso muitas outras perguntas surgiram em minha cabeça bem como acredito ter surgido na sua também caro leitor.
Há se eu tivesse ouvido os meus instintos, talvez estas linhas não estivessem sendo escritas agora, talvez Claudia ainda estivesse viva e nós provavelmente estaríamos a caminho da casa de meus pais, e muitos outros "talvez" poderiam ter sido reais, mas minha razão foi tomada pela emoção e o fato delas se conhecerem só me soou como uma ótima oportunidade de aproximação e Madame Lis Seria nosso Cupido. O dia se passou em intermináveis segundos, não conseguia me concentrar em nada na tipografia, estava com a cabeça na lua, ou melhor, em Madame Lis e na ansiedade que sentia para que as horas passassem mais rápido. Ao termino do expediente, vesti meu casaco às pressas, coloquei meu chapéu antes que Jean perguntasse algo ou me arrastasse para algum lugar, fui direto para o Cabaré no bairro de montmartre.
Cheguei quando ainda estava vazio, e fui barrado por um dos seguranças na porta informando abruptamente que a casa só abriria duas horas mais tarde, eu tentei explicar que era um assunto urgente que deveria de tratar com Madame Lis, mas ele não quis deixar me terminar, me agarrou pelo braço e foi me arrastando para fora quando uma voz surgiu das escadarias que levavam aos quartos do segundo andar, - Deixe-o entrar! Tenho assuntos a tratar com le Monsieur O'Brian- O segurança me largou prontamente, subi as escadarias desamarrotando minhas roupas e fomos ao quarto de Madame Lis. Um quarto grande e bem iluminado, com flores e rosas vermelhas em grandes vasos espalhadas pela mesa e num solitário móvel próximo a parede bem abaixo de um autorretrato pintado a óleo, papel de parede verde claro e alguns candelabros, ela aguardou-me na porta e entrou logo em seguida fechando à porta trancando a com chave.
- Sei de seus sentimentos por Claudia, imagino que você tenha vindo ate mim para pedir ajuda! Estou certa?
- Sim, desde que a conheci não consigo arranca-la de meus pensamentos, preciso contar a ela o que sinto!
- Você arriscaria sua vida por amor?
- Se minha amada aceitar meus sentimentos... Sim! Mas temo que ela nem se recorde de minha existência, quanto mais tenha notado meus sentimentos!
- Sei que você nos viu esta manhã e por isso estamos tendo esta conversa, Claudia é na verdade minha filha e sim ela também ficou impressionada com você. - Senti meu coração gelar naquela hora, não sabia se por causa da tal revelação ou se por saber que de alguma forma eu também roubava as noites de sono dela.
- Esta foi a melhor noticia que eu poderia receber!
- Mas peço que não conte a ninguém! O pai de Claudia era um antigo frequentador deste cabaré, numa época que eu era apenas Lis, um homem muito rico dono de muitas vinícolas e irmão do Duque. Quando fiquei gravida e dei à luz a Claudia ele a tomou dizendo que ela seria sua única herdeira, sua esposa não podia ter filhos, portanto era a desculpa perfeita. Mas infelizmente um incêndio matou os dois e o Duque ficou com sua guarda e com as posses de todos os bens deixados pelo pai!
Notei que enquanto ela contava sobre seu passado, lagrimas escorriam pelo seu rosto borrando sua maquiagem e mostrando que aquela mulher forte e altiva também tivera suas dores e seus segredos.
- Fique tranquila Madame Lis, não contarei a ninguém, contanto que me ajude a encontrar Claudia novamente!
-Sim - ela respondeu enxugando as lagrimas com um lenço que cordialmente ofereci - Por enquanto não tenho como coloca-los frente a frente, mas possuo algo que você ficará muito feliz em receber!
Ela me entrega uma carta escrita à mão. Pela transparência do papel suave consigo perceber que se tratava de uma caligrafia cuidadosamente desenhada... Não havia duvidas era uma carta de Claudia nomeada a mim!
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