segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

2. Um pouco sobre a familia Mizuki

A sineta da porta fez barulho quando o atirador saiu, e em seguida, todos saíram em caos, alguns chorando, outros em choque. O detetive estava ao seu lado, olhando para a porta, completamente surpreso com o que acontecera. Ela havia empurrado ele para o chão, escorregando de seu próprio banco, batendo a parte de trás da cabeça.
– Pensei realmente que você ia morrer onee-san. – disse a pequena garota sentada sobre uma das mesas, em tom preocupado.
Hiyori levou a mão à parte dolorida da sua cabeça, Suzume a olhava com preocupação.
– Você está bem? – perguntou o detetive.
– Sim. – disse.
Ele se levantou estendeu a mão para ajudá-la e ela aceitou. A balconista tinha o rosto colado sobre o balcão, uma parte da cabeça estourada pelo tiro. O sangue havia banhado as panquecas e quase todo o balcão.
– Vamos sair daqui. – disse o detetive a guiando para fora da lanchonete. Alguns policiais já vinham na direção do local.
– Obrigada. – disse ela.
– Eu que devo agradecer. Se você não tivesse visto o homem, seriam meus miolos que estariam colorindo aquele balcão... Desculpe o modo de dizer. Sou Julian Galagher.
– Hiyori Mizuki. – disse, oferecendo a mão e ele apertou.
– Detetive Galagher, o que houve? – perguntou o inspetor Jim se aproximando.
– Tentaram atirar em mim dentro da lanchonete. – disse.
– Talvez o assassino já saiba sobre você. – disse com a expressão séria, e então reparou na jovem. – E a senhorita?
– Ela impediu que o tiro me acertasse. – explicou o detetive. – Mas temos uma vitima lá dentro.
Ele fez um sinal de compreensão e chamou alguns homens, se afastando.
– Eu precisarei depor? – indagou ela.
– Por acaso conseguiu ver o rosto do atirador?
Ela fez que não com a cabeça. Havia sido rápido demais. Seu cérebro estava trabalhando a mil, tentando descobrir quem era aquele homem (ela se lembrava apenas de ombros largos demais para ser uma dama), já que ele não tinha relação nenhuma com ela. Alem do mais, se quisesse matar o detetive, faria ela mesma o serviço. Quem era?
– Ele estava tentando matar você, onee-san, não o detetive. – disse a garota, agora ao lado da sua perna. Ela olhou para a garota, sentindo o sangue desaparecer do rosto.
– Srta. Hiyori? Você está bem?

– Pode me chamar de Hiyori apenas. – disse, olhando para ele. – Não me sinto bem, posso ir?
– Deixe seu numero comigo, caso a policia precise de você...
– Claro. – disse, e passou seu numero, que ele anotou em uma pequena agenda. Ele sorriu de modo simpático para ela, e então se afastou.
Ela caminhou em direção à moto.
– Tem certeza do que disse? – perguntou a garota.
– Sim. Ele percebeu você virando e apontou para o detetive. – disse a garota.
– Você o viu? – perguntou em voz baixa, e subiu na moto.
– Ele usava um boné cobrindo o rosto. Hmm... – disse pensativa. – Acho que ele tinha cabelos loiros. E o maxilar largo... não consegui ver mais que isso, onee-san, gomen.
– Tudo bem. Por hora isso basta. – colocou o capacete. Precisava de uma boa dose de saquê.
Ligou a moto, tentando se tranquilizar com o som familiar dos pistões da moto trabalhando, mas aquilo não estava funcionando, então decidiu dar uma volta pela cidade. Gregorovich teria contratado alguém? Se ele tinha contratato um detetive, ele ainda não sabia quem era ela, não havia como ser ele... Quem, então? Já tinha matado alguns outros assassinos e estrupadores, mas a policia não havia persistido em descobrir, pois todos eram procurados, e ela se lembrava de na época ter saído a manchete sobre alguns justiceiro. Mas nunca teve ninguém atrás de si antes. Quem? Parou no farol, e olhou pelo retrovisor. Haviam alguns carros atrás, um com um executivo, outro com um homem de boné, outro com... voltou os olhos para o homem de boné, os cabelos loiros escapando pelas laterais, e o queixo largo e sentiu outro arrepio. Estava seguindo ela... o farol abriu e ela observou o pequeno carro bege. Definitivamente estava sendo seguida. Tinha uma arma escondida sob o banco da moto. Acelerou.

***

Julian estava na sua sala, os papeis do caso espalhados pela mesa. Precisava descobrir sobre o assassino o quanto antes. Como ele descobrira tão rápido sobre ele? Seria alguém da policia? Respirou fundo, analisando os casos. A primeira vitima havia morrido com um tiro preciso no olho esquerdo, estourando a parte de trás da cabeça. Não havia capsula da bala no chão, sem sinais de arrombamento. A vitima havia sido encontrada no escritório de sua casa, sobre seus papeis. A segunda vitima havia sido encontrado na banheira, eletrocutada. Havia um secador dentro da banheira. Poderia até ter ocorrido um acidente nesse caso, mas a policia havia ignorado essa possibilidade. A terceira vitima havia sido envenenada pela carne de um peixe venenoso que se não preparado com o devido cuidado, poderia matar. A quarta vitima tinha um tiro na cabeça, porém fora encontrada com sua própria arma nas mãos, e a bala retirada de sua cabeça era da arma dele. Um provável suicídio. E o quinto havia sido explodido em seu escritório no quinto andar. Ele respirou fundo. Alguns casos nem pareciam fazer sentido para ele. Voltou à lista de suspeitos. Haviam duas mulheres e um homem. Havia analisado a fita diversas vezes e chegara a conclusão de que o entregador de pizza era uma mulher, devido aos ombros estreitos. A primeira mulher ele estava descartando. Estava muito distante do momento da explosão. Já o homem da maleta poderia estar com uma bomba. Kamikaze. O termo fez ele lembrar da jovem que havia o salvado. Era corajosa, pois era a primeira vez que não via uma mulher gritar ou ficar verde ao ver um cadáver, principalmente devido ao estado que o balconista estava. “Talvez ela já tivesse visto algo desse tipo antes” pensou. “Sim, provavelmente... mas quem não teria visto algo desse tipo hoje em dia?”
Seria ótimo ter uma mulher corajosa como ela para trabalhar como parceira. Além de corajosa era bonita... “Mas que diabos estou pensando?”. Pegou um cigarro e acendeu. Quem diabos estaria atrás dele? Era nisso que precisava se focar.
Bateram na porta, e o delegado John entrou. Por um momento Julian temera que ele não fosse conseguir passar pela porta, mas apenas por um momento, pois ele já estava diante dele.
– Senhor Galagher, o inspetor Jim disse que reconheceu o rosto da jovem que estava com o senhor, além do nome. Ela é filha de um dos nossos melhores soldados, que foi assassinado em sua própria casa.
– Acha que o assassinato do Soldado Mizuki foi feito pelo mesmo assassino desses? – perguntou, pegando a pasta que ele lhe oferecia.
– O inspetor Jim acha que sim. E se ele tiver razão, talvez o atirador que estava na lanchonete não estivesse focado no senhor, e sim em concluir o serviço. Naquela noite, ninguém sobreviveu, a não ser essa garota.
Ele abriu a pasta, onde haviam fotos da cena do crime. O corpo do soldado Mizuki estava caído de forma anormal no tapete da sala, a garganta cortada, e havia um mais profundo na barriga, por onde caiam algumas tripas, e uma mulher ao seu lado, as roupas rasgadas, agarrada a uma criança pequena, o pijama também rasgado e manchado.
– Como ela conseguiu sobreviver?
– O pai havia ordenado que ela e sua irmã se escondesse, e a irmã dela fugiu do esconderijo, e a mãe tentou proteger a mesma com o corpo. Quando chegamos, a garota estava paralizada de choque debaixo da cama, com uma arma na mão. Foi a pior cena de crime que eu já vi em toda minha história nessa delegacia.
– Realmente nada agradável. – disse fechando a pasta. – E a garota ficou com quem?
– Com os tios. E ela estudou na escola militar por anos, mas não se formou.
– Obrigado, John. Agradeça ao inspetor Jim por mim.
– Sim. – disse e se retirou.

Ele abriu a pasta. Aquele crime tinha sido horrível demais, e envolvia uma família inteira. Não havia nada que o ligasse aos outros... não era o estilo do criminoso atual. Mas uma coisa estava clara. O soldado Mizuki sabia de algo. Sentiu os pelos da nuca se arrepiarem. Precisava localizar Hiyori Mizuki.



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Hiyori de J. Carstairs está licenciado com uma LicençaCreative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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