A sineta da porta fez barulho quando o atirador saiu, e em
seguida, todos saíram em caos, alguns chorando, outros em choque. O detetive
estava ao seu lado, olhando para a porta, completamente surpreso com o que
acontecera. Ela havia empurrado ele para o chão, escorregando de seu próprio
banco, batendo a parte de trás da cabeça.
– Pensei realmente que você ia morrer onee-san. – disse a
pequena garota sentada sobre uma das mesas, em tom preocupado.
Hiyori levou a mão à parte dolorida da sua cabeça, Suzume a
olhava com preocupação.
– Você está bem? – perguntou o detetive.
– Sim. – disse.
Ele se levantou estendeu a mão para ajudá-la e ela aceitou.
A balconista tinha o rosto colado sobre o balcão, uma parte da cabeça estourada
pelo tiro. O sangue havia banhado as panquecas e quase todo o balcão.
– Vamos sair daqui. – disse o detetive a guiando para fora
da lanchonete. Alguns policiais já vinham na direção do local.
– Obrigada. – disse ela.
– Eu que devo agradecer. Se você não tivesse visto o homem,
seriam meus miolos que estariam colorindo aquele balcão... Desculpe o modo de
dizer. Sou Julian Galagher.
– Hiyori Mizuki. – disse, oferecendo a mão e ele apertou.
– Detetive Galagher, o que houve? – perguntou o inspetor Jim
se aproximando.
– Tentaram atirar em mim dentro da lanchonete. – disse.
– Talvez o assassino já saiba sobre você. – disse com a
expressão séria, e então reparou na jovem. – E a senhorita?
– Ela impediu que o tiro me acertasse. – explicou o
detetive. – Mas temos uma vitima lá dentro.
Ele fez um sinal de compreensão e chamou alguns homens, se
afastando.
– Eu precisarei depor? – indagou ela.
– Por acaso conseguiu ver o rosto do atirador?
Ela fez que não com a cabeça. Havia sido rápido demais. Seu
cérebro estava trabalhando a mil, tentando descobrir quem era aquele homem (ela
se lembrava apenas de ombros largos demais para ser uma dama), já que ele não
tinha relação nenhuma com ela. Alem do mais, se quisesse matar o detetive,
faria ela mesma o serviço. Quem era?
– Ele estava tentando matar você, onee-san, não o detetive.
– disse a garota, agora ao lado da sua perna. Ela olhou para a garota, sentindo
o sangue desaparecer do rosto.
– Srta. Hiyori? Você está bem?
– Pode me chamar de Hiyori apenas. – disse, olhando para
ele. – Não me sinto bem, posso ir?
– Deixe seu numero comigo, caso a policia precise de você...
– Claro. – disse, e passou seu numero, que ele anotou em uma
pequena agenda. Ele sorriu de modo simpático para ela, e então se afastou.
Ela caminhou em direção à moto.
– Tem certeza do que disse? – perguntou a garota.
– Sim. Ele percebeu você virando e apontou para o detetive.
– disse a garota.
– Você o viu? – perguntou em voz baixa, e subiu na moto.
– Ele usava um boné cobrindo o rosto. Hmm... – disse
pensativa. – Acho que ele tinha cabelos loiros. E o maxilar largo... não
consegui ver mais que isso, onee-san, gomen.
– Tudo bem. Por hora isso basta. – colocou o capacete.
Precisava de uma boa dose de saquê.
Ligou a moto, tentando se tranquilizar com o som familiar
dos pistões da moto trabalhando, mas aquilo não estava funcionando, então
decidiu dar uma volta pela cidade. Gregorovich teria contratado alguém? Se ele
tinha contratato um detetive, ele ainda não sabia quem era ela, não havia como
ser ele... Quem, então? Já tinha matado alguns outros assassinos e
estrupadores, mas a policia não havia persistido em descobrir, pois todos eram
procurados, e ela se lembrava de na época ter saído a manchete sobre alguns
justiceiro. Mas nunca teve ninguém atrás de si antes. Quem? Parou no farol, e
olhou pelo retrovisor. Haviam alguns carros atrás, um com um executivo, outro
com um homem de boné, outro com... voltou os olhos para o homem de boné, os
cabelos loiros escapando pelas laterais, e o queixo largo e sentiu outro
arrepio. Estava seguindo ela... o farol abriu e ela observou o pequeno carro
bege. Definitivamente estava sendo seguida. Tinha uma arma escondida sob o
banco da moto. Acelerou.
***
Julian estava na sua sala, os papeis do caso espalhados pela
mesa. Precisava descobrir sobre o assassino o quanto antes. Como ele descobrira
tão rápido sobre ele? Seria alguém da policia? Respirou fundo, analisando os
casos. A primeira vitima havia morrido com um tiro preciso no olho esquerdo,
estourando a parte de trás da cabeça. Não havia capsula da bala no chão, sem
sinais de arrombamento. A vitima havia sido encontrada no escritório de sua
casa, sobre seus papeis. A segunda vitima havia sido encontrado na banheira,
eletrocutada. Havia um secador dentro da banheira. Poderia até ter ocorrido um
acidente nesse caso, mas a policia havia ignorado essa possibilidade. A
terceira vitima havia sido envenenada pela carne de um peixe venenoso que se
não preparado com o devido cuidado, poderia matar. A quarta vitima tinha um
tiro na cabeça, porém fora encontrada com sua própria arma nas mãos, e a bala
retirada de sua cabeça era da arma dele. Um provável suicídio. E o quinto havia
sido explodido em seu escritório no quinto andar. Ele respirou fundo. Alguns
casos nem pareciam fazer sentido para ele. Voltou à lista de suspeitos. Haviam
duas mulheres e um homem. Havia analisado a fita diversas vezes e chegara a
conclusão de que o entregador de pizza era uma mulher, devido aos ombros estreitos.
A primeira mulher ele estava descartando. Estava muito distante do momento da
explosão. Já o homem da maleta poderia estar com uma bomba. Kamikaze. O termo
fez ele lembrar da jovem que havia o salvado. Era corajosa, pois era a primeira
vez que não via uma mulher gritar ou ficar verde ao ver um cadáver,
principalmente devido ao estado que o balconista estava. “Talvez ela já tivesse
visto algo desse tipo antes” pensou. “Sim, provavelmente... mas quem não teria
visto algo desse tipo hoje em dia?”
Seria ótimo ter uma mulher corajosa como ela para trabalhar
como parceira. Além de corajosa era bonita... “Mas que diabos estou pensando?”.
Pegou um cigarro e acendeu. Quem diabos estaria atrás dele? Era nisso que
precisava se focar.
Bateram na porta, e o delegado John entrou. Por um momento
Julian temera que ele não fosse conseguir passar pela porta, mas apenas por um
momento, pois ele já estava diante dele.
– Senhor Galagher, o inspetor Jim disse que reconheceu o
rosto da jovem que estava com o senhor, além do nome. Ela é filha de um dos
nossos melhores soldados, que foi assassinado em sua própria casa.
– Acha que o assassinato do Soldado Mizuki foi feito pelo
mesmo assassino desses? – perguntou, pegando a pasta que ele lhe oferecia.
– O inspetor Jim acha que sim. E se ele tiver razão, talvez
o atirador que estava na lanchonete não estivesse focado no senhor, e sim em
concluir o serviço. Naquela noite, ninguém sobreviveu, a não ser essa garota.
Ele abriu a pasta, onde haviam fotos da cena do crime. O
corpo do soldado Mizuki estava caído de forma anormal no tapete da sala, a
garganta cortada, e havia um mais profundo na barriga, por onde caiam algumas
tripas, e uma mulher ao seu lado, as roupas rasgadas, agarrada a uma criança
pequena, o pijama também rasgado e manchado.
– Como ela conseguiu sobreviver?
– O pai havia ordenado que ela e sua irmã se escondesse, e a
irmã dela fugiu do esconderijo, e a mãe tentou proteger a mesma com o corpo.
Quando chegamos, a garota estava paralizada de choque debaixo da cama, com uma arma
na mão. Foi a pior cena de crime que eu já vi em toda minha história nessa
delegacia.
– Realmente nada agradável. – disse fechando a pasta. – E a
garota ficou com quem?
– Com os tios. E ela estudou na escola militar por anos, mas
não se formou.
– Obrigado, John. Agradeça ao inspetor Jim por mim.
– Sim. – disse e se retirou.
Ele abriu a pasta. Aquele crime tinha sido horrível demais,
e envolvia uma família inteira. Não havia nada que o ligasse aos outros... não
era o estilo do criminoso atual. Mas uma coisa estava clara. O soldado Mizuki
sabia de algo. Sentiu os pelos da nuca se arrepiarem. Precisava localizar
Hiyori Mizuki.

Hiyori de J. Carstairs está licenciado com uma LicençaCreative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Hiyori de J. Carstairs está licenciado com uma LicençaCreative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente o que achou dos textos, participe! Sua opinião é super importante para que melhoremos nosso conteúdo! Seja um leitor ativo!