segunda-feira, 4 de abril de 2016

12 Signos: Aquário - Parte VII

Tudo parecia igual quanto partiu para Paris, a mesma decoração impecável, os mesmos vasos de flores nos mesmos lugares, alguns retratos a mais nas paredes, um o outro criado diferente.

- Ainda é como me lembro. - Disse Jonathan olhando ao redor.

- Thomas não gostava muito de mudanças. - Disse Magda com um sorriso sutil.

Ambos estavam na sala de visitas, sentados nas poltronas tomando café com bolo de laranja - o bolo preferido do avô de Jonathan.

- Desculpe perguntar tia, mas...

- Só falta decidir onde será o enterro. O resto já foi providenciado. - Disse Magda com um resto de voz que quase não se ouvia.

Jonathan engoliu o pedaço de bolo e se levantou. Caminhou até a porta sem dizer qualquer coisa e saiu. Magda permaneceu sentada, tomando o café e comendo o bolo enquanto as lágrimas desciam e molhavam suas mãos pálidas sobre o colo.


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Jonathan sumiu por horas, e só reapareceu na hora do velório. Haviam muitas pessoas, a maioria sequer fazia parte do vínculo de amizades de Thomas, mas todas certamente queriam testemunhar o fim de um dos homens mais ricos do país.

O rapaz se limitou a observar o vai e vem de carros e pessoas. Não cumprimentou ninguém, não se aproximou do caixão, não se moveu - do instante em que chegou ao local, permaneceu imóvel ao lado da janela.

- Jonathan... - Chamou uma voz familiar.

Quando o rapaz se virou para ver quem era sentiu dois braços miúdos a lhe envolverem pelo pescoço - era Sofia, uma ex-namorada e colega de infância.

Sofia era uma moça atraente, sempre bem vestida, unhas e cabelos feitos, jóias enfeitando o pescoço e mãos. O salto a deixava quase na altura de Jonathan, os olhos castanhos marejados permaneciam fechados durante o abraço, e o cabelo ondulado hoje não exibia um penteado bonito, apenas uma presilha mantendo-os presos sem cair aos olhos, do jeito que sempre usava.

- Sofi... - Sussurrou Jonathan se deixando envolver naquele abraço quente e solidário - Eu não sabia que ainda morava por aqui.

Sofia o soltou e o pegou pela mão, arrastando-o para um canto da sala, fazendo-o sentar um instante.

- Na verdade... - Disse passando as mãos pelos joelhos por cima da calça social escura - Não moro, mas vim assim que a tia Magda ligou.

- Então foi ela quem avisou todo mundo... - Concluiu Jonathan passando as mãos pelos olhos pesados e com olheiras.

- Não, não na verdade fui eu. - Sofia coçou a nuca e estalou o pescoço, mostrava estar cansada de um jeito que, em outras ocasiões, jamais demonstraria - Ela me pediu e, você sabe, não consegui dizer que não. Eles eram muito próximos, nem consigo imaginar como ela deve estar se sentindo. Dar a notícia uma vez já dói o bastante, eu não podia ajudar com mais, então pelo menos alguns telefonemas...

- Entendo... - Jonathan olhou mais uma vez ao redor, todos os fotógrafos, jornalistas, famosos da região... Tantas pessoas falsas, e tão poucas amigas... - Você ligou para os fotógrafos também?

Jonathan estava com um olhar frio e a voz se mostrava trincada, como se fosse despedaçar em milhares de facas afiadas por todo o lugar.

Sofia olhou na direção dos fotógrafos e suspirou.

- Desculpe, eu avisei ao Alex, ele fazia as fotos do seu avô. Ele deve ter aberto a boca para alguns amigos inconvenientes.

- Espero que ele não se incomode por eu ser um pouco inconveniente com ele e os amigos agora.

Jonathan se levantou na fúria de uma tempestade, tão feroz quanto à chuva que caía lá fora. Caminhou cego até os repórteres, jornalistas e fotógrafos. As câmeras que avistou jogou no chão, quebrando-as em pedaços. Os intrusos, curiosos e mal intencionados foram expulsos a empurrões e palavrões. Manoel o ajudou assim que percebeu a intenção do rapaz - apenas amigos e família deveriam estar presentes num momento tão triste.

Magda ouviu o alvoroço e foi correndo ver o que estava havendo, chegou quando as portas já estavam fechadas e, na sala que antes quase não havia espaço para andar, agora estavam não mais que dez ou quinze pessoas, incluindo funcionários.

 - Nathan! Querido o que foi isso? - Perguntou aproximando-se do rapaz que estava encharcado pela chuva.

- Só colocamos uns intrometidos pra fora tia. - disse Manoel trocando olhares com Jonathan.

- Obrigado Manoel. Acho melhor ir se trocar agora.

Manoel se retirou, deixando Jonathan aos cuidados de Magda e Sofia.

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- Estou bem tia, já disse que estou bem! - Reclamava o rapaz enquanto trocava a camisa molhada pela que Magda trouxera para ele.

- Não me responda assim! Não me importa se você não gosta que cuidem de você, pois vou cuidar mesmo assim! - Disse Magda arrancando bruscamente a camisa da mão de Jonathan.

O rapaz sentou na cadeira e se debruçou sobre a mesa. Estavam na cozinha, Sofia ao fogão tirava alguma coisa para Jonathan comer.

- E é melhor que coma, antes que desmaie. - Disse a moça empurrando um prato de macarrão requentado para Jonathan.

Jonathan olhou para as duas mulheres, cuidando e zelando por ele, era disso que seu avô falava, pessoas que gostam de você por quem é, e cuidam de você, sem querer nada em troca, nem agradecimento, nem reconhecimento. Mas isso não significa que você não tem que agradecer...

- Obrigado... Por toda a paciência, por toda a calma... Enfim, por tudo. - Disse o rapaz segurando as malditas lágrimas que estava há muito engolindo. - E me desculpem pela grosseria e tudo o mais.

Magda afagou os cabelos do rapaz como se a sua frente não houvesse um homem, mas apenas um menino. O menino que veio ficar sob seus cuidados aos dez anos.

- É isso o que as pessoas fazem quando gostam de alguém, elas cuidam. E não se importam com as grosserias. - Então ela sorriu, e saiu carregando as roupas molhadas.

Sofia sentou ao lado de Jonathan e ficou com o rapaz enquanto ele comia um pouco do macarrão.


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