segunda-feira, 28 de março de 2016

12 Signos - Aquário: Parte VI

Jonathan chegara em casa recebendo a notícia de que o advogado de seu avô já havia retornado de sua viagem, agora com toda a documentação necessária para a leitura do testamento.

- Conforme ele disse - informava o criado Eduardo - a leitura poderá ser feita entre amanhã e sexta-feira. Ele pediu para que o senhor retorne a ligação, caso precise de detalhes.

- Perfeito! - Disse Jonathan deixando o casaco atrás da porta - Se ele ligar novamente me avise.

Jonathan subiu as escadas em direção a seu quarto, que antes era o do avô. Nas paredes haviam retratos, dele pequeno com os pais, com seu avô, com alguns colegas da escola. Alguns retratos de Thomas com os empregados, ora em uma pescaria, ora em um churrasco. Então um retrato chamou a sua atenção, e o rapaz se perguntou como não havia prestado atenção nele antes - Clarisse, com as mãos sujas de terra, um macacão horrível e seu avô, ao lado, ambos sorrindo ao mexer no jardim, um jardim que Jonathan só conheceu quando veio para o enterro do avô.


O rapaz sorriu. O sentimento que o invadiu foi de felicidade, ver o avô feliz sempre lhe deixou contente. Ficava se perguntando se tivesse percebido que o avô o queria mais perto, se talvez... "Bom, pensar nisso agora não ajuda" dizia a si mesmo. Então apanhou o retrato da parede. "Não me lembro de já tê-la visto sorrir dessa forma" pensou acariciando o retrato, perdido na figura de Clarisse.

Jonathan finalmente terminou as escadas e chegou ao seu quarto. Deixou o retrato sobre a escrivaninha, tomou um banho rápido, vestiu uma calça e uma camisa e saiu apressado do quarto, ainda enxugando os cabelos com a toalha. Ao passar novamente pelo corredor, antes de descer as escadas, ouviu um som doce se espalhando pela casa. A melodia era, apesar de doce, triste.

O rapaz começou a descer as escadas, sabia que o som vinha da sala de música, mas não chegou a tempo de conferir quem estava tocando.

- Está procurando algo Nathan? - Perguntou Magda ao ver o olhar perdido do rapaz.

- Tia... Eu... - Então ele sorriu - Nada, só... Pensei que havia ouvido alguém ao piano. Era a música do vovô.

Magda se aproximou do rapaz e tomou a toalha, pegou-o pelo braço e o fez se sentar no banco do piano. Então começou a secar os cabelos de Nathan.

- Sente falta dele, não é? - Perguntou.

Nathan então a abraçou pela cintura e se deixou chorar pela primeira vez desde que havia chego de viagem. E chorou como se nada ao redor importasse, como se ainda fosse aquele menino que acabara de perder os pais.

Magda afagou-lhe os cabelos e o deixou chorar. Era exatamente disso que ele precisava, desabafar, mesmo que não dissesse palavra. Ele vinha guardando isso há dias, ou melhor dizendo, anos, já que não se permitiu chorar no enterro dos pais.

Nathan chorou, e chorou, e soluçou, até que aos poucos foi se acalmando, os braços afrouxando na cintura de Magda, as lágrimas parando de cair.

- Desculpe tia, não queria perder o controle. - Disse abaixando o rosto.

Magda se ajoelhou e ficou na altura dos olhos do rapaz, então puxou seu rosto e olhou fixamente.

- Muitas vezes precisamos perder o controle. Chorar não é sinal de fraqueza Nathan, é sinal de força. - Seu sorriso gentil fez com que Nathan derramasse mais algumas lágrimas, mas agora com um sorriso nos lábios.

- Obrigado tia... Muito obrigado... - Disse a voz embargada.


Magda deu-lhe um beijo na testa e se levantou, com a toalha em mãos saiu deixando para trás a mudança no coração de Jonathan.


Clarisse havia chorado muito, e estava agora dormindo sob o efeito de calmantes. Magda estava cuidando de todos os preparativos para o velório do velho Altreider, o neto Jonathan deveria chegar em algumas horas para cuidar do resto.

A casa estava em silêncio pela primeira vez em anos, nenhum criado falava, seus passos eram silenciosos e a tarde fria só fazia a piorar a sensação de vazio que se espalhava pela grande casa.

- Senhora Magda, o senhor Jonathan acaba de chegar. - Informou Rafael.

- Mas tão cedo... - Magda deixou o retrato de Thomas sobre o piano e seguiu para a porta da frente.

O céu estava cinzento, anunciando uma chuva horrível para mais tarde. No jardim as rosas eram só botões, nenhuma ousou desabrochar. Pelo caminho de pedras vinha Jonathan, imponente e sério, firme como um pilar que sustenta uma grande edificação.

Ao ver Magda parada à porta, em lágrimas, o rapaz se apressou e ao encontrá-la não disse palavra, apenas a abraçou e a deixou chorar, o choro daqueles que haviam perdido um pedaço de si.

- Oi tia... - Sussurrou enquanto abraçado à Magda, caminhava para dentro da casa da família Altreider.

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