quinta-feira, 5 de novembro de 2015

12 Signos - Aquário: Parte V

- Se você sair assim sem avisar outra vez... - Dizia Magda enquanto servia o frango com batatas - Juro pela minha mãe que eu lhe ensinarei uma boa lição!

Clarisse e Manoel estavam sentados na cozinha dos empregados segurando o riso enquanto levavam uma bronca.

- E não ria Manoel! Você também saiu sem avisar! - Completou Magda entregando o prato para o rapaz.


Manoel pegou o prato e deu logo uma garfada. O rapaz podia ter beleza, mas não tinha modos invejáveis à mesa, e isso fazia Magda frequentemente lhe puxar as orelhas - não que ele não soubesse se portar, ele sabia, o que lhe faltava era vontade.

- Desculpa tia, nem lembrei de avisá-la! - Disse Manoel de boca cheia.

- Manoel! - Disso Magda indignada com a falta de modos do rapaz.

Clarisse segurou um riso e continuou beliscando alguns pedaços do frango, mas não passou disso, ela não estava com fome. Aliás, o apetite a havia abandonado no dia em que o Senhor Altreider faleceu.

- Está melhor querida? - Perguntou Magda se desvencilhando do avental.

- Estou sim Magda... Andar sempre me fez bem. - Disse empurrando o prato para o lado - E Manoel faz qualquer um rir. - Completou olhando para o rapaz que já estava nas últimas garfadas.

- Não que eu seja um palhaço, certo? - Disse de boca cheia, e Magda tacou-lhe o avental como protesto pela falta de educação à mesa.

- Por Deus! Tente ser menos ogro rapaz! Você não é mais um garoto!

Clarisse riu e Magda não resistiu em fazer o mesmo. Manoel terminou seu prato e atacou os restos de Clarisse - a jovem praticamente nem havia tocado na comida.

- Ainda está chateada com Jonathan?

Magda podia ser uma pessoa reservada e discreta, mas era sobretudo observadora, amiga e direta. A senhora sabia como Clarisse se sentia, mas também sabia que a jovem precisava por para fora, guardar as angústias apenas para ela mesma a faria mal, muito mal.

- Não estou chateada Magda. Estou ofendida e isso não vai mudar. - Clarisse esfregou os olhos contra as mãos - Será que é possível ele me ignorar? Porque eu gostaria de ignorá-lo até a leitura do testamento.

Clarisse a cada minuto parecia mais cansada, exausta, infeliz, triste... O brilho e vida que antes emanavam da moça, aos poucos a estavam abandonando, e talvez o que restasse depois disso fosse apenas uma casca vazia.

Magda se sentou e pegou as mãos da moça. Estavam frias e um pouco trêmulas, seus olhos estavam com olheiras, a roupa amassada, o coração em pedaços.

- Não sei se consigo esperar mais Magda. Minha vontade é de ir embora, abrir mão de qualquer coisa que o Tio Thomas tenha deixado...

- Não diga isso nem de brincadeira! Ele certamente não aprovaria isso! - Interrompeu a senhora apertando com força as mãos de Clarisse.

- Você sabe, não sabe Magda? Que só estou aqui por ele, para fazer a última vontade dele. No que dependesse de mim...

- Já teria partido há muito tempo. Teria partido no dia em que ele faleceu.

Então houve silêncio, Clarisse tentava conter as lágrimas com dificuldade, mas algumas escapavam involuntariamente, Magda se segurava para não abraçar a moça, sabia que era disso que Clarisse precisava naquele momento, mas isso a faria perder o controle e chorar feito uma menina, e Magda sabia que Clarisse não queria isso, não queria chorar na frente de ninguém.

- Tia Magda a senhora sabe o que tem no testamento, não sabe? - Perguntou Manoel agarrando o copo de suco com tanta força que poderia quebrar.

Magda soltou as mãos de Clarisse e fitou o rapaz. Clarisse conteve as últimas lágrimas, enxugou as que já haviam caído e também fixou o olhar em Manoel.

- Por que eu saberia Manoel?

Manoel não era apenas um faz-tudo na casa da família Altreider, ele crescera ali também, fora acolhido por Thomas e criado como se fosse da família, exatamente como acontecera com Clarisse. O rapaz não era ingênuo como Clarisse.

- Porque, pelo que conheço - conhecia - do tio Thomas, ele não contaria pra mais ninguém. - O rapaz suspirou e engoliu o resto do suco - Não precisa contar se não quiser.

Magda se levantou e apanhou o avental caído ao lado de Manoel. Afagou os cabelos do rapaz e deu um beijo em Clarisse.

- Acho que essa conversa está encerrada. - Deu meia volta e saiu pela porta que levava à área de serviço.

₪ ₪ ₪


<<Anterior                                                            Próximo>>




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente o que achou dos textos, participe! Sua opinião é super importante para que melhoremos nosso conteúdo! Seja um leitor ativo!