Seu coração batia descompassadamente
Era uma manhã cinza, tão cinza quanto seus olhos doces e meigos
De pés descalços caminhava
Um café da manhã pouco comum
Lágrimas salgadas no lugar do chá açucarado
Silêncio angustiante no lugar do bom dia
Ela já não estava mais lá
O banheiro fora tomado pela fumaça que saia da água quente
do chuveiro
Quase podia imaginar a água lhe escorrendo pelo corpo
Suas mãos fazendo movimentos clássicos e delicados
Mal podia respirar só de imaginar seu rosto angelical
Mas ela já não estava mais lá
As mãos macias lavavam-lhe a face debaixo da água quase
fervente de seu banho
As pernas acariciavam-se e os pés, tão pequeninos, sumiam em
meio a tanta espuma
A toalha branca e felpuda lhe cobria somente as partes que
eu nem precisava ver
Seu coração e o sentimento que nele continha era tudo de que
eu precisava.
Aquela havia sido a pior de todas as despedidas...
Eu poderia imaginar quantas vezes quisesse
O rastro de água deixado por seu caminhar até o quarto
As roupas espalhadas pelo chão de pedra
A toalha molhada sobre a pia de mármore...
E mesmo que eu a visse em todos os cantos da casa
Mas e se eu lhe disse-se o que sentia?
Mas e se eu lhe mostrasse?
Mas e se me corresponde-se?
Mas e se me olhasse?
Algumas perguntas não poderiam ser respondidas
E talvez nem precisassem...
Porque ela não estava mais lá...
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