sexta-feira, 8 de maio de 2015

Um conto de Peter O'Brian - Ódio Rancor & Vendetta

A fúria o consumia por dentro, ódio e rancor de misturavam-se às lagrimas que escorriam pelo seu rosto frio e pálido, quase sem expressão alguma enquanto assistia o coveiro jogar as ultimas pás de terra no caixão que seria morada definitiva para sua amada Claudia. Tudo estava denso e sem sentido naquele frio entardecer, Peter retirou do bolso uma corrente com um relicário contendo as fotos dele e dela que comprara para sua amada num dia qualquer da semana anterior e o segura com os punhos cerrados, ele nunca havia sentido tal dor em toda a sua vida e naquele rompante de ódio e fúria prometeu ao espirito de sua amada que vingaria com a morte e apenas a amarga e vil morte seria o juiz e jure e Peter o seu algoz.
  Ele entrou no quarto onde costumava escrever todas as suas angustias e preparou se para mais um dia de total solitude.
Sentou-se na escrivaninha com um punhado de folhas e sua maquina de escrever velha que já estavam com algumas letras gastas de tanto uso. A saleta é bem simples com apenas uma mesa e uma cadeira, uma poltrona velha com uma mesinha de canto a esquerda de quem entra pela porta de madeira antiga, sem quadros ou tapetes, sem retratos nem flores. Nas paredes nada aliem de manchas que o tempo imprimiu no papel de parede floral cor de rosa chá.
As palavras fugiam de seus pensamentos...  Sua mente havia sido dominada pelo ódio que sentia de si mesmo, por não ter tido a coragem de falar tudo o que queria, por nunca ter assumido tudo o que sentia a culpa me o consumia e ele não era mais nada além de um pobre colunista francês que ninguém lê.
Respirou fundo e começou a escrever no papel, letra por letra, palavra por palavra toda a sua breve história de amor... Escreveu por dias a fio, quando finalmente terminou era hora de por um fim a todo aquele remorso e rancor.

“Eu desafio para um duelo de morte o Duque de Villette, que agora o acuso de ladrão déspota e assassino em nome da honra e pela espada bem como os cavaleiros de outrora... Encontre-me onde tudo teve inicio e selaremos esta contenda. Sem mais Peter O’Brian.”      
    
A sorte estava lançada, não haveria rendição para ambos... “- Eu o matarei ou morreremos os dois pelas pontas de nossas espadas”, pensou Peter ao penhorar sua velha e fiel maquina de escrever para comprar um antigo, mas ainda mortal florete. Na manha seguinte, após ter passado a noite toda sem pregar os olhos ele levantou-se e vestiu seu melhor traje, penteou o cabelo dirigiu se a porta de entrada da casa que Jean Charles o deixara de herança, àquela hora a ultima edição extraoficial do jornal, com toda a sua historia já estava sendo contada por toda a Paris e ninguém mais usaria mascaras...
A carruagem preta do Duque o esperava com o cocheiro prontamente posicionado para acomoda-lo dentro da cabine. Após algumas horas de viagem eles chegam a um casarão antigo e abandonado pelo tempo, marcas de fuligem e grande parte do que era a casa há anos atrás denunciavam que um incêndio devastador era o culpado de tamanha destruição.

Peter desce da carruagem que parte em seguida, e caminha em direção à entrada da casa. A paisagem era magnifica, prados e campinas verdejante formavam um lindo tapete que cobria tudo o que os olhos conseguiam ver. Ao contemplar tal beleza sua perplexidade foi interrompida pela visão de um único homem parado ao norte embaixo de uma frondosa arvore. Era ele seu inimigo e único motivo de seu ódio, ambos olharam-se nos olhos enquanto aproximavam se lentamente de seu um do outro para por um fim e marcar com sangue aquele chão que ambos sentiam clamar por vingança.          

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