A
fúria o consumia por dentro, ódio e rancor de misturavam-se às lagrimas que
escorriam pelo seu rosto frio e pálido, quase sem expressão alguma enquanto
assistia o coveiro jogar as ultimas pás de terra no caixão que seria morada
definitiva para sua amada Claudia. Tudo estava denso e sem sentido naquele frio
entardecer, Peter retirou do bolso uma corrente com um relicário contendo as
fotos dele e dela que comprara para sua amada num dia qualquer da semana
anterior e o segura com os punhos cerrados, ele nunca havia sentido tal dor em
toda a sua vida e naquele rompante de ódio e fúria prometeu ao espirito de sua amada
que vingaria com a morte e apenas a amarga e vil morte seria o juiz e jure e
Peter o seu algoz.
Ele entrou
no quarto onde costumava escrever todas as suas angustias e preparou se para
mais um dia de total solitude.
Sentou-se na
escrivaninha com um punhado de folhas e sua maquina de escrever velha que já
estavam com algumas letras gastas de tanto uso. A saleta é bem simples com
apenas uma mesa e uma cadeira, uma poltrona velha com uma mesinha de canto a
esquerda de quem entra pela porta de madeira antiga, sem quadros ou tapetes,
sem retratos nem flores. Nas paredes nada aliem de manchas que o tempo imprimiu
no papel de parede floral cor de rosa chá.
As
palavras fugiam de seus pensamentos... Sua mente havia sido dominada pelo
ódio que sentia de si mesmo, por não ter tido a coragem de falar tudo o que
queria, por nunca ter assumido tudo o que sentia a culpa me o consumia e ele
não era mais nada além de um pobre colunista francês que ninguém lê.
Respirou
fundo e começou a escrever no papel, letra por letra, palavra por palavra toda
a sua breve história de amor... Escreveu por dias a fio, quando finalmente
terminou era hora de por um fim a todo aquele remorso e rancor.
“Eu desafio para um duelo de morte o Duque de Villette, que agora o acuso de ladrão déspota e assassino em nome da honra e pela espada bem como os cavaleiros de outrora... Encontre-me onde tudo teve inicio e selaremos esta contenda. Sem mais Peter O’Brian.”
A sorte
estava lançada, não haveria rendição para ambos... “- Eu o matarei ou
morreremos os dois pelas pontas de nossas espadas”, pensou Peter ao penhorar
sua velha e fiel maquina de escrever para comprar um antigo, mas ainda mortal
florete. Na manha seguinte, após ter passado a noite toda sem pregar os olhos
ele levantou-se e vestiu seu melhor traje, penteou o cabelo dirigiu se a porta
de entrada da casa que Jean Charles o deixara de herança, àquela hora a ultima
edição extraoficial do jornal, com toda a sua historia já estava sendo contada
por toda a Paris e ninguém mais usaria mascaras...
A carruagem
preta do Duque o esperava com o cocheiro prontamente posicionado para acomoda-lo
dentro da cabine. Após algumas horas de viagem eles chegam a um casarão antigo
e abandonado pelo tempo, marcas de fuligem e grande parte do que era a casa há
anos atrás denunciavam que um incêndio devastador era o culpado de tamanha
destruição.
Peter
desce da carruagem que parte em seguida, e caminha em direção à entrada da
casa. A paisagem era magnifica, prados e campinas verdejante formavam um lindo
tapete que cobria tudo o que os olhos conseguiam ver. Ao contemplar tal beleza
sua perplexidade foi interrompida pela visão de um único homem parado ao norte
embaixo de uma frondosa arvore. Era ele seu inimigo e único motivo de seu ódio,
ambos olharam-se nos olhos enquanto aproximavam se lentamente de seu um do
outro para por um fim e marcar com sangue aquele chão que ambos sentiam clamar
por vingança.
*'0'*
ResponderExcluirMais !!..
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