Apenas o barulho dos floretes
cortando o ar e o “tilintar” das laminas era ouvido naquela tarde. Era um duelo
de honra entre homens e nenhum dos dois demonstravam intenção de desistência,
ambos estavam decididos que apenas a morte selaria aquela batalha.
O Sol já estava se despedindo no
horizonte enquanto o Peter e o Duque cruzavam espadas em frente às ruínas do
antigo Chateou Villette, a mansão onde Claudia nascera. Peter comparado ao
Duque era apenas um amador na arte da esgrima, um golpe à direita, outro a
esquerda, dois giros cruzando as laminas e Peter esta desarmado seu florete foi
arremessado longe demais para que conseguisse alcançar, mas mesmo assim ele o
fez e foi arremessado porta adentro ao levar um pontapé no final de suas costas
ao subir os poucos degraus e tentar abaixar-se para pegar novamente seu
florete. Peter chocou-se com tanta força na antiga porta de madeira que
arrombou a velha fechadura.
Um... Dois... Três chutes na boca do estomago e
costelas, as luzes dos vários candelabros acesos iluminavam o antigo salão de
entrada demonstrando que o Duque havia preparado muito bem o seu território.
Peter estava ao chão enquanto o duque o olhava firmemente como um animal a escolha
da melhor parte de sua caça para saciar sua fome. Nenhuma palavra foi dita,
nenhum insulto foi trocado, ele larga o seu florete e retira um punhal
aparentemente guardado em suas costas, sua sede pelo sangue de Peter e tamanha
que sem pensar ele avança em direção ao que acreditava ser mais uma presa fácil
quando é surpreendido por um chute de Peter que acerta entre as pernas e o joga
longe derrubando um dos candelabros acessos. O fogo se espalha rapidamente pela
madeira seca e antiga das paredes e chão enquanto Peter desconta toda a sua
raiva, revolta e ódio com inúmeros socos e mais socos no rosto do Duque que ao
tentar se defender conseguiu enterrar o punhal do lado direito das costas de Peter...
Ouviu-se apenas um “urrar” de dor, ambos estava jogados ao chão daquele velho casarão
em chamas pela segunda vez em sua história, as madeiras rugiram com o barulho
do fogo quando uma parte considerável do telhado despenca e as chamas atingem o
Duque que havia se levantado para dar o golpe final em sua vitima. Peter estava
à beira da morte o punhal estava enterrado em suas costas e o sangue escorria
naquele momento ele sabia que não restara muito tempo de vida para ele, mas
mesmo assim soltou um sorriso de singela satisfação ao ver as chamas tomarem
conta do corpo do duque que gritava em dor, desespero e pânico.
“A morte é silenciosa”, pensou
Peter O’Brian em seus últimos momentos de vida, quando uma visão angelical de
luz surgiu entre as chamas, ele abriu os olhos uma ultima vez quando sentiu as
mãos suaves e delicadas de Claudia tocarem as suas, ela o olhou no fundo dos
olhos com um sorriso grande e iluminado em seus lábios “–Vamos meu amor deixa a dor passar, agora
ficaremos juntos...”, Peter agora não sentia mais dor ou tristeza, ele levantou
se como se não houvessem chamas ou adaga alguma retirando lhe a vida gota a
gota. “-Nunca mais a deixarei, Claudia nem um segundo qualquer...”, disse Peter
ao abraçar sua amada que retribuiu o abraço terna e carinhosamente enquanto dizia,
“-Vamos meu amado, tem uma pessoa ansiosa para lhe ver...”. Eles caminharão em
direção ao brilho reluzente daquela luz onde nem lagrimas ou dor existiam mais.
∞
Algumas horas antes em Paris.
A campainha toca na casa de
Madame Lis, ela desce as escadas e um dos seus empregados lhe entrega uma carta
com apenas o seu nome escrito como endereço. Ela da ordens ao brutamontes para
que de um justo pagamento ao pobre menino que havia entregado a misteriosa
carta e estava parado esperando algumas moedas com as mãos abertas como costumavam
fazer à soleira da porta. Ela senta de em uma das mesas e abra a carta
cuidadosamente.
Querida amiga Madame Lis
Saiba que ao receber esta carta eu provavelmente estarei morto. Peço que não chore por mim, eu vim a Paris para conhecer o verdadeiro dos ideais de liberdade beleza e amor, digo que fui bem sucedido em minha missão. Conheci o grande amor de minha vida e fiz grandes e bons amigos. Deixo para você um documento listando todos os bens que recebi de meu grande amigo Jean Charles e também uma carta carimbada pelo tabelião escrita de próprio punho por mim afirmando que todos os tais bens são seus.
Um grande Abraço de seu amigo
Peter O’Brian.
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