Um tiro.... Paahhh!!!! Rompeu o silêncio daquela noite e o brilho nos seus olhos outrora alegres e iluminados pelo sagrado amor consumado foi esmorecendo enquanto encaravam os meus e eu agarrava seu corpo inerte e cada vez mais gélido, pressionando o ferimento à bala na inútil tentativa de impedir a sua morte.
∞
Entrei no salão principal da casa
de Madame Lis, tudo estava pronto para mais uma noite de festa a não ser pela
ausência total de todos os funcionários. Andei por entre as mesas atravessando
o salão onde encontrei Lis jogada ao chão, nua com marcas vermelhas e hematomas
por todo o corpo, ela me abraçou tremula aos prantos e com as poucas forças que
tinha sussurrou em meu ouvido.
–Vá embora, salve minha filha, é uma armadilha!
Eu mal dei ouvido as suas
palavras, retirei o meu casaco e a cobri retirando a do chão –Onde ele esta? ... Perguntei a ela que
agora estava sentada em uma das poltronas que apontou com o braço direito para
um pequeno palco a esquerda de quem adentrava a casa. Adentrei a sala e pude
ver meu inimigo com seu charuto sentado numa cadeira no centro do palco, a luz
do refletor iluminava seu rosto branco e seus olhos tão sérios quanto os meus,
eu podia ver em sua camisa branca aberta pela metade as marcas de sangue que
obviamente eram de Lis e Anette.
–Em fim chegamos ao ponto onde
nos encaramos... E nos enfrentamos para defendermos nossos ideais!
–Ideais? A única coisa que você busca
é dinheiro e poder...
–E isto não é um ideal?
–Você matou meu melhor amigo!...
Ao dizer tais palavras vi uma
lagrima solitária escorrer pelo rosto daquele monstro.
–Venha ate aqui e me enfrente
como um homem!
Ele desceu o palco num pulo e
veio em minha direção, eu não hesitei e deixei minha fúria e ódio tomarem conta
do meu corpo, corri na sua direção e nos atracamos em meio a socos na boca e
nariz e estomago, eu tentava desviar, mas ele era rápido demais e também muito
mais forte que eu. Quando senti um soco no meio da minha desta que me deixou
tonto... Fui jogado contra uma das pequenas mesas que se quebrou em vários
pedaços... Eu ainda estava tonto, mas consegui me agarrar a um pedaço grande de
madeira, minha raiva e meus olhos inchados devido às bordoadas que levei não me
permitiam ver com exatidão a que objeto eu estava me esgueirando... Assim que
consegui me levantar, o Duque estava de costas eu o chamei e acertei na cabeça
com tanta força que o fiz cair com força no chão. Não pensava em mais nada, eu
queria apenas socar ele ate a sua morte ou minha total exaustão então assim o
fiz.
Após tentar desfigurar sua face
com inúmeros socos que praticamente moeram seu nariz, eu não conseguira parar
de bater, as imagens de Jean e nosso ultimo abraço não abandonavam meus
pensamentos... Fui Agarrado por dois de seus capangas que me retiraram de cima
dele me imobilizando enquanto ele se levantava com e face ensanguentada, olhos
roxos e nariz quebrado.
–Esta na hora de eliminar os
ratos... Você tem muita coragem, eu admiro isto, vir aqui e enfrentar deste
jeito... Mas infelizmente...
Ele retirou de dentro do casaco
de um dos seus capangas uma arma e lentamente apontou a para mim.
–Eu tenho que te matar, você não
vai se importar né? É a lei da natureza, os mais fortes sempre sobrevivem!
No instante seguinte ao mesmo
tempo em que a arma era disparada contra meu peito, um grito histérico surgiu
seguido por Claudia agarrando se em meu pescoço e antes que algo pudesse ser
feito... O tiro a acertou nas costas...
Ela e Anette haviam vindo para
impedir uma tragédia e trouxeram a milícia que invadia o local, eu não podia
ver mais nada e nem sentira nada, apenas a dor de perder alguém que amava....
Seus olhos perdiam o brilho enquanto ela sussurrava as ultimas palavras, um
singelo “–Eu te amo”.
∞
A milícia invadia o local, onde
Peter e se agarrava ao corpo de Claudia, Anette e Lis abraçavam se com a dor da
perda. Os capangas tentavam fugiam, mas eram pegos feitos ratos em ratoeiras
menos o Duque que escapou por uma passagem do palco que levava a porta dos
fundos onde fugiu pelos becos escuros de Paris na tentativa de não ser visto ou
reconhecido, “-Agora era tarde” ele pensava enquanto tentava pensar em como
fugir... “-A milícia esta atrás de mim, logo toda a Paris vai saber, vai virar
noticia”...
Ele entrou em uma carruagem
parada em uma esquina e deu um endereço, escrito em um pedaço de papel amassado
que estava em seu bolso, fechou a porta e acomodou-se. Naquele silencio escuro,
interrompido apenas pelo barulho do bater das patas do cavado nas pedras da
rua, ele retira um relicário preso em uma corrente no seu pescoço, dentro havia
uma pequena foto de Jean, ao olhar para tal foto as lagrimas brotaram dos olhos
daquele homem ruivo de meia idade... Ele agora que estava sozinho chorava feito
uma criança...
Uma coisa era certa naquele
momento, a tragédia que acontecera transformara o Duque E Peter em inimigos mortais
e esta divida de morte só poderia ser paga com sangue.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente o que achou dos textos, participe! Sua opinião é super importante para que melhoremos nosso conteúdo! Seja um leitor ativo!