sexta-feira, 1 de maio de 2015

Um conto de Peter O'Brian - A Morte

Um tiro.... Paahhh!!!! Rompeu o silêncio daquela noite e o brilho nos seus olhos outrora alegres e iluminados pelo sagrado amor consumado foi esmorecendo enquanto encaravam os meus e eu agarrava seu corpo inerte e cada vez mais gélido, pressionando o ferimento à bala na inútil tentativa de impedir a sua morte.


Entrei no salão principal da casa de Madame Lis, tudo estava pronto para mais uma noite de festa a não ser pela ausência total de todos os funcionários. Andei por entre as mesas atravessando o salão onde encontrei Lis jogada ao chão, nua com marcas vermelhas e hematomas por todo o corpo, ela me abraçou tremula aos prantos e com as poucas forças que tinha sussurrou em meu ouvido.
Vá embora, salve minha filha, é uma armadilha!
Eu mal dei ouvido as suas palavras, retirei o meu casaco e a cobri retirando a do chão –Onde ele esta? ... Perguntei a ela que agora estava sentada em uma das poltronas que apontou com o braço direito para um pequeno palco a esquerda de quem adentrava a casa. Adentrei a sala e pude ver meu inimigo com seu charuto sentado numa cadeira no centro do palco, a luz do refletor iluminava seu rosto branco e seus olhos tão sérios quanto os meus, eu podia ver em sua camisa branca aberta pela metade as marcas de sangue que obviamente eram de Lis e Anette.
–Em fim chegamos ao ponto onde nos encaramos... E nos enfrentamos para defendermos nossos ideais!
–Ideais? A única coisa que você busca é dinheiro e poder...
–E isto não é um ideal?
–Você matou meu melhor amigo!...
Ao dizer tais palavras vi uma lagrima solitária escorrer pelo rosto daquele monstro.
–Venha ate aqui e me enfrente como um homem!
Ele desceu o palco num pulo e veio em minha direção, eu não hesitei e deixei minha fúria e ódio tomarem conta do meu corpo, corri na sua direção e nos atracamos em meio a socos na boca e nariz e estomago, eu tentava desviar, mas ele era rápido demais e também muito mais forte que eu. Quando senti um soco no meio da minha desta que me deixou tonto... Fui jogado contra uma das pequenas mesas que se quebrou em vários pedaços... Eu ainda estava tonto, mas consegui me agarrar a um pedaço grande de madeira, minha raiva e meus olhos inchados devido às bordoadas que levei não me permitiam ver com exatidão a que objeto eu estava me esgueirando... Assim que consegui me levantar, o Duque estava de costas eu o chamei e acertei na cabeça com tanta força que o fiz cair com força no chão. Não pensava em mais nada, eu queria apenas socar ele ate a sua morte ou minha total exaustão então assim o fiz.
Após tentar desfigurar sua face com inúmeros socos que praticamente moeram seu nariz, eu não conseguira parar de bater, as imagens de Jean e nosso ultimo abraço não abandonavam meus pensamentos... Fui Agarrado por dois de seus capangas que me retiraram de cima dele me imobilizando enquanto ele se levantava com e face ensanguentada, olhos roxos e nariz quebrado.
–Esta na hora de eliminar os ratos... Você tem muita coragem, eu admiro isto, vir aqui e enfrentar deste jeito... Mas infelizmente...
Ele retirou de dentro do casaco de um dos seus capangas uma arma e lentamente apontou a para mim.
–Eu tenho que te matar, você não vai se importar né? É a lei da natureza, os mais fortes sempre sobrevivem!
No instante seguinte ao mesmo tempo em que a arma era disparada contra meu peito, um grito histérico surgiu seguido por Claudia agarrando se em meu pescoço e antes que algo pudesse ser feito... O tiro a acertou nas costas...
Ela e Anette haviam vindo para impedir uma tragédia e trouxeram a milícia que invadia o local, eu não podia ver mais nada e nem sentira nada, apenas a dor de perder alguém que amava.... Seus olhos perdiam o brilho enquanto ela sussurrava as ultimas palavras, um singelo “–Eu te amo”.


A milícia invadia o local, onde Peter e se agarrava ao corpo de Claudia, Anette e Lis abraçavam se com a dor da perda. Os capangas tentavam fugiam, mas eram pegos feitos ratos em ratoeiras menos o Duque que escapou por uma passagem do palco que levava a porta dos fundos onde fugiu pelos becos escuros de Paris na tentativa de não ser visto ou reconhecido, “-Agora era tarde” ele pensava enquanto tentava pensar em como fugir... “-A milícia esta atrás de mim, logo toda a Paris vai saber, vai virar noticia”...  
Ele entrou em uma carruagem parada em uma esquina e deu um endereço, escrito em um pedaço de papel amassado que estava em seu bolso, fechou a porta e acomodou-se. Naquele silencio escuro, interrompido apenas pelo barulho do bater das patas do cavado nas pedras da rua, ele retira um relicário preso em uma corrente no seu pescoço, dentro havia uma pequena foto de Jean, ao olhar para tal foto as lagrimas brotaram dos olhos daquele homem ruivo de meia idade... Ele agora que estava sozinho chorava feito uma criança...
Uma coisa era certa naquele momento, a tragédia que acontecera transformara o Duque E Peter em inimigos mortais e esta divida de morte só poderia ser paga com sangue.   


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