sábado, 2 de maio de 2015

As memórias de um covarde. Parte 1



As trevas que me envolvem agora, um dia já foram luz que me aqueceu.
Sinto como se toda a energia positiva que possuo fosse sugada para ser entregue a outra pessoa. Todos os meus esforços de me levantar provaram-se inúteis.
Dois dias atrás, estava feliz. Chuvas, doenças e problemas afetavam apenas o físico e o mental, mas o espírito era inabalável, nada conseguia mudar meu bom humor. Era um homem simples, feliz e determinado, mas todos sabemos como a vida pode virar a mesa, fazer nossos problemas e doenças parecerem pequenos diante da dor que pode ser infligida ao nosso coração...
Era uma tarde qualquer como todas as outras, embora estivesse com dor de cabeça as coisas iam bem. Consegui terminar todas as minhas tarefas dentro do prazo, estava cansado, mas estava bem. Foi então que recebi uma ligação urgente que pedia para me dirigir o mais rápido possível para o centro da cidade. Curioso e desconfiado, fui até o centro descobrir qual era a grande urgência.
Havia três corpos inertes no chão, o cheiro era muito forte, dentre os corpos,pude reconhecer um que fez meu mundo imediatamente parar... Senti o estômago revirar, meu corpo estava mole como geleia, senti toda a energia e a felicidade me abandonarem. 
Com dificuldade perguntei o que havia acontecido. Disseram-me somente que alguém desovou os corpos pelas quatro da madrugada e foi embora. Ninguém reconheceu o homem que o fizera, mas não havia duvidas sobre quem era... Mas já não importava mais, ela estava morta, a única que eu realmente amei.

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