sexta-feira, 29 de maio de 2015

O diário dos Morrigan


"Obrigado a minha aluna  Nathalia A. Paganin e
ao meu caro amigo Ceguinho
que colaboraram com um percentual criativo de extrema importância..."  


                                                                 Capitulo 1 

Pesadelos...


Nunca achei que terminaria minha vida deste jeito... Pensou Alice enquanto sentia o gosto de sangue em sua garganta, o mesmo sangue que era sua única e mais importante herança agora estava afogando-a. Dizem que durante a morte, nos últimos momentos de da vida uma pessoa revive sua próprias historia, como num filme e era exatamente neste fatídico momento em que ela se encontrava seus olhos azuis antes vivos e brilhantes agora estavam opacos e esbugalhados o sangue escorria de sua boca e do ferimento fatal causado pela lamina negra do athame que fora enterrado em sua barriga. O sangue se misturava com seus cabelos ruivos e ondulados, sua pele branca e levemente corada agora dava lugar a um tom pálido e gélido.
- Era o fim de tudo, o fim da linha – pensou Alice enquanto sentia as ultimas batidas de seu coração o ar agora era impossível de se obter sua visão estava turva e a escuridão tomava conta de tudo invadindo seu ser com a dor agonizante que sentia aos poucos a dor foi afastando-se e a consciência de Alice também – Será isso então? A escuridão, não existe céu ou inferno... Nada... Nada!
Finalmente seu coração parrou, Alice estava morta. Apenas restara o corpo inerte e fúnebre som uma poça de sangue ao chão daquele salão de festa antigo e empoeirado.

O despertador tocou Minutos depois de Alice Morrigan Acordar quase sem ar com o pesadelo que a assombrava já faziam três noites desde a morte de seus pais. Nada tem sido fácil para ela e seu irmão gêmeo Nícolas, agora estavam sozinhos no mundo dois jovens de dezoito anos sem ter ninguém para contar a não ser um ao outro. Ela levantou da cama de casal do quarto de seus pais onde adormecera na noite passada com a mão no abdômen ainda sentindo a habitual agonia da “facada” que levara durante o pesadelo, foi ao banheiro deu jeito no cabelo vestiu um jeans surrado e uma camiseta velha do The Smiths calçou sue coturno de soldado também velho e surrado e desceu as escadas do sobrado onde morou toda a sua vida na Vila Madalena em São Paulo ao encontro de Nícolas que provavelmente estava na cozinha preparando coando o café, já que não havia mais ninguém naquela casa cheia de memorias e o cheiro estava ficando tentador.
- Que cara é essa garota? –Perguntou Nícolas ao ver sua irmã com olheiras que mais pareciam hematomas nos dois olhos.
-Pesadelos... Pra variar um pouco!- respondeu Alice com um tom irônico e amargo em sua voz indicando seu mau humor, diferente de seu irmão atlético e popular Alice era magra e tímida, não gostava de multidões e preferia tirar fotos das lapides dos velhos cemitérios da cidade a rolar num tatame com gente suada como seu irmão gêmeo. Ambos eram ruivos de cabelos ondulados e olhos azuis, porem o rosto delicado e fisionomia suave de Alice a fazia muito diferente de seu irmão mais alto e de corpo definido devido a sua dedicação as artes marciais. Ela pega uma caneca cheia de café preto e sai ate a garagem para verificar se tudo estava certo com a bagagem que arrumara dentro do carro na noite passada.
-Tudo certo para a viagem, vamos?
Ela fez um sim com a cabeça, pegou a garrafa térmica da mão de seu irmão e entrou no banco do passageiro da frente da caminhoneta de seus pais onde saíram em direção à casa de Tio Avô em Ouro Preto no estado de Minas Gerais. Alice não o conhecia direito, para falar a verdade ela nunca ouvira sua avó mencionar nada a respeito do irmão gêmeo, ela sempre preferiu passar as férias de verão com avó e seu irmão nunca a acompanhou.  A morte é algo muito cômico, quando era pequena foi ao velório da sua avó Clarissa e não entedia o porquê dos seus tios, primos e seus pais chorarem tanto se ela estava apenas dormindo... Mesmo depois de entenderem que ela não estava dormindo nunca sentira sua falta, na verdade podia sentir sua presença quase que frequentemente.
Vovó Clarissa sempre foi muito estranha, às vezes Alice a encontrava sentada conversando com uma cadeira vazia durante o chá da tarde e sempre que saia para brincar no jardim era proibida de entrar na pequena floresta principalmente após as seis da tarde, nem ficar em frente aos espelhos em dia de trovão ou dizer o nome de pessoas que já morreram após a meia noite. Mas apesar de todas as superstições sempre achou sua avó muito divertida.
A família Morrigan é muito estranha, os pais dos pais de Clarissa tiveram seis filhos e uma filha, ela por sua vez teve gêmeos Clarissa e Carlos, já Alice e Nícolas tem seis tios irmãos irmão de mãe. -Deve ser um ciclo vicioso, estar fadada a ter sete filhos e meu irmão a ficar solteiro para sempre! –Pensou Alice após horas de viagem para onde seria sua nova casa, já que o ultimo desejo de sua mãe foi que conhecessem seu Tio Avô Carlos.
Após horas torturantes de viagem Alice e Nícolas pararam para descansar, num hotel de beira de estrada já que Nícolas era o único que tinha licença de motorista, fora emancipado pelo seu pai aos dezessete. Durante aquela noite no pequeno quarto com camas duplas do hotel, mais precisamente as Três da madrugada Alice acorda com o vibrar do celular colocado estrategicamente em baixo do travesseiro já que serviria como despertador, Ela meio bêbada de sono pega o celular e atende prontamente...
-Alo!
Uma voz conhecida dispara a falar com desespero em meio aos chiados de má interferência.  
- Filha... Não Vá Filha... Os Demônios estão te esperando... Não deixe que toquem em seu irmão!       

         

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