"Escrever é uma arte que garante um pleno espetáculo, e só pode ser apreciado por aqueles que conseguem enxergar mais do que as linhas podem escrever."
domingo, 31 de maio de 2015
Eu estava afundando...
Afundando em um sentimento negro que tornava meu coração gelado de pavor, bombeando aquele sentimento frio para todo o corpo, tornando as pernas fracas, e causando pânico. Eu não podia me agarrar a nenhuma religião, pois minha mente questionadora expulsava a ideia. O que estava me causando aquele medo era a falta de saber o que vinha a seguir. Porque todos tinham uma teoria a respeito, e eu não tinha nada. Os crentes acreditavam em um céu, uma ideia reconfortante de fim se voce não fosse pecador, caso contrario teria o inferno. Ainda haviam o purgatório dos católicos, e a reencarnação das religiões pagãs... mas eram tantas teorias, e nada concreto realmente. Pessoas que relatavam ter sentido um dèjavú por passar em um lugar familiar, ou ainda experiências em sonhos. Almas gêmeas. Tudo poderia ser real, se voce acreditasse o suficiente. Eu não acreditava o suficiente. O céu era a idéia mais ridícula na minha opinião, aliás, como poderia existir um lugar perfeito? E onde ficava esse céu? Em outra dimensão? E pra onde ela teria ido? Isso era o que me atormentava mais. Ela havia morrido, e aquilo doía dentro de mim, e podia lembrar da sensação de pânico que se abateu sobre mim, do tremendo desespero que me fez chorar e gritar, quando começaram a fechar seu tumulo. Ah... eu havia dito que não queria que ela ficasse na escuridão e agora ela estaria na escuridão eterna. Tenho medo do escuro. Havia tudo aquilo se findado ali? Afinal, qual era a razão da nossa existência? Crescer, fazer amigos, amar, ser bom ou ser mal, tentar mudar o mundo com ideias que supomos serem brilhantes e inovadoras, e depois simplesmente morrer? É assim? Fechamos os olhos simplesmente e então deixamos de existir. Não há mais nada. Isso é o que eu mais temo. E é então que entendo porque existem as teorias e suposições do que vem a seguir. Elas servem para nos manter sãos. Para que não fiquemos completamente loucos, paranóicos. Como eu disse, um pensamento consolador e confortante. A tensão de todas essas perguntas batendo em minha mente, enquanto o medo invadia-me por inteiro, imagino que seja a causa de um sonho estranho. No sonho eu me sentia sendo sugada para fora de meu corpo, uma sensação estranha, e depois disso eu vi ela. E ela me disse que aquela era a sensação de morrer. Lembro-me de questionar a ela o que vinha a seguir? O que tem depois da luz no fim do túnel? Mas não me lembro da resposta. Depois que acordei, não conseguia me lembrar de nada alem da sensação da alma saindo. Se aquilo era realmente ela falando comigo, ou um sonho criado pelo meu subconsciente para que eu não enlouquecesse eu não sabia dizer. Por um momento desejei ser ignorante. Pessoas ignorantes e simples não questionavam tanto, não sofriam com esses tipos de pensamentos, apenas se contentavam com seus céus e purgatórios. Eu queria ser ignorante porque aquele medo que eu sentia era tão forte, que eu tinha a sensação de que meu coração iria parar. Pensei que fosse ter um ataque cardíaco. Sim. Um medo crescente, invadindo meu corpo como um vírus mortal. Eu não queria mais sentir aquilo, aquela sensação, mas parecia impossivel. Cheguei a pensar que não fosse conseguir voltar a viver de forma normal, quando minha mente se distraia, começava a se encher de sombras e perguntas! Ah, malditas perguntas, que perfuravam minha mente, consumindo minha alma, se ela realmente existisse. Afinal, o que vem depois da morte?
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