Podia sentir o sangue na minha
garganta, seus olhos outrora iluminados de desejo e amor agora ardiam em chamas
com o ódio que sentia por mim, a dor tomava conta de todo o meu corpo e eu me
contorcia ao sentir minhas entranhas petrificarem com um frio cortante eu estava
espumando uma mistura de sangue saliva e veneno no tapete vermelho do quarto
onde passamos alguns dos melhores momentos juntos. Olhei fundo nos olhos dele e
alguns dos momentos de minha vida se
revelaram para mim, eu passei a minha vida planejando a morte do homem que assassinara
os meus pais e me tornei tão tolo a ponto de não notar que o único amor que
senti na minha vida vinha unicamente dele.... Mas agora não tem mais saída, fui
derrotado pelas forças do destino, me tornei vitima da minha própria armadilha.
∞
A mente de Jean Charles fervia a
cada minuto que se passava dentro da carruagem em direção a Paris, seu plano já
estava pronto a muito tempo e já havia chegado a hora de executa-lo. Para o
Duque não se tratara apenas de uma vigem de negócios, mas sim de uma oportunidade
de estar junto da pessoa a quem ele havia encontrado companhia e até certo apego,
estava combinado que as 15:00 horas daquela tarde Jean e o duque se encontrariam
no velho quarto e partiriam juntos para Suíça, o fato de sua sobrinha ter
fugido nem passara pela sua cabeça já que para ele, ela estava em segurança aos
cuidados de madame Lis a caminho de sua casa de inverno.
Jean perdido em seus pensamentos
apertava contra as mãos um pequeno frasco contendo um liquido de cor amarelada,
o veneno que ele usaria cumprir o havia se tornado seu único objetivo de vida,
ele não se importava com o quanto havia se tornado obcecado e sentia firmemente
que só seria livre se colocasse um fim na vida do homem que roubara a sua ainda
muito jovem.
Após algumas horas de viagem, ele
parou em sua casa e juntou duas malas contento todas as roupas que possuía e
partiu em direção ao seu destino trazendo em seu bolso o fatídico frasco e uma
garrafa de vinho bordô Demi seco, “O preferido do Duque” ele pensou ao comprar
a garrafa “Ele não vai recusar a uma taça ou duas!”.
As roupas espalhadas pelo tape
vermelho que cobria a maior parte do chão do pequeno quarto que continham apenas um guarda roupas
simples, uma cama grande e confortável e uma pequena mesa redonda onde estavam
a garrafa de vinho tinto e o casaco de Jean.
Eles se amaram loucamente como
nunca haviam feito antes, após algumas horas o sol já estava escondendo-se no
horizonte quando ambos se entregaram a exaustão quase que completa e Jean
conhecendo o duque tão bem como a si mesmo disse.
- Deixei um presente para você no
aparador próximo as escadas.
- Espero que sejam importados!
Disse o duque sorrindo e roubando
um beijo de Jean antes de descer ainda nu, as escadas para pegar o que ele já adivinhara
ser um charuto importado de uma marca famosa. Às pressas Jean serve duas taças
de vinho e em uma delas separa para despejar o conteúdo da pequena garrafa de
veneno com a intenção de que ele bebesse e por fim morresse de uma vez por
todas.
Quando ele é atingido por um soco
tão forte em sua nuca que o fez cair e derrubar no chão o pequeno frasco ainda fechado.
- Eu sabia que nunca deveria ter
confiado em você!
O Duque prendeu Jean pelo pescoço
com uma das mãos enquanto a outra despejava socos e mais socos em seu rosto com
uma fúria tremenda ate que por fim ele parou levantou-se pegou o frasco e bebeu
da taça de vinho que estava cheia sob a mesa enquanto Jean tentava levantar-se
lentamente com hematomas pelo rosto e seu nariz quebrado.
- Você realmente acha que eu não sei
quem é você? Já faz algum tempo que comecei a desconfiar de você e do seu
amigo.... Você realmente achou que poderia
agir as minhas costas na minha cidade?
Os olhos do Duque estavam cheios
de ódio e magoa em seu pensamento ele havia sido traído e apesar de já há algum
tempo ter conhecimento do passado de Jean ele realmente havia se apaixonado
pelo rapaz.
- Eu fui um tolo em me deixar levar por
sentimentos tão fracos e inúteis, realmente é um desperdício tremendo ter que
realizar o que estou prestes a fazer... Você foi o melhor sexo que eu já tive
em toda a minha vida... Sabe! Eu cheguei ate a pensar que te amei...
Ele agarrou a boca de Jean deu um
ultimo beijo de despedida e forçou o frasco aberto dentro de sua boca. Jean lutava
tentando resistir a tudo aquilo, mas foi um esforço em vão todos aqueles socos
na cabeça o deixaram sem força para resistir. O pequeno frasco esvaziou-se e em
poucos segundos o liquido maldito que seria o trunfo de vingança de Jean estava
agora fazendo efeito em seu próprio corpo.
Seus olhos esbugalhados miravam fixamente
os do Duque que expressavam um misto de ódio e rancor. Eles ficaram agarrados
ao chão do quarto olhando um no olho do outro ate que o veneno fizesse todo o
efeito, cumprisse o seu fatídico proposito.
Agora Jean Charles não passara de
um mero cadáver, jogado ao chão com os olhos arregalados em meio a uma poça de
sangue que havia saído aos montes pela sua boca nos minutos agonizantes anteriores.
O Duque levantou-se do chão,
vestiu-se ascendeu o charuto importado sentou-se a cama e chorou,
derradeiramente por ter matado a sangue frio a única pessoa que ele amara na
vida.
Mas apesar das lagrimas, seu ódio
era maior e agora ele precisava ir à busca de sua Sobrinha. Ele quebrou a
garrafa de vinho tinto e com os cacos, retirou os dois olhos de seu amado enrolando
os no lenço retirado do bolso interno do casaco que estava sobre a mesa. Desceu
as escadas e escreveu um bilhete com a pena que estava numa escrivaninha no
andar de baixo.
E olhando as escadas quebrou a lamparina na
parede da escada. O fogo se espalhava pela casa enquanto ele deixava a rua dentro
de sua carruagem!
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