sexta-feira, 10 de abril de 2015

Um conto de Peter O'Brian - Veneno

Podia sentir o sangue na minha garganta, seus olhos outrora iluminados de desejo e amor agora ardiam em chamas com o ódio que sentia por mim, a dor tomava conta de todo o meu corpo e eu me contorcia ao sentir minhas entranhas petrificarem com um frio cortante eu estava espumando uma mistura de sangue saliva e veneno no tapete vermelho do quarto onde passamos alguns dos melhores momentos juntos. Olhei fundo nos olhos dele e alguns dos momentos  de minha vida se revelaram para mim, eu passei a minha vida planejando a morte do homem que assassinara os meus pais e me tornei tão tolo a ponto de não notar que o único amor que senti na minha vida vinha unicamente dele.... Mas agora não tem mais saída, fui derrotado pelas forças do destino, me tornei vitima da minha própria armadilha.
A mente de Jean Charles fervia a cada minuto que se passava dentro da carruagem em direção a Paris, seu plano já estava pronto a muito tempo e já havia chegado a hora de executa-lo. Para o Duque não se tratara apenas de uma vigem de negócios, mas sim de uma oportunidade de estar junto da pessoa a quem ele havia encontrado companhia e até certo apego, estava combinado que as 15:00 horas daquela tarde Jean e o duque se encontrariam no velho quarto e partiriam juntos para Suíça, o fato de sua sobrinha ter fugido nem passara pela sua cabeça já que para ele, ela estava em segurança aos cuidados de madame Lis a caminho de sua casa de inverno.
Jean perdido em seus pensamentos apertava contra as mãos um pequeno frasco contendo um liquido de cor amarelada, o veneno que ele usaria cumprir o havia se tornado seu único objetivo de vida, ele não se importava com o quanto havia se tornado obcecado e sentia firmemente que só seria livre se colocasse um fim na vida do homem que roubara a sua ainda muito jovem.
Após algumas horas de viagem, ele parou em sua casa e juntou duas malas contento todas as roupas que possuía e partiu em direção ao seu destino trazendo em seu bolso o fatídico frasco e uma garrafa de vinho bordô Demi seco, “O preferido do Duque” ele pensou ao comprar a garrafa “Ele não vai recusar a uma taça ou duas!”.
As roupas espalhadas pelo tape vermelho que cobria a maior parte do chão do pequeno  quarto que continham apenas um guarda roupas simples, uma cama grande e confortável e uma pequena mesa redonda onde estavam a garrafa de vinho tinto e o casaco de Jean.
Eles se amaram loucamente como nunca haviam feito antes, após algumas horas o sol já estava escondendo-se no horizonte quando ambos se entregaram a exaustão quase que completa e Jean conhecendo o duque tão bem como a si mesmo disse.
- Deixei um presente para você no aparador próximo as escadas.
- Espero que sejam importados!
Disse o duque sorrindo e roubando um beijo de Jean antes de descer ainda nu, as escadas para pegar o que ele já adivinhara ser um charuto importado de uma marca famosa. Às pressas Jean serve duas taças de vinho e em uma delas separa para despejar o conteúdo da pequena garrafa de veneno com a intenção de que ele bebesse e por fim morresse de uma vez por todas.
Quando ele é atingido por um soco tão forte em sua nuca que o fez cair e derrubar no chão o pequeno frasco ainda fechado.
- Eu sabia que nunca deveria ter confiado em você!
O Duque prendeu Jean pelo pescoço com uma das mãos enquanto a outra despejava socos e mais socos em seu rosto com uma fúria tremenda ate que por fim ele parou levantou-se pegou o frasco e bebeu da taça de vinho que estava cheia sob a mesa enquanto Jean tentava levantar-se lentamente com hematomas pelo rosto e seu nariz quebrado.
- Você realmente acha que eu não sei quem é você? Já faz algum tempo que comecei a desconfiar de você e do seu amigo.... Você  realmente achou que poderia agir as minhas costas na minha cidade?
Os olhos do Duque estavam cheios de ódio e magoa em seu pensamento ele havia sido traído e apesar de já há algum tempo ter conhecimento do passado de Jean ele realmente havia se apaixonado pelo rapaz.
 - Eu fui um tolo em me deixar levar por sentimentos tão fracos e inúteis, realmente é um desperdício tremendo ter que realizar o que estou prestes a fazer... Você foi o melhor sexo que eu já tive em toda a minha vida... Sabe! Eu cheguei ate a pensar que te amei...
Ele agarrou a boca de Jean deu um ultimo beijo de despedida e forçou o frasco aberto dentro de sua boca. Jean lutava tentando resistir a tudo aquilo, mas foi um esforço em vão todos aqueles socos na cabeça o deixaram sem força para resistir. O pequeno frasco esvaziou-se e em poucos segundos o liquido maldito que seria o trunfo de vingança de Jean estava agora fazendo efeito em seu próprio corpo.
Seus olhos esbugalhados miravam fixamente os do Duque que expressavam um misto de ódio e rancor. Eles ficaram agarrados ao chão do quarto olhando um no olho do outro ate que o veneno fizesse todo o efeito, cumprisse o seu fatídico proposito.
Agora Jean Charles não passara de um mero cadáver, jogado ao chão com os olhos arregalados em meio a uma poça de sangue que havia saído aos montes pela sua boca nos minutos agonizantes anteriores.
O Duque levantou-se do chão, vestiu-se ascendeu o charuto importado sentou-se a cama e chorou, derradeiramente por ter matado a sangue frio a única pessoa que ele amara na vida.
Mas apesar das lagrimas, seu ódio era maior e agora ele precisava ir à busca de sua Sobrinha. Ele quebrou a garrafa de vinho tinto e com os cacos, retirou os dois olhos de seu amado enrolando os no lenço retirado do bolso interno do casaco que estava sobre a mesa. Desceu as escadas e escreveu um bilhete com a pena que estava numa escrivaninha no andar de baixo.
E olhando as escadas quebrou a lamparina na parede da escada. O fogo se espalhava pela casa enquanto ele deixava a rua dentro de sua carruagem!

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