sexta-feira, 13 de março de 2015

Um conto de Peter O'Brian - Entre Segredos e Mentiras. parte 2

Ele veste seu casaco marrom, ajeita seu chapéu sob seus cabelos louros à altura do ombro, vestiu em suas mãos um par de luvas de veludo vinho e pegou sua bengala de madeira escura conferiu o relógio de bolso eram exatamente 16:00 hs. Três batidas fortes da grande aldrava em forma de cabeça de leão podiam ser ouvidas do topo da escada onde Jean Charles terminara de se aprontar para seu encontro, “Deve ser a carruagem, estritamente pontual!” pensou ele ao descer as escadas. Ela abre a porta em direção, a pesar da hora, à movimentada Rua Saint-Jacques onde mora na parte de cima de uma perfumaria, um senhor de aparente mente meia idade, baixinho de pescoço atarraxado estava a sua espera com a porta da carruagem preta aberta. Ele tinha apesar do tamanho e da proeminente barriga uma postura ereta e feições sérias usando roupas pretas e uma cartola.
Jean subiu á carruagem e sentou-se em frente a um homem de meia idade, porte atlético e cabelos ruivos misturados a um charmoso grisalho, olhos azuis, ele usava roupas elegantes e segurava em suas mãos uma bengala preta e um pegador prateado adornado por uma grande pedra vermelha.
- A nobreza, sempre sendo pontual!
- Confesso que aprecio a pontualidade num homem! – Disse o homem soltando um misterioso sorriso e logo em seguida dizendo
- Tenho acompanhado seu trabalho no jornal, você é muito perspicaz com as palavras meu jovem.
- Não, não meu caro Duque, eu apenas escrevo oque as pessoas gostam de ler.
- E por isto seu jornal tem a menor venda de todos! Deixe-me explicar o motivo de nosso encontro, como sabe sou um homem visionário e afrente do meu tempo, e muito rico, tenho interesse em comprar seu jornal, seriamos sócios! Oque você acha?
A tal oferta surpreendeu Jean, realmente o duque era um homem muito rico e dono de inúmeros negócios e fazendas espalhadas por paris e pela França. Seu jornal não tinha muitas tiragens desde que herdara de seu antigo dono que morrera misteriosamente durante a noite, então a ajuda que estava prestes a receber não poderia ter vindo em melhor hora.
- Fico curioso em saber qual seria o motivo de tamanho interesse num “jornaleco” quase falido como dizem as más línguas!
- Sou um homem muito poderoso e gosto de me manter bem informado, além de apreciar sua companhia.
Jean soltou um sorriso denunciando o seu entendimento às reais intenções nada convencionais ou profissionais do Duque e disse
- Acho que faremos bons negócios.
- Sim, mas primeiro, vamos ao jantar!
A carruagem então começou a movimentar se em direção ao restaurante que fora inteiramente reservado para eles e Jean sabia que aquela era uma oportunidade de ouro para ele, onde faria tudo o possível para não deixa-la escapar.

Fiquei petrificado com o que vi Jean e o Duque em meio a lençóis entre beijos ardentes e gemidos intensos trocando carinhos amorosos e palavreado baixo num misto de dor e prazer profundo que deixariam mesmo aos mais fogosos, ruborizados. Eles praticamente arrancavam ferozmente um à roupa do outro entre beijos e mordidas. Nunca havia presenciado tal coisa, continuei lá espiando com medo de que notassem minha presença, mas também boquiaberto com tamanho desejo e paixão com que ambos se olhavam, estava tremulo suando frio e com a boca seca de tamanho incomodo, um incomodo que eu nunca havia experimentado uma parte de mim queria muito sair dali o mais rápido possível e outra estava curiosa para saber mais sobre os planos de Jean e o porquê ele mencionou na carta ter um controle quase que absoluto sobre o Duque, enquanto me decidia se ira embora ou não, continuei espiando pelas frestas da porta, os dois se entregarem ao desejo e a luxuria foi quando notei Jean agora nu com os cabelos soltos olhando diretamente em meus olhos com um sorriso tendencioso nos lábios e fazendo sinal de “silêncio” enquanto cavalgava abraçado ao seu amante.
Assustei-me e sai de lá o mais rápido que pude, corri para a carruagem que estava a minha espera fui direto para casa. Entrei peguei as chaves com a portaria do hotel e fui para meu quarto, tomar um longo banho e por meus pensamentos em ordem. Ao sair do banho, sopa e pão estavam a minha espera na pequena mesa como já era de costume, mal conseguia engolir minha própria saliva, a sopa não era uma opção para mim aquela noite, mas mesmo assim me propus a jantar apesar de ser tarde de mais para isso. Terminei a duras penas e me deitei na cama pensando no que havia acabado de presenciar, após alguns minutos disse a mim mesmo “Pare de pensar nisso e vá vestir um pijama”, mas antes que meu corpo obedecesse minhas próprias ordens fui vencido pelo cansaço e adormeci.
Acordei com os primeiros raios de sol em meu rosto ainda de toalha enrolado nos lençóis de minha cama, praticamente num casulo quando percebi que não estava sozinho em meu quarto.
- Ate que enfim, já estava achando que você nunca iria acordar!
Tomei um susto com Jean sentado ao pé de minha cama, com seus olhos verdes me fitando a espreita.
- Oque você esta fazendo aqui? Como deixaram você entrar?
- Ora meu caro amigo, depois de ontem você ainda não se deu conta do quanto eu posso ser convincente?
Permaneci calado e confesso fiquei um pouco constrangido por estar praticamente nu na frente dele, as imagens da noite passada surgiram na minha mente ao me dar conta disso.
- Não precisa ficar com vergonha, eu não vou morder você! Na verdade estou aqui por que precisamos conversar! Portando vista-se meu caro temos muito o que resolver!
Disse Jean soltando o mesmo sorriso tendencioso de antes e dando “tapinhas” em uma de minhas coxas que focaram a mostra enquanto eu ajeitava a toalha novamente em volta da minha cintura.
  


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