Os segredos não foram feitos para
serem guardados eternamente, quando menos se espera, quando se está distraído demais
para atentar-se aos detalhes eles ressurgem da escuridão do passado, trazendo a
luz do esclarecimento para uns e a morte para outros.
∞
Uma noite fria se instalava
naquela tarde o sol, frio e fraco, iluminava seus últimos raios daquele dia de
fim de inverno. Batidas na sineta em frente à porta do casaram vermelho mais
famoso de Paris Uma das criadas abre a porta e recebe de um rapaz magricela de
aparência pobre, calças curtas camisa brancas ambas sujas e puídas e uma boina sobre
o cabelo castanho ensebado de sujeira um pequeno envelope com apenas um nome
escrito... Anette.
Naquele casarão existiam varias
outras moças com estórias parecidas algumas foram abandonadas outras foram
perderam tudo o que tinham e acabavam ali por não ter mais saída, Anette uma
das “flores” daquele jardim, a mais nova delas, diga-se de passagem, não era
igual às outras ela tinha um único parente vivo, a única pessoa que sobrevivera
ao incêndio que queimou a casa onde eles moravam quando eram pequenos era seu
irmão mais velho Jean Charles que se salvara do incêndio carregando a recém-nascida
em seus braços, passaram a vida em orfanatos miseráveis onde os ratos e outros
roedores se alimentavam melhor que as crianças.
A criada bate a porta do quarto
de numero cinco e passa a carta rapidamente por debaixo da porta, Anette pega a
carta ansiosa, senta se numa cadeira em frente a uma penteadeira onde se
preparava para mais uma noite de trabalho com os velhos ricos de todas as
noites. Trata-se de uma carta de seu Irmão, uma das muitas que recebera desde
que chegara aquela casa. Ela lê, e carinhosamente aperta a o fino papel contra
o peito enquanto não resistia em conter as lagrimas que rolavam pelo seu rosto
borrando sua maquiagem.
∞
Minha cabeça estava demasiadamente
confusa, simplesmente acabara de descobrir que todos a minha volta tinham
segredos. Sentei-me na cama com a carta que encontrei coma letra de Jean
Charles quando me escondi no quarto de Anette em minhas mãos confuso e embasbacado
com oque acabara de ler.
Minha querida Anne.
Ele esta quase sobre meus encantos, sinto que nosso plano esta
dando certo e se continuarmos seguindo como combinamos estaremos livres de todo
aquele pesadelo logo. Eu lhe prometo, tirarei você desta vida.
As coisas aqui estão indo bem, contratei um rapaz como meu
assistente ele é novo e inexperiente mais escreve bem e me pareceu desesperado
pelo trabalho, Peter é o seu nome ele é Britânico e além de ser ágil e inteligente
é uma bela distração!
Na ultima semana fui a opera a convite dele, o meu “bem feitor”,
para não levantar suspeitas de nosso relacionamento eu fui a trabalho
acompanhado de meu assistente. Ao fim da opera no hall de entrada nós ficamos
frente a frente e tenho certeza que seus olhos me fitavam da cabeça aos pés
enquanto tínhamos uma conversa qualquer sobre a matéria que eu escreveria sobre
a ópera, depois daquela noite eu tive certeza ele esta sob meu controle total.
Em breve teremos nossa vingança.
Beijos de carinho
J.C.
∞
Minha cabeça fervia com as milhares
de teorias malucas sobre Jean, enquanto eu esperava o pelo sono ficava
relembrando trechos da pequena carta suspeita que havia encontrado, e não haviam
duvidas para mim ele estava tendo um caso com o Duque, pelo menos era oque a
carta dizia, pois eu não me lembrava de nenhuma outra pessoa com quem Jean se perdera
na conversa naquele noite ao sair do teatro. Definitivamente era impossível imaginar
aquele beberão de carteirinha que saia comigo nas noitadas parisienses aso
braços de outro homem, não que eu tivera algo contra, mas, este não podia ser o
Jean que eu conhecia.
Guardei aquela informação pelo
resto da semana e certo dia eu resolvi seguir Jean após o trabalho sai dez
minutos mais cedo e esperei escondido em um beco que dava para os fundos de uma
loja de penhores do outro lado da rua. Após alguns minutos ele saiu pela
estreita porta de ferro, colocou o seu chapéu que combinava com o seu casaco
preto, olhou para todos os lados e saiu andando pela direita ate o fim da rua,
eu prontamente me pus a segui-lo e após muitas ruas e esquinas ema carruagem
preta o esperava no fim de uma rua em tanto deserta, já estava anoitecendo e
antes que eu o perdesse de vista tomei a primeira carruagem que passou pela
minha frente e ordenei o cocheiro que não perdesse a tal “carruagem” de vista
em hipótese alguma.
Após muitas ruas e esquinas o cocheiro
me parrou e disse pela janela
- Eles pararam senhor!
- Onde?
O cocheiro apontou para um
pequeno sobrado com apenas uma luz acesa numa das janelas do andar superior, eu
agradeci e pedi a ele que esperasse na esquina. Era uma casa já velha e
aparente mente abandonada, entrei pelo pequeno portão de ferro que estava entre
aberto dei a volta pela casa para ver se encontrava uma janela ou porta aberta
para que eu pudesse entrar. Avistei uma janela aberta do outro lado da casa próximo
de uma antiga arvore de galhos fortes que eu escalei para poder entrar. O
quarto estava vazio, todos os móveis cobertos por panos brancos, a casa estava
escura e a única luz que iluminava era a da frondosa lua que enfeitava o céu e
a luz de velas acesas que passava por debaixo da única porta, eu me aproximei e
pela fresta que abri, olhei para o pequeno corredor uma porta aberta e
iluminada de onde vinham à luz e o cheiro das velas acesas eu pude ver a
confirmação de minhas teorias malucas Jean e o Duque estavam aos beijos jogados
numa cama se misturando aos lençóis brancos.
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