sexta-feira, 6 de março de 2015

Um conto de Peter O'Brian - Entre Segredos e mentiras - parte 1

Os segredos não foram feitos para serem guardados eternamente, quando menos se espera, quando se está distraído demais para atentar-se aos detalhes eles ressurgem da escuridão do passado, trazendo a luz do esclarecimento para uns e a morte para outros.

Uma noite fria se instalava naquela tarde o sol, frio e fraco, iluminava seus últimos raios daquele dia de fim de inverno. Batidas na sineta em frente à porta do casaram vermelho mais famoso de Paris Uma das criadas abre a porta e recebe de um rapaz magricela de aparência pobre, calças curtas camisa brancas ambas sujas e puídas e uma boina sobre o cabelo castanho ensebado de sujeira um pequeno envelope com apenas um nome escrito... Anette.
Naquele casarão existiam varias outras moças com estórias parecidas algumas foram abandonadas outras foram perderam tudo o que tinham e acabavam ali por não ter mais saída, Anette uma das “flores” daquele jardim, a mais nova delas, diga-se de passagem, não era igual às outras ela tinha um único parente vivo, a única pessoa que sobrevivera ao incêndio que queimou a casa onde eles moravam quando eram pequenos era seu irmão mais velho Jean Charles que se salvara do incêndio carregando a recém-nascida em seus braços, passaram a vida em orfanatos miseráveis onde os ratos e outros roedores se alimentavam melhor que as crianças.
A criada bate a porta do quarto de numero cinco e passa a carta rapidamente por debaixo da porta, Anette pega a carta ansiosa, senta se numa cadeira em frente a uma penteadeira onde se preparava para mais uma noite de trabalho com os velhos ricos de todas as noites. Trata-se de uma carta de seu Irmão, uma das muitas que recebera desde que chegara aquela casa. Ela lê, e carinhosamente aperta a o fino papel contra o peito enquanto não resistia em conter as lagrimas que rolavam pelo seu rosto borrando sua maquiagem.

Minha cabeça estava demasiadamente confusa, simplesmente acabara de descobrir que todos a minha volta tinham segredos. Sentei-me na cama com a carta que encontrei coma letra de Jean Charles quando me escondi no quarto de Anette em minhas mãos confuso e embasbacado com oque acabara de ler.

Minha querida Anne.
Ele esta quase sobre meus encantos, sinto que nosso plano esta dando certo e se continuarmos seguindo como combinamos estaremos livres de todo aquele pesadelo logo. Eu lhe prometo, tirarei você desta vida.
As coisas aqui estão indo bem, contratei um rapaz como meu assistente ele é novo e inexperiente mais escreve bem e me pareceu desesperado pelo trabalho, Peter é o seu nome ele é Britânico e além de ser ágil e inteligente é uma bela distração!
Na ultima semana fui a opera a convite dele, o meu “bem feitor”, para não levantar suspeitas de nosso relacionamento eu fui a trabalho acompanhado de meu assistente. Ao fim da opera no hall de entrada nós ficamos frente a frente e tenho certeza que seus olhos me fitavam da cabeça aos pés enquanto tínhamos uma conversa qualquer sobre a matéria que eu escreveria sobre a ópera, depois daquela noite eu tive certeza ele esta sob meu controle total.
Em breve teremos nossa vingança.
Beijos de carinho
J.C.


Minha cabeça fervia com as milhares de teorias malucas sobre Jean, enquanto eu esperava o pelo sono ficava relembrando trechos da pequena carta suspeita que havia encontrado, e não haviam duvidas para mim ele estava tendo um caso com o Duque, pelo menos era oque a carta dizia, pois eu não me lembrava de nenhuma outra pessoa com quem Jean se perdera na conversa naquele noite ao sair do teatro. Definitivamente era impossível imaginar aquele beberão de carteirinha que saia comigo nas noitadas parisienses aso braços de outro homem, não que eu tivera algo contra, mas, este não podia ser o Jean que eu conhecia.
Guardei aquela informação pelo resto da semana e certo dia eu resolvi seguir Jean após o trabalho sai dez minutos mais cedo e esperei escondido em um beco que dava para os fundos de uma loja de penhores do outro lado da rua. Após alguns minutos ele saiu pela estreita porta de ferro, colocou o seu chapéu que combinava com o seu casaco preto, olhou para todos os lados e saiu andando pela direita ate o fim da rua, eu prontamente me pus a segui-lo e após muitas ruas e esquinas ema carruagem preta o esperava no fim de uma rua em tanto deserta, já estava anoitecendo e antes que eu o perdesse de vista tomei a primeira carruagem que passou pela minha frente e ordenei o cocheiro que não perdesse a tal “carruagem” de vista em hipótese alguma.
Após muitas ruas e esquinas o cocheiro me parrou e disse pela janela
- Eles pararam senhor!
- Onde?

O cocheiro apontou para um pequeno sobrado com apenas uma luz acesa numa das janelas do andar superior, eu agradeci e pedi a ele que esperasse na esquina. Era uma casa já velha e aparente mente abandonada, entrei pelo pequeno portão de ferro que estava entre aberto dei a volta pela casa para ver se encontrava uma janela ou porta aberta para que eu pudesse entrar. Avistei uma janela aberta do outro lado da casa próximo de uma antiga arvore de galhos fortes que eu escalei para poder entrar. O quarto estava vazio, todos os móveis cobertos por panos brancos, a casa estava escura e a única luz que iluminava era a da frondosa lua que enfeitava o céu e a luz de velas acesas que passava por debaixo da única porta, eu me aproximei e pela fresta que abri, olhei para o pequeno corredor uma porta aberta e iluminada de onde vinham à luz e o cheiro das velas acesas eu pude ver a confirmação de minhas teorias malucas Jean e o Duque estavam aos beijos jogados numa cama se misturando aos lençóis brancos.            

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