sexta-feira, 27 de março de 2015

Um conto de Peter O'Brian - A breve despedida de Jean Charles

As malas foram feitas rapidamente, eu e Jean as colocamos na carruagem que nos guardava e fomos ate a casa de madame Lis onde Claudia esperava por  nossa chegada. Ela subiu usando um dos vestidos de Anette e uma peruca ruiva, eu quase não a reconheci a não ser pelo beijo que me roubara repentinamente ao adentrar a cabine escura de janelas pequenas e fechadas com cortinas em que estávamos.
- Estou com medo meu amor! Meu tio pareceu muito estranho, esta manhã tive a impressão de que ele estava escondendo algo!
- Você acha que ele sabe de nossa fug...
- Fiquem tranquilos, eu garanto que ele não sabe de nada!
Afirmou Jean numa tentativa falha de nos acalmar, a final de contas eu podia ver em seus olhos uma tensão disfarçada quando ele desviava seu olhar do meu. Podia sentir claramente o cheiro de armação!
Permaneci calado enquanto nos dirigíamos para fora da cidade em direção ao campo olhando fixamente para Jean enquanto Claudia adormecia em meus braços. Minha mente não parava de criar suposições sobre esta tal viagem do Duque inclusive a pouca insistência em levar sua protegida com sigo.
Após quase três horas de viagem chegamos a uma singela casa abandonada e judiada pelo tempo, paredes velhas e descascadas com leves marcas de fuligem que pereciam terem resistido ao tempo mais do que deveriam, dentro uma cozinha simples com fogão a lenha e uma mesa em outro cômodo uma cama de casal com e uma tina grande, tudo devidamente limpo e arrumado apesar da simplicidade.
- Chegamos! Vocês ficaram escondidos aqui por enquanto, eu voltarei dentro de três dias com dinheiro e suprimentos para vocês continuarem a viagem.
Disse Jean enquanto abria o local e dava ordens ao cocheiro para levar a pouca bagagem do casal para dentro. Eu aproveitei a distração de Claudia ao olhar a casa e arrastei Jean para longe e poder fazer-lhe algumas perguntas que já me estavam incomodando.
- Eu sei muito bem quando você esta mentindo, Jean oque você esta escondendo?
Perguntei enquanto pressionava meu amigo contra a parede apertando bruscamente pelos braços e olhando fixamente em seus olhos. Senti sua respiração tremula e os olhos verdes mareados contendo as lágrimas.
- Peter não posso lhe dizer agora, coisas muito importantes iram acontecer e eu não quero você ou a Claudia por perto, não me perdoaria nunca se algo acontecesse a você. E eu acho que você já imagina o porquê!
Dito isto, ele segurou meus braços, e deixou uma lagrima escorrer. Eu e Jean nos tornamos muito próximos, mais ate do que já éramos antes, nos últimos dois meses em que planejamos minha fuga notei um certo ciúmes quando recebia uma carta de Claudia, ele bufava e começava a esbravejar movimentos rudes ao mover cadeiras e abrir e fechar portas mas nunca levantei a hipótese que estava levantando naquele momento, lembrei me de quando o vi aos beijos e luxuria com o Duque e não me intimidei com a nossa proximidade naquela hora. Ele retirou alguns papeis finamente dobrados e selados com um brasão do bolso e disse com a voz tremula enquanto os colocava gentilmente no bolso interno de meu casaco.
- Se eu não voltar em três dias, você devera partir imediatamente abra estes papeis somente quando eu for embora. E me prometa algo?
- sim
- Que você será muito feliz ao lado dela.
- Eu prometo...
Inesperadamente, minhas falas foram interrompidas com um beijo. Embora nunca houvesse tido tal vontade eu o correspondi com a mesma intensidade de Jean. Após alguns segundos nos afastamos ofegantes olhando um no olho do outro, eu não sabia o que dizer para quebrar o clima estranho de despedida que se instalara então disse a primeira asneira que me veio à mente.
- É bom, eu ach...ei muito bom!
Ele sorriu dizendo
- Sério! O seu também é fantástico.
- Jean, não vá. Por favor, desista desta vingança, pegue sua irmã e vamos para bem longe.  Os quatro Juntos!
- Não posso já fui longe o bastante para desistir agora. Eu tive que fazer uma escolha muito difícil, talvez a mais difícil que já fiz na vida! Você entendera mais tarde.
Ele se afastou e eu fiquei parado por alguns segundos tentando entender oque havia acontecido e compreender meus próprios sentimentos agora bagunçados.
- Preparei dois cavalos fortes e velozes para vocês dois em caso de emergências! Ate mais amigos e aproveitem a noite!
Jean subiu na carruagem que partiu em seguida deixando eu e Claudia naquele casebre abandonado com uma vista bucólica de campos verdejantes a nossa volta e a poeira da carruagem levantando uma nuvem na estrada.

Naquele momento tive uma forte sensação de que algo muito errado estava para acontecer, mas permaneci calado enquanto eu e Claudia abraçados respirávamos fundo, livres para finalmente ficarmos juntos.          

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