É engraçado como a gente é capaz de se auto criticar sem freios. A gente se enche de culpas que não são nossas, abraçamos causas que nunca sequer conhecemos e exibimos todas as cicatrizes como se fossem um troféu, quando na verdade queremos enfiar a cabeça no primeiro buraco que der e sumir, sem ninguém perceber.
Nunca havia pensado de verdade sobre o que é sentir solidão. Não que eu nunca tivesse me sentido só, mas nunca havia me sentido exatamente só. Parece filosofia de gente maluca, mas é por aí mesmo o raciocínio.
As pessoas costumam nos enxergar de uma maneira bem melhor - ou bem pior - do que realmente somos. Ninguém conhece os nossos fantasmas, e até quem conhece nem faz ideia do peso deles sobre os nossos ombros.
Não que isso seja uma regra padrão, mas se for eu não fujo dela.Tenho mais fantasmas do que eu gostaria e tenho menos vontade de exorcizá-los do que eu deveria.
Solidão então, não é? Se sentir a única pessoa existente em meio a centenas, milhares? Não, a solidão que eu falo é meio diferente.É aquela que faz você sentir que está desvanecendo. É algo que te pega desprevenido, e não tem nenhum remédio específico pra curar.
Quando disse que as pessoas nos enxergam sempre melhores ou piores, é porque é verdade. Ninguém percebe que você está mal se você não deixar uma pontinha solta pra que a notem. Não foi intencional, mas deixei muitas pontas soltas, e mesmo assim, ninguém percebeu.
Não, eu não estou criticando! É um problema, e estou me responsabilizando por ele. Você nunca deve esperar que alguém te salve, porque o batman, o superman, o homem-aranha não vão pular detrás do seu armário prontos pra te acudir se você estiver precisando. Ninguém vai aparecer no telhado quando você pensar em pular, ou na ponte quando você quiser se jogar. Heróis são mais humanos e errados que qualquer outra pessoa, Se você não se ajudar, ninguém vai.
As pessoas sempre me enxergam melhor do que eu sou. Não sei dizer se é uma máscara que eu visto, ou se é uma máscara que vestem em mim. Mas com certeza ninguém enxerga o real significado disso.
Quando eu ouvia que os adultos tinham que fazer muitas vezes coisas que não gostavam, mas que eram necessárias, eu não entendia. Eu imaginava que eram burros pra fazer coisas assim. Eu ainda não entendo, mas me tornei um deles, uma pessoa que faz coisas que não quer, sem nem sabe explicar o motivo de estar fazendo.
Ás vezes eu quero sair do trabalho e ir tomar alguma coisa, sentar na calçada e ficar à toa, sentindo o tempo escorrer e olhando o pro nada. Mas uma voz dentro da minha mente diz que eu tenho que ir pra casa, tenho que jantar, tenho que tomar banho, tenho que dormir, tudo isso porque preciso ir trabalhar amanhã. E aí, quando me dou conta, minhas pernas já estão seguindo o caminho de casa, sem que eu queira, sem que eu peça.
Na verdade, se a sinceridade ainda me acompanha, posso dizer que nem vontade de trabalhar eu tenho. Levanto pela manhã por obrigação. E se não fosse o trabalho, acho que nem da cama eu sairia. a minha última semana de férias se resumiu a cozinha, quarto e banheiro, mais especificamente apenas a cama. Sequer levantei, passei o tempo todo no meu mundo de sonhos e fantasias, o único lugar onde eu sinto que realmente pertenço.
Sinto que estou sumindo, como uma borboleta ou um vaga-lume que ninguém vê mais há muito tempo, mas ninguém sente falta, ninguém nota a ausência, E tenho forçado as pessoas a me esquecerem, a não me notarem. E aos poucos, é como se eu fosse deixar de existir.
Curioso como um gole de cerveja pode fazer a gente dizer verdades que nem a gente conhece, não é? Então viva a sinceridade alcoólica, porque se o que dizem for fato, a verdade só sai da boca das crianças, dos irados e dos embriagados!
Prometo continuar as histórias na próxima semana, ok? Hoje eu precisava disso...
Até a próxima!
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