quinta-feira, 10 de março de 2016

Personalidades. Parte II

Amber viveu até os 16 anos em um colégio para meninas. Sempre comportada, educada, prestativa. Nunca brigou ou teve uma única advertência sequer. Era o orgulho dos pais. O que os pais não sabiam era que havia algo dentro dela que ninguém via. Ódio. Não um ódio qualquer, não um ódio de vingança, mas um sentimento que a consumia dia a dia.

Em seu diário, continha histórias forjadas, de como o dia havia sido bom, tranquilo, de como seu namorado era romântico e atencioso.  Era querida por todos, mimada por todos. Era a garota perfeita. Menos pra ela mesma. Quando se olhava no espelho, via um monstro, tudo era distorcido aos seus olhos. A forma como falavam com ela a estressava, a forma como os homens olhavam suas belas curvas a enojava, mas nunca contou isso a ninguém.

Para ela, era doente, era como se ela não pudesse se controlar em enganar as pessoas, em fazer as pessoas acreditarem que ela era boazinha, ela gostava disso, da sensação de ser má. Isso a deixava louca, com raiva de si mesma, com ódio da vida que tinha.



Não queria que tudo fosse perfeito. A menina doce tinha uma rebeldia violenta por dentro. Começou a roubar. Encontrou o caminho das drogas. Toda noite dizia a sua família que ia a missa, mas na verdade ia a um beco muito conhecido pelos usuários.

Quando as drogas se tornaram insuficiente para fugir da realidade, incluiu o álcool em sua lista. Mas com o passar dos meses a pose de boa moça começou a desmoronar. Seus olhos de azuis passaram a ser negros, sua boca deixou de ser carnuda, sua pele cada vez mais branca, seus cabelos oleosos por falta de lavar. Suas notas na faculdade estavam cada vez pior.

Seus pais já haviam começado a se decepcionar. Seu namoro acabou e sua mentira acabou. Foi internada num centro de recuperação. Mas nada mudou em sua mente. Quando estava sem a vigilância dos médicos era fria e egoísta. Mas, sempre que seus pais apareciam para visitá-la, sua personalidade mudava, era comportada, sempre simpática com os médicos, cooperava com todas as regras.

Após um ano internada, voltou ao lar. Fez todos a amarem novamente. Voltou á vida que levava antes, voltou exatamente a sua vida perfeita. Era como se nada tivesse mudado. Mas, a sua mente mudou. Ficou pior. Pois descobriu que matar a fazia sentir-se melhor. Seu ódio era saciado com o cheiro do sangue.

Começou matando os usuários químicos de um beco em comum. Fingia-se de boa ajudando os necessitados, mas na verdade tinha prazer em tortura-los com suas próprias agulhas.

Seu pensamento e sua consciência já não era mais o mesmo. Não tinha mais remorso de nada. Nem medo ou raiva de si. Mas nada era suficiente. Até que um dia, resolveu torturar animais pela redondeza. Ainda assim não foi o suficiente, matou então seus próprios pais e nada sentiu.

Sua vida era pura psicopatia e ninguém podia mudar isso, nem mesmo ela. Após três dias olhando os corpos frios de seus pais se matou.

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