quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Meu Ícaro

Ele era como um anjo de asas de cera.

E ele voava alto, e se arriscava próximo ao sol.

Seu olhar sempre além do horizonte,

Seu coração sempre além do alcance.

Ele tinha aquele sorriso meio sem jeito,

E erguia a sobrancelha sem perceber.

Quando falava demonstrava anseio,

Por tudo o que mundo pudesse oferecer.

E ele era mar e poesia,

Realidade e fantasia.

Ele jamais dizia que não,

Mas sempre dizia talvez.


Ele sabia como desmanchar em um olhar,

E eu adorava quando me desmanchava.

Mas ele era feito gota d'água em mar,

E por isso em tudo se misturava.

E por isso, não podia ser pra mim,

Pois água de mar não pode seguir

Um caminho que lhe imponha fim.

Mas ele teimava, e tentava em ser

Mas eu fugia, fingia não querer.

Pois eu o amava, livre e selvagem assim

Por isso eu o queria feliz, mesmo longe de mim.

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