sexta-feira, 17 de julho de 2015

O diário dos Morrigan

Capitulo II 

A Morte de Alice 

Uma semana se passou desde o crime hediondo que era assunto em todos os jornais e noticiários de jornais e TV, todos estavam apavorados, boatos de um assassino em serie corriam entre as bocas dos moradores de Ouro preto.
“As investigações continuam... Após uma semana a policia ainda busca a identidade do assassino já conhecido pela população local como O lenhador.”
    Lia Alice, em voz alta a noticia da matéria de capa do jornal daquele domingo, as coisas andavam mesmo estranhas e Ela concordava com seu mais novo amigo Alec que dizia “- Tudo parece estar conectado, você e seus dons, o assassinato e as aparições que você esta vendo... Alice você precisa tomar muito cuidado!” Alec e Alice se aproximaram muito na ultima semana. Ele havia demonstrado muita preocupação com ela, quase todos os dias ele aparecia para ver como ela estava, sempre em locais inusitados às vezes na saída da escola outras vezes na pequena loja de fotografia em que ela trabalhava durante a tarde no meio do seu horário de lanche, quase nunca a deixava voltar sozinha para casa durante a noite e apesar daquela perseguição toda Alice não se importara nem um pouco, para ela estar na companhia de Alec á fazia sentir-se segura apesar de acha-lo muito misterioso, havia algo nele que deixava Alice literalmente de pernas bambas.
Durante suas conversas ele a ensinava coisas sobre os astros, energia, intuição e tarot, ela aprendia muito com ele e ele parecia hipnotizado ao olha-la as vezes. Ela larga o jornal e levanta-se da mesa onde tomara apenas uma grande caneca de café preto, como era de costume pela manhã.
- Aonde você vai?
Perguntou seu velho tio, sentado em uma das pontas da mesa com a mesma voz imponente de aparência seca e desprovida de sentimentos bons, enquanto seu Irmão Nicolas sentava se à mesa usando óculos escuros e uma blusa de capuz. Alice ignora a irritante pergunta de seu tio diz.
- Nico, esta tudo bem? Você tem andado tão estranho ultimamente...
- Eu estou ótimo Alice...
Disse Nicolas interrompendo Alice bruscamente com a voz tão alta que deixou um breve silêncio no recinto, até seu tio voltar a perguntar com a mesma voz intransigente e pesada.
- Aonde você vai Alice?
- O que te importa aonde eu vou no meu domingo?
- Eu sou o dono desta casa mocinha e não gosto da companhia que anda...  Esta cidade é pequena, mas não e menos perigosa que são Paulo...
- Olha! Desde pequena você nunca deu sequer um telefonema ou procurou saber da minha existência, ficou aqui neste fim de mundo isolado e sozinho cercado de seus gados e pastos intermináveis... Não venha bancar o “Papai” cuidadoso comigo, com todo o respeito isso não cola comigo OK!
Antes que alguém pudesse retrucar as palavras rudes de Alice ela pegou sua pequena bolsa com sua maquina fotografia e saiu da casa dirigindo sua caminhoneta velha, deixando todos com uma expressão de espanto.
As imagens de seus pais não saiam da cabeça de Alice enquanto ela dirigia em alta velocidade, doía muito em seu peito a falta de sua mãe, estar naquela cidade sozinha, todos os acontecimentos estranhos a sua volta, ela senta seu irmão demonstrar um lado que ela não conhecia e estava começando a temê-lo, ela saia tarde todos os dias e chegava quase de manhã, sempre estava de óculos escuros e capuz, nunca apareceu nenhum dia sequer às aulas e também não treinava mais os inúmeros esportes que sempre adorava praticar. Tudo estava confuso na cabeça de Alice naquele momento, todos estes pensamentos explodiam em sua mente enquanto as lagrimas rolavam em seu rosto e ela dirigia sem destino algum pelas estradas em alta velocidade.
De repente uma mulher surge atravessando a estrada tão rápido que Alice não teve tempo de desviar o carro, apenas freou bruscamente a caminhoneta que só parou após o solavanco na pobre mulher rolando por baixo das rodas do carro. Alice com o coração acelerado saiu do carro deixando tudo aberto para ver se a tal mulher que atropelara estava ainda viva, e para sua surpresa não havia ninguém na pista, ninguém além dela o carro aberto e ligado naquela estrada de terra, que fazia uma curva a beira de um enorme barranco. Um arrepio passou pelo seu corpo quando o vento soprou naquela manha nublada, onde nuvens de chuva anunciavam a chegada de uma tempestade, ela entrou no carro rapidamente fechou a porta e as janelas amedrontada e com a nítida sensação de que não estava sozinha, ela tenta ligar novamente o motor do carro, mas ele parece ter enguiçado.
- Vamos, carroça velha!
Reclama Alice enquanto tenta ligar o carro parado no meio daquele lugar deserto. Ela ouve um sussurro chamar seu nome do lado de fora do carro e a pequena criança, que a trancara no armário estava ao lado de sua janela, assustada e gritando desesperadamente.
- sai dai agora, sai...

Alice entra em pânico e tenta trancar as portas da caminhoneta quando o retrovisor mostra o reflexo de uma mulher jovem de cabelos negros e úmidos usando um vestido sujo e puído, ensopada e cheirando a carne podre ela estava parada olhando para Alice diretamente nos olhos enquanto o pânico á dominava por completo e antes que pudesse pensar em escapar daquele carro, a tal mulher morta no banco de traz da caminhoneta ergueu as mãos para frente e como num rompante o carro liga, troca a marcha e acelera com toda a força, as portas trancadas não permitiam que Alice sai-se e antes que ela pudesse fazer algo a respeito o carro sai numa arrancada frenética, rolando ribanceira a baixo.               

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