sexta-feira, 10 de julho de 2015

O diário dos Morrigan

Capitulo II

A velha vidente 

Mais uma noite fria e solitária na vida da dona Marta Hagen, ela liga o velho aquecedor elétrico e acomoda-se na única poltrona frente a uma televisão antiga de tubo e grandes botões redondos para volume e sintonia de canais. Era quase 22:32 daquela noite de domingo, horário de seu programa de orações favoritos no canal católico, ela se serve de um xícara de chá de flores, veste seus óculos de lentes e armação grossas, viúva e com seus 69 anos de idade suas noites não tinham muita animação desde que seu companheiro de longa data, o velho Salvador seu esposo, viera a falecer de Câncer generalizado. A família de dona Marta eram uma das mais tradicionais da cidade, seu marido mesmo, durante os anos de juventude chegou a ser prefeito da, embora cheia de turistas, pacata cidade.
Os Hagen sempre foram conhecidos por ser gentis e bondosos e também pelos seus dons. Marta nunca escondeu de ninguém seus dons premonitórios e mesmo a contra gosto de seu marido e sua filha, todas as sextas feiras uma grande fila de pessoas em busca de auxilio à porta de sua casa. Suas previsões não falhavam, a pesar de ser 70% cega ela era capaz de descrever detalhes como roupas, cores, cheiros e até a hora e data em que algo aconteceria futuramente, da mesma forma que sua mãe lhe ensinou quando era apenas uma garotinha. Mas infelizmente a morte de seu marido veio como uma maldição sobre sua família, as consultas de sextas acabaram, sua única filha foi morar fora do País, todos os empregados da casa foram dispensados restando apenas os de confiança, Marta não saíra mais de casa a não ser para ir a missa dominical as sete da manhã sempre usando roupas pretas e nunca mais foi visto um sorriso em seu rosto. Ninguém sabe ao certo o porquê alguns dizem que ela perdeu seus dons, outros que ela previu a morte de seu marido a única coisa de que se sabe é que Dona Marta Hagen nunca mais deixou seu luto e não se ouviu mais nada a respeito dos seus dons.
 Um barulho de vidro sendo quebrado rompeu sua concentração, porem ela nem se moveu da sua poltrona solitária na velha mansão da família, ela sabia que algo terrível estava prestes a acontecer. Passos firmes vinham em vagarosamente em sua direção e um barulho de um ferro pesado sendo arrastado na madeira do assoalho a irritava por dentro porem ela continuava firme, bebendo seu chá cuidadosamente.
- Faça Logo o veio fazer, Rapaz!
Estas foram as ultimas palavras que marta disse antes de sentir um machado de lenhador ser enterrado em seu peito. O sangue jorrava e as machadadas fortes continuavam freneticamente até sobrarem apenas os pedaços da velha Marta jogados na poltrona.    
Uma semana depois...
 Os apagões começam a ficar mais frequentes desde o ultimo fim de semana, a única coisa de que me lembro é de ver minha irmã sair de casa em pânico total na noite de sábado. Desde o domingo à tarde quando acordei com aquela dor de cabeça filhada puta, não me lembro de nada, sinto que estou sendo seguido. As pessoas estão agindo diferente comigo. Minha irmã esta cada dia mais distante as vezes sinto ela me olhar como se enxergasse algo diferente em mim algo obscuro.
Sei que não deveria escrever tal coisa nestas paginas sagradas, mas não tenho ninguém para contar o que esta acontecendo, tenho medo de perder minha memória, tenho medo de me esquecer de todos os ensinamentos que meu tio me passou... Não sei o que esta acontecendo comigo, e não tenho ninguém que acredite em mim.
Nícolas fecha o pequeno livro de paginas feitas em papel grosso e encapado em couro negro, Levanta da cadeira onde passara as ultimas horas sentadas e o guarda dentro de uma gaveta lateral da escrivaninha, trancando a com uma chave pendurada em seu pescoço com um cordão de prata. Ele se dirige a um grande espelho voltado para o norte da pequena saleta de paredes marcadas pelo tempo e piso em madeira escura e faz uma reverencia frente a um espelho. No chão, cinco castiçais com velas grossas e acessas acompanham um desenho marcado a ranhuras de fogo no chão. Ao termino de sua reverencia ele se levanta do chão, trajando apenas uma túnica negra que usara para os rituais e estudos mágicos e com apenas um movimento das mãos apaga as velas da sala.      

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