Capitulo II
A velha vidente
Mais uma noite fria e solitária
na vida da dona Marta Hagen, ela liga o velho aquecedor elétrico e acomoda-se
na única poltrona frente a uma televisão antiga de tubo e grandes botões
redondos para volume e sintonia de canais. Era quase 22:32 daquela noite de
domingo, horário de seu programa de orações favoritos no canal católico, ela se
serve de um xícara de chá de flores, veste seus óculos de lentes e armação
grossas, viúva e com seus 69 anos de idade suas noites não tinham muita
animação desde que seu companheiro de longa data, o velho Salvador seu esposo,
viera a falecer de Câncer generalizado. A família de dona Marta eram uma das
mais tradicionais da cidade, seu marido mesmo, durante os anos de juventude
chegou a ser prefeito da, embora cheia de turistas, pacata cidade.
Os Hagen sempre foram conhecidos
por ser gentis e bondosos e também pelos seus dons. Marta nunca escondeu de
ninguém seus dons premonitórios e mesmo a contra gosto de seu marido e sua
filha, todas as sextas feiras uma grande fila de pessoas em busca de auxilio à
porta de sua casa. Suas previsões não falhavam, a pesar de ser 70% cega ela era
capaz de descrever detalhes como roupas, cores, cheiros e até a hora e data em
que algo aconteceria futuramente, da mesma forma que sua mãe lhe ensinou quando
era apenas uma garotinha. Mas infelizmente a morte de seu marido veio como uma
maldição sobre sua família, as consultas de sextas acabaram, sua única filha
foi morar fora do País, todos os empregados da casa foram dispensados restando
apenas os de confiança, Marta não saíra mais de casa a não ser para ir a missa
dominical as sete da manhã sempre usando roupas pretas e nunca mais foi visto
um sorriso em seu rosto. Ninguém sabe ao certo o porquê alguns dizem que ela
perdeu seus dons, outros que ela previu a morte de seu marido a única coisa de
que se sabe é que Dona Marta Hagen nunca mais deixou seu luto e não se ouviu
mais nada a respeito dos seus dons.
Um barulho de vidro sendo quebrado rompeu sua
concentração, porem ela nem se moveu da sua poltrona solitária na velha mansão
da família, ela sabia que algo terrível estava prestes a acontecer. Passos
firmes vinham em vagarosamente em sua direção e um barulho de um ferro pesado
sendo arrastado na madeira do assoalho a irritava por dentro porem ela continuava
firme, bebendo seu chá cuidadosamente.
- Faça Logo o veio fazer, Rapaz!
Estas foram as ultimas palavras
que marta disse antes de sentir um machado de lenhador ser enterrado em seu peito.
O sangue jorrava e as machadadas fortes continuavam freneticamente até sobrarem
apenas os pedaços da velha Marta jogados na poltrona.
∞
Uma semana depois...
Os apagões começam a ficar mais frequentes desde o ultimo fim de semana, a única coisa de que me lembro é de ver minha irmã sair de casa em pânico total na noite de sábado. Desde o domingo à tarde quando acordei com aquela dor de cabeça filhada puta, não me lembro de nada, sinto que estou sendo seguido. As pessoas estão agindo diferente comigo. Minha irmã esta cada dia mais distante as vezes sinto ela me olhar como se enxergasse algo diferente em mim algo obscuro.
Sei que não deveria escrever tal coisa nestas paginas sagradas, mas não tenho ninguém para contar o que esta acontecendo, tenho medo de perder minha memória, tenho medo de me esquecer de todos os ensinamentos que meu tio me passou... Não sei o que esta acontecendo comigo, e não tenho ninguém que acredite em mim.
∞
Nícolas fecha o pequeno livro de
paginas feitas em papel grosso e encapado em couro negro, Levanta da cadeira
onde passara as ultimas horas sentadas e o guarda dentro de uma gaveta lateral
da escrivaninha, trancando a com uma chave pendurada em seu pescoço com um
cordão de prata. Ele se dirige a um grande espelho voltado para o norte da
pequena saleta de paredes marcadas pelo tempo e piso em madeira escura e faz
uma reverencia frente a um espelho. No chão, cinco castiçais com velas grossas e
acessas acompanham um desenho marcado a ranhuras de fogo no chão. Ao termino de
sua reverencia ele se levanta do chão, trajando apenas uma túnica negra que
usara para os rituais e estudos mágicos e com apenas um movimento das mãos
apaga as velas da sala.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente o que achou dos textos, participe! Sua opinião é super importante para que melhoremos nosso conteúdo! Seja um leitor ativo!