capitulo 1
Claustrofóbica
Gritos...
Gritos e mais gritos de
desespero por causa da porta que se fechara trancando Alice naquela escuridão
densa daquele quarto. Ela podia ouvir as risadas maléficas da garotinha e
também de outras pessoas, na verdade Alice sabia que não estava sozinha dentro
daquele quarto cheio de coisas ela podia ouvir passos, na verdade um arrastar
de pés no chão empoeirado. Um frio que tomava conta de todo o seu corpo, a
paralisou de tanto medo, as vozes pareciam estar tão perto, a ponto de sentir
as respirações na nuca e mãos a tocando por todo o corpo, quando dentro daquela
escuridão claustrofóbica ela se lembra da sua polaroide antiga e se põe a tirar
fotos na esperança de que o flash iluminasse algo.
A
cada “arrastar de pés” e mão que Alice sentia toca-la, ela dizia para si
mesma...
-Coragem
garota... Não deixe o medo te dominar!
Mas
Alice sabia que era tarde demais, ela já estava apavorada a sensação de
confinamento e a total escuridão, apesar dos flashes, já estavam se tornado
maior que a tentativa de autocontrole de Alice. As paredes pareciam estar cada
vez mais próximas e o ar mais rarefeito... Um grito raivoso ecoou por toda a
sala.
-
VÁ EMBORA... VOCÊ NÃO É BEM VINDA AQUI!
Em
meio aos flashes desesperados uma figura esquelética e alta nua de pele acinzentada
e olhos arregalados acompanhados de mais duas igualmente horripilantes e
corriam aos gritos em sua direção com suas bocas enormes e mãos esqueléticas.
Alice paralisou de medo, seu corpo já não respondia a não ser pelas batidas
frenéticas de seu coração que pareciam querer explodir, o toque gélido e o
cheiro de carne putrefata tomavam conta de seus sentidos enquanto as mãos dos
três monstros apertavam o seu pescoço retirando-a lentamente do chão.
O
ar estava faltando e Alice sentia sua cabeça doer e aquecer, não sentia mais as
suas pernas ou braços apenas a dor no pescoço, cabeça o cheio de podridão. Ela
fecha os olhos e naquele instante de desespero lembra-se do que sua avó sempre
dissera quando era pequena e tinha medo dos seus pesadelos, “... feche os olhos
e conte de cinco até um, controle seu medo e vai conseguir domina-lo...”. Alice
seguiu seus instintos e no que achava ser seu último suspiro desesperadamente
fraco de ar ela abre as duas mãos que ate agora estavam segurando os braços
fortes e gélidos que a retiraram do chão e estende a sua frente
5...4...3...2...1... Ao terminar a contagem uma onda magnética e iluminada emana
de Alice fazendo tudo tremer e revirando o quarto inteiro a baixo,
imediatamente a porta se abre e Alice pode ver as criaturas se desfazerem como
pó derrubando a de mais de um metro e meio no chão e desmaiando com o impacto.
Aproximadamente
uma hora e meia depois Alice acorda, meio tonta e com uma dor de cabeça quase insuportável
ela senta do chão empoeirado daquele quarto cheio de coisas velhas e reviradas,
“O que aconteceu aqui?”, perguntou ela a si mesma ao reparar as coisas
reviradas e uma marca de poeira no chão, como se um vento forte tivesse feito
um circulo em volta dela.
Alice
levanta com as mãos na cabeça e recolhe as fotos espalhadas pelo chão colocando-as
na bolsa que carrega, guarda sua polaroide que estava caída próxima a uma
canastra de madeira grande com a tranca quebrada, igual a todo o resto da sala.
Neste momento flashes do acontecera retornam a memória de Alice, as mãos
geladas e o cheio de carne putrefata lhe enjoou o estomago e a fez sentir um
pavor que a muito não experimentara, porem a curiosidade em abrir a tal canastra
se fez maior que o pavor que sentia. Ela não resistiu e abriu, dentro havia cinco
bonecas de porcelana, amarradas nos pés e braços e um antigo diário com capa de
couro e amarrado com uma cinta a fivela. O que a chamou mais atenção foi uma das
bonecas que possuía uma marca em forma de “M” no meio da testa. Ela pega a boneca
e o diário e guarda ambos em sua bolsa rapidamente, fecha a canastra e sai do
quarto fechando a porta por fora com muita dificuldade.
Ao
chegar em “casa” tudo que Alice mais deseja é um banho quente, ela entra pela
porta dos fundos e vai direto ao seu quarto tomando o máximo de cuidado para
não ser vista, de tal modo que chega a se assustar com a criada que esta terminando
de guardar as malas já desfeitas em cima do guarda-roupa de mogno antigo que
fazia par com a cama igualmente antiga de aparência confortável.
-Já
tomei a liberdade de guardar suas roupas, espero que não se importe, disse a
senhora de sotaque caipira e gordinha de estatura media e cabelos grisalhos
amarrados com um coque, exibindo um sorriso simpático e um tanto quanto
amarelado.
-Meu
Deus! O que é isso em no seu pescoço!
-Nada...
Disse Alice elevando as mãos rapidamente ao pescoço e expulsando a senhora do
quarto. Alice vai até o banheiro e no espelho repara as manchas rochas, quase
negras devido ao estrangulamento, ela ainda podia sentir o cheiro de carne
podre e o toque gélido em seu pescoço o que a fez ter um arrepio por todo o
corpo, decide então tomar um banho quente e aprontar-se para o jantar.
Durante
o jantar permaneceu muda, sua mente não parava de vagar com os acontecidos a
ligação misteriosa de sua mãe e agora ela quase foi morta por algo que desde
pequena não creditava ser verdade, lembrava-se das seções com o psiquiatra no
hospital que fora internada aos sete, logo após a morte de sua avó. Ela mal
tocou na comida e também nem se importou com as gozações que Nícolas fazia com
ela devido ao cachecol grosso que havia enrolado no pescoço.
De
volta ao seu quarto, Alice tranca bem a porta, retira o cachecol e decide dar
uma olhada na misteriosa boneca de porcelana, velha e suja que parecia estar a muitos
anos guardados naquele baú velho. A curiosidade e muito grande e ela decide
desamarrar a boneca.
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