sexta-feira, 12 de junho de 2015

O diario dos Morrigan

capitulo 1

Claustrofóbica 


Gritos... Gritos e mais gritos de desespero por causa da porta que se fechara trancando Alice naquela escuridão densa daquele quarto. Ela podia ouvir as risadas maléficas da garotinha e também de outras pessoas, na verdade Alice sabia que não estava sozinha dentro daquele quarto cheio de coisas ela podia ouvir passos, na verdade um arrastar de pés no chão empoeirado. Um frio que tomava conta de todo o seu corpo, a paralisou de tanto medo, as vozes pareciam estar tão perto, a ponto de sentir as respirações na nuca e mãos a tocando por todo o corpo, quando dentro daquela escuridão claustrofóbica ela se lembra da sua polaroide antiga e se põe a tirar fotos na esperança de que o flash iluminasse algo.
A cada “arrastar de pés” e mão que Alice sentia toca-la, ela dizia para si mesma...
-Coragem garota... Não deixe o medo te dominar!
Mas Alice sabia que era tarde demais, ela já estava apavorada a sensação de confinamento e a total escuridão, apesar dos flashes, já estavam se tornado maior que a tentativa de autocontrole de Alice. As paredes pareciam estar cada vez mais próximas e o ar mais rarefeito... Um grito raivoso ecoou por toda a sala.
- VÁ EMBORA... VOCÊ NÃO É BEM VINDA AQUI!
Em meio aos flashes desesperados uma figura esquelética e alta nua de pele acinzentada e olhos arregalados acompanhados de mais duas igualmente horripilantes e corriam aos gritos em sua direção com suas bocas enormes e mãos esqueléticas. Alice paralisou de medo, seu corpo já não respondia a não ser pelas batidas frenéticas de seu coração que pareciam querer explodir, o toque gélido e o cheiro de carne putrefata tomavam conta de seus sentidos enquanto as mãos dos três monstros apertavam o seu pescoço retirando-a lentamente do chão.
O ar estava faltando e Alice sentia sua cabeça doer e aquecer, não sentia mais as suas pernas ou braços apenas a dor no pescoço, cabeça o cheio de podridão. Ela fecha os olhos e naquele instante de desespero lembra-se do que sua avó sempre dissera quando era pequena e tinha medo dos seus pesadelos, “... feche os olhos e conte de cinco até um, controle seu medo e vai conseguir domina-lo...”. Alice seguiu seus instintos e no que achava ser seu último suspiro desesperadamente fraco de ar ela abre as duas mãos que ate agora estavam segurando os braços fortes e gélidos que a retiraram do chão e estende a sua frente 5...4...3...2...1... Ao terminar a contagem uma onda magnética e iluminada emana de Alice fazendo tudo tremer e revirando o quarto inteiro a baixo, imediatamente a porta se abre e Alice pode ver as criaturas se desfazerem como pó derrubando a de mais de um metro e meio no chão e desmaiando com o impacto.
Aproximadamente uma hora e meia depois Alice acorda, meio tonta e com uma dor de cabeça quase insuportável ela senta do chão empoeirado daquele quarto cheio de coisas velhas e reviradas, “O que aconteceu aqui?”, perguntou ela a si mesma ao reparar as coisas reviradas e uma marca de poeira no chão, como se um vento forte tivesse feito um circulo em volta dela.
Alice levanta com as mãos na cabeça e recolhe as fotos espalhadas pelo chão colocando-as na bolsa que carrega, guarda sua polaroide que estava caída próxima a uma canastra de madeira grande com a tranca quebrada, igual a todo o resto da sala. Neste momento flashes do acontecera retornam a memória de Alice, as mãos geladas e o cheio de carne putrefata lhe enjoou o estomago e a fez sentir um pavor que a muito não experimentara, porem a curiosidade em abrir a tal canastra se fez maior que o pavor que sentia. Ela não resistiu e abriu, dentro havia cinco bonecas de porcelana, amarradas nos pés e braços e um antigo diário com capa de couro e amarrado com uma cinta a fivela. O que a chamou mais atenção foi uma das bonecas que possuía uma marca em forma de “M” no meio da testa. Ela pega a boneca e o diário e guarda ambos em sua bolsa rapidamente, fecha a canastra e sai do quarto fechando a porta por fora com muita dificuldade.
Ao chegar em “casa” tudo que Alice mais deseja é um banho quente, ela entra pela porta dos fundos e vai direto ao seu quarto tomando o máximo de cuidado para não ser vista, de tal modo que chega a se assustar com a criada que esta terminando de guardar as malas já desfeitas em cima do guarda-roupa de mogno antigo que fazia par com a cama igualmente antiga de aparência confortável.
-Já tomei a liberdade de guardar suas roupas, espero que não se importe, disse a senhora de sotaque caipira e gordinha de estatura media e cabelos grisalhos amarrados com um coque, exibindo um sorriso simpático e um tanto quanto amarelado.
-Meu Deus! O que é isso em no seu pescoço!
-Nada... Disse Alice elevando as mãos rapidamente ao pescoço e expulsando a senhora do quarto. Alice vai até o banheiro e no espelho repara as manchas rochas, quase negras devido ao estrangulamento, ela ainda podia sentir o cheiro de carne podre e o toque gélido em seu pescoço o que a fez ter um arrepio por todo o corpo, decide então tomar um banho quente e aprontar-se para o jantar.
Durante o jantar permaneceu muda, sua mente não parava de vagar com os acontecidos a ligação misteriosa de sua mãe e agora ela quase foi morta por algo que desde pequena não creditava ser verdade, lembrava-se das seções com o psiquiatra no hospital que fora internada aos sete, logo após a morte de sua avó. Ela mal tocou na comida e também nem se importou com as gozações que Nícolas fazia com ela devido ao cachecol grosso que havia enrolado no pescoço.
De volta ao seu quarto, Alice tranca bem a porta, retira o cachecol e decide dar uma olhada na misteriosa boneca de porcelana, velha e suja que parecia estar a muitos anos guardados naquele baú velho. A curiosidade e muito grande e ela decide desamarrar a boneca.

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