segunda-feira, 20 de abril de 2015

10. Vínculo





Ela estava contemplado o gelo no copo cheio de Jack Daniels, sentada em um canto. O lápis parado sobre o papel, a mente distante. Ainda estava abalada com a descoberta, por mais que não quisesse admitir. David era um maldito desgraçado traidor, e merecia bem mais do que o soco que havia ganhado. Quero foder ela, e após ela se iludir, vou rir da cara dela, dizendo que em todo o tempo, era eu que estava por cima... – não fora isso que ele havia dito dentro da fabrica? Ela bebeu um longo gole da bebida e bateu com força o fundo do copo contra a mesa onde se encontrava. Se ele não tivesse fugido e eu tivesse uma arma ao meu alcance – pensou irritada. Ele havia tido a audácia de aparecer em sua casa.
Mas agora estava incomodada de ficar naquele condomínio. Portanto havia arrumado suas coisas e se mudado para um prédio. Rick ficaria no condomínio, mas lá ele estaria seguro, sem falar que ele sabia se defender. Voltou a se focar no diário diante de si, onde mantinha seus planos anotados. Haveria uma festa de gala no Hotel, e o nome Golden Rose estava circulado na folha. Tinha feito planos para matar um dos sócios na festa, mas agora estava começando a repensar. David sabia disso... não. Não iria lá matar o sócio. Queria ir direto em Gregorovich e acabar logo com aquele jogo. Bebeu o resto da bebida, batendo novamente o fundo contra a mesa. Talvez fosse a hora de chegar direto no maldito...
O bar estava com um movimento ameno. Os amigos do Bob estavam ocupando o balcão e informando ele sobre as ultimas noticias, enquanto ele lavava alguns copos. Ela ouviu o som da porta se abrindo e voltou a focar no caderno. "Muito bem, o que eu vou fazer? - pensou - O hotel está fora de cogitação, mas provavelmente ele estará pensando que vou, apenas modificando o plano, que é o que eu realmente faria... Preciso dar um susto neles pelo menos... Estar lá, mas não estar realmente".
Ela anotou a idéia no papel. Como faria isso? Uma bomba? Não. Uma bomba não era nada precisa e dessa vez teriam muitas outras pessoas e crianças. Uma pequena mãozinha surgiu no caderno. Ah, desde o envolvimento do detetive, ela não havia aparecido. Ja fazia mais de uma semana.
- Não vá, onee-san.
Ela se virou para ver a pequena garota ao seu lado.
- Porque? Se eu for, imagino que vai chamar o detetive novamente, não?
- Gomen onee-san. - disse a garotinha abaixando a cabeça.
- Aliás, eu não entendi porque escreveu em japonês nos bilhetes...
- Eu estava testando ele. - disse ela. - Eu não estou arrependida. Se não fosse ele você poderia estar morta!
- E que mal teria? Todos morrem um dia...
Ficaram em silencio por um longo momento.
- Termine logo com isso onee-san.
Hiyori se virou para a irmã, a encarando.
- Apenas termine logo. Acabe com tudo isso. - e então desapareceu.
Um copo cheio foi colocado diante dela, fazendo ela se distrair do que Suzume havia dito, e ela olhou na direção, pensando que fosse Bob, mas era o detetive. Ele se sentou diante dela, um cigarro pela metade no canto dos lábios.
- Ocupada? - perguntou.
- Na verdade não. Como me encontrou?
Ele deu um meio sorriso e bebeu um gole do próprio copo.
- Não sou excepcional, mas ainda sou um detetive. Já estou te procurando há quase uma semana.
- Sinal que apesar se nao ser excepcional, ainda sei me esconder. - respondeu ela. - Porque estava me procurando detetive?
- Julian, por favor. - pediu ele e entao bebeu uma boa quantia fazendo careta, e esmagou o cigarro no cinzeiro. - Gregorovich me pegou. Ele sabe que sei de tudo, e me enviou um aviso.
- Pare de mexer onde nao deve? - indagou e deu um sorriso amargo ao ver a expressão no rosto do rapaz. - Típico dele. E voce?
- Eu disse que havia entendido a mensagem.
Ela o olhou com um semisorriso.
- Bem esperto. Mas porque está me contando isso?
Ele a olhou nos olhos, e ela sustentou o olhar dele enquanto bebia, sentindo a bebida descer como fogo pela sua garganta. Ele desviou os olhos, limpando a garganta.
- Quero te ajudar...
- Eu trabalho sozinha Julian. E já estou suja de qualquer maneira pelo fato de ja ter matado pessoas. Não se envolva nisso.
Ele deu um breve sorriso e pegou outro cigarro.
- Eu também não gosto de violência. - acendeu o cigarro e tragou, e por um momento ela observou o papel queimando na ponta e se tornando cinzas. - Mas pessoas como ele devem colher o que plantam, certo? E se tudo não pode ser resolvido com a justiça ao nosso alcance, porque não me unir a voce?
- Do que voce está falando?
- John era um bom homem. - começou ele sério. - Ele  trabalhou por muitos anos em uma fazenda, e conseguiu dinheiro para vir morar na cidade e pagar os estudos de seus dois filhos. A filha queria ser médica. - ele ergueu uma sobrancelha. - Alguns anos depois sua esposa morreu de câncer e ele cuidou dos filhos sozinho. O filho queria ser policial. Crianças são inocentes não é mesmo?
Ficou em silencio enquanto ele terminava de beber o conteúdo do seu copo e esperou ele falar novamente.
- Mas pai é pai, e independente da decisão que seus filhos tomem, eles sentem orgulho de seus filhos. Não importa se no futuro um deles traga a morte para dentro de casa. - ele fez um sinal para alguém trazer mais uma rodada e se voltou para mim. - John Galagher... Morreu logo em seguida da ameaça. E havia um bilhete no bolso me dizendo que ele não seria o único a sofrer pelas minhas decisões se eu continuasse o que estava fazendo. O que eu estou fazendo, afinal?
Bob se aproximou com a garrafa de Jack Daniels e lançou um olhar interrogador a ela, mas ela fez um sinal o dispensando.
- Ele era meu pai. - disse ele fazendo uma careta estranha e entao encheu seu copo e deu um longo trago no cigarro. - E eu sou um inutil que ao inves de proteger, levei a morte a ele. Estou começando a achar sua forma de julgar correta. Eles devem pagar...
Virou o copo com uma careta estranha e então seus olhos a encararam por um momento. Ela bebeu todo o conteudo do meu próprio copo e simplesmente não soube o que dizer para ele. Ela sabia bem o que era aquela sensação. Bem demais
- E então? - pressionou ele.
Respirei fundo.
- Bem vindo a minha vida.

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