sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Um conto de Peter O'Brian - Os Enamorados.

Existe sempre uma saída... Quando os momentos da sua vida não são exatamente oque você espera sempre existira uma saída para o amor!

Entrei no quarto, uma visão angelical estava a minha frente. Claudia estava lá aparentemente à espera de outra pessoa, Madame Lis eu suponho pois a surpresa e os segundos de gagueira ao pronunciarmos um o nome do outro foi mutuo. A porta se fechou, estávamos sozinhos!
- Realmente o mundo é cheio de surpresas.
Eu disse enquanto tentava conter minha inquietação e o corar das maçãs do meu rosto sem nenhum sucesso.
- Claudia, desde a primeira vez em que nossos olhos se cruzaram, naquela noite ao fim da ópera não consegui retirar você dos meus pensamentos.
- Eu digo o mesmo Peter, Apesar de não poder ceder às vaidades deste sentimento, ele domina minha alma.
As palavras ditas por Claudia encheram meu coração de alegria de tal forma que não contive meus impulsos de toma-la em meus braços, ela me olhava nos olhos com tamanha firmeza e força, porem podia sentir suas mãos em meu peito tremulas e sua respiração quase ofegante.
- Não... d...de...deveríamos estar tão próximos assim.
Disse ela, afastando se em direção a uma das pequenas janelas cobertas por uma cortina de renda na nítida e falha tentativa esconder suas reais intenções em nosso encontro.
- Me desculpe, não devia ter me precipitado assim, minhas intenções com a senhorita são as mais puras e reais.
Meu coração batia como uma locomotiva naquela hora.
- Eu estou Apaixonado por você, enfrentaria tudo por você!
- Não diga isto, o amor é proibido para mim.
- Todos podem amar...
- Menos Eu!
Senti uma ponta de magoa e ódio no semblante de Claudia que enxugava a única lagrima que rolava do seu olho esquerdo. Ela segurou a minha mão e pacientemente disse.
- Eu estou apaixonada por você, mas não podemos nunca viver este amor! Sou uma pessoa fadada a viver presa em uma gaiola de ouro e... Nunca serei livre!
-Eu sei, que o Duque a mantem presa e que é sempre vigiada aonde quer que você vá! Sua mãe me contou tudo.
Eu realmente não queria tocar neste assunto naquela hora, mas ela precisava saber que eu conhecia sobre seu passado. Precisava conquista-la.
- Eu sempre soube que Lis era minha verdadeira mãe, o Duque a fez me prometer em matrimonio em troca de minha criação, ele me quer mais do que qualquer coisa, até mataria se fosse preciso.
Vi mais duas lagrimas escaparem dos olhos de Claudia, porem fui mais ágil que ela e as sequei gentilmente. Aproximamo-nos e sem que percebêssemos nos beijamos... Era doce e suave, seus lábios tocando os meus com a pureza e inocência de quem nunca tivera beijado alguém antes e eu me senti um adolescente experimentando pela primeira vez aquela sensação, o que não era de todo mentira, pois nunca havia beijado alguém por quem estivera apaixonado antes. Agora eu tinha certeza de que a amava e que faria de tudo para tela.
Após nos entregarmos aos beijos e carinhos passamos os últimos quarenta e cinco minutos seguintes, conversando, rindo e falando um do outro, e eram incríveis as nossas semelhanças tínhamos os mesmos signos ascendentes e ambos nascemos no 28º dia do mês, ela acreditava em astros, signos e tarot e disse que havia previsto minha chegada em sua vida nas cartas, oque me fez sorrir e a beijar novamente.
- Tenho que ir! Meu Tio não pode se quer sonhar que você esta aqui.
- Eu não tenho medo dele!
- Mas eu sim, nem quero pensar no que aconteceria com você se ele descobrisse sobre nós.
- Então... Existe, nós dois?
Minha pergunta à fez parar por um instante e dizer enquanto eu a encarava dentro dos olhos.
- Sim... Mas ninguém devera saber, ele é um homem de muitas influências, conhece muita gente. Qualquer um pode estar sendo pago para lhe dar informações.
Enquanto ela tentava alertar-me a respeito de seu tio, eu tomado pela emoção ao ouvir apenas o seu “sim” agarrei ela em meus braços e a beijei apaixonadamente por alguns minutos antes de ouvirmos o “toc” “toc” “toc” na porta do quarto seguidos pelo barulho da maçaneta girando, era Anette Que entrou furtivamente no quarta apavorada.
- Claudia, o duque esta entrando o salão... Apressem-se você tem que ir embora agora!
Disse ela olhando para mim e me puxando para fora do quarto entanto Claudia dizia agora apavorada.
- Vá! Agora... Ele não pode te ver aqui!
Eu me soltei das mãos de Anette e corri para Claudia perguntando.
- Quando nos veremos...
- Vá embora, Peter, por favor!
- Quando nos veremos novamente?
- Aguarde minhas cartas, agora vá!
Eu a beijei novamente e sai pelos corredores da casa ate a porta dos fundos, mas para chegar ate ela teríamos que passar pelas escadas principais onde o duque provavelmente estaria subindo acompanhado da Madame Lis. Então fui puxado porta adentro por Anette para um dos quartos, ela fez movimentos de silêncio com as mãos e eu a obedeci.
- Este é meu quarto, me espere aqui em silêncio eu voltarei quando tudo estiver tranquilo.
Ela saiu fechando a porta com chave. O quarto não era tão grande e suntuoso com o de Lis, mas tinha seu charme, Uma cama grande e confortável com duas mesinhas como cabeceira a esquerda uma passagem para uma saleta com uma poltrona, um guarda roupas e um biombo vermelho florido. Paredes brancas com chão de madeira e moveis também em madeira, uma penteadeira com espelhos e uma cadeira. Enquanto olhava o quarto e esperava pela volta de Anette, notei uma carta amaçada em cima da penteadeira, Eu reconhecera aquela letra em qualquer lugar, era a letra de Jean Charles, provavelmente uma carta endereçada a ela eu pensei, mas dai me dei conta de que nunca o vi cortejar ou pronunciar o nome de dama alguma.
Peguei aquele pedaço de papel amaçado e coloquei no bolso antes que Anette entrasse e desse conta de sua falta. A porta se abriu e ela disse quase sussurrando.
- vamos, depressa!
Saímos do quarto e nos dirigimos ate a escada que levava para a porta dos fundos, ao sair tinha uma carruagem parada de portas abertas a minha espera. Eu entrei fechei a porta e as cortinas das pequenas janelas laterais e dos fundos, enquanto sentia o solavanco das rodas no paralelepípedo das ruas da cidade.
Meu coração se acalmara agora que eu estivera fora de perigo, mas voltara a bater freneticamente quando minha mente se perdia na lembrança dos beijos, do gosto dos lábios de minha amada, e na alegria que sentia em saber que ela provavelmente estava sentindo o mesmo naquele exato momento.
Cheguei ao hotel que eu já estava chamando de “casa” depois de rodar metade da cidade. Entrei em meu quarto, praticamente bêbado de amor. Tranquei a porta, tirei minhas roupas e fui tomar um banho, confesso o banho mais demorado que já tomei, apesar do clima frio que já estava começando a aparecer eu havia perdido as contas de quanto tempo passei vagando em meus devaneios entre um charuto ou outro naquela banheira.
Charutos um péssimo abito que eu havia copiado de Jean e ao me lembrar disto, lembrei-me da carta amassada que estava em meu bolso. Sai da banheira, me sequei e fui conferir o bolso direito da calça que eu havia deixado jogada no meio do quarto junto com outras roupas.

Era realmente uma carta escrita por Jean, e nela continha uma revelação que explicaria muita coisa sobre ele... Meu amigo não era exatamente aquilo que eu achava que era!   

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