Existe sempre uma saída... Quando
os momentos da sua vida não são exatamente oque você espera sempre existira uma
saída para o amor!
Entrei no quarto, uma visão
angelical estava a minha frente. Claudia estava lá aparentemente à espera de
outra pessoa, Madame Lis eu suponho pois a surpresa e os segundos de gagueira
ao pronunciarmos um o nome do outro foi mutuo. A porta se fechou, estávamos sozinhos!
- Realmente o mundo é cheio de
surpresas.
Eu disse enquanto tentava conter
minha inquietação e o corar das maçãs do meu rosto sem nenhum sucesso.
- Claudia, desde a primeira vez
em que nossos olhos se cruzaram, naquela noite ao fim da ópera não consegui
retirar você dos meus pensamentos.
- Eu digo o mesmo Peter, Apesar
de não poder ceder às vaidades deste sentimento, ele domina minha alma.
As palavras ditas por Claudia
encheram meu coração de alegria de tal forma que não contive meus impulsos de
toma-la em meus braços, ela me olhava nos olhos com tamanha firmeza e força,
porem podia sentir suas mãos em meu peito tremulas e sua respiração quase
ofegante.
- Não... d...de...deveríamos
estar tão próximos assim.
Disse ela, afastando se em
direção a uma das pequenas janelas cobertas por uma cortina de renda na nítida e
falha tentativa esconder suas reais intenções em nosso encontro.
- Me desculpe, não devia ter me
precipitado assim, minhas intenções com a senhorita são as mais puras e reais.
Meu coração batia como uma
locomotiva naquela hora.
- Eu estou Apaixonado por você,
enfrentaria tudo por você!
- Não diga isto, o amor é
proibido para mim.
- Todos podem amar...
- Menos Eu!
Senti uma ponta de magoa e ódio no
semblante de Claudia que enxugava a única lagrima que rolava do seu olho
esquerdo. Ela segurou a minha mão e pacientemente disse.
- Eu estou apaixonada por você,
mas não podemos nunca viver este amor! Sou uma pessoa fadada a viver presa em
uma gaiola de ouro e... Nunca serei livre!
-Eu sei, que o Duque a mantem
presa e que é sempre vigiada aonde quer que você vá! Sua mãe me contou tudo.
Eu realmente não queria tocar
neste assunto naquela hora, mas ela precisava saber que eu conhecia sobre seu
passado. Precisava conquista-la.
- Eu sempre soube que Lis era
minha verdadeira mãe, o Duque a fez me prometer em matrimonio em troca de minha
criação, ele me quer mais do que qualquer coisa, até mataria se fosse preciso.
Vi mais duas lagrimas escaparem
dos olhos de Claudia, porem fui mais ágil que ela e as sequei gentilmente. Aproximamo-nos
e sem que percebêssemos nos beijamos... Era doce e suave, seus lábios tocando
os meus com a pureza e inocência de quem nunca tivera beijado alguém antes e eu
me senti um adolescente experimentando pela primeira vez aquela sensação, o que
não era de todo mentira, pois nunca havia beijado alguém por quem estivera
apaixonado antes. Agora eu tinha certeza de que a amava e que faria de tudo
para tela.
Após nos entregarmos aos beijos e
carinhos passamos os últimos quarenta e cinco minutos seguintes, conversando,
rindo e falando um do outro, e eram incríveis as nossas semelhanças tínhamos os
mesmos signos ascendentes e ambos nascemos no 28º dia do mês, ela acreditava em
astros, signos e tarot e disse que havia previsto minha chegada em sua vida nas
cartas, oque me fez sorrir e a beijar novamente.
- Tenho que ir! Meu Tio não pode
se quer sonhar que você esta aqui.
- Eu não tenho medo dele!
- Mas eu sim, nem quero pensar no
que aconteceria com você se ele descobrisse sobre nós.
- Então... Existe, nós dois?
Minha pergunta à fez parar por um
instante e dizer enquanto eu a encarava dentro dos olhos.
- Sim... Mas ninguém devera
saber, ele é um homem de muitas influências, conhece muita gente. Qualquer um
pode estar sendo pago para lhe dar informações.
Enquanto ela tentava alertar-me a
respeito de seu tio, eu tomado pela emoção ao ouvir apenas o seu “sim” agarrei
ela em meus braços e a beijei apaixonadamente por alguns minutos antes de
ouvirmos o “toc” “toc” “toc” na porta do quarto seguidos pelo barulho da
maçaneta girando, era Anette Que entrou furtivamente no quarta apavorada.
- Claudia, o duque esta entrando
o salão... Apressem-se você tem que ir embora agora!
Disse ela olhando para mim e me
puxando para fora do quarto entanto Claudia dizia agora apavorada.
- Vá! Agora... Ele não pode te
ver aqui!
Eu me soltei das mãos de Anette e
corri para Claudia perguntando.
- Quando nos veremos...
- Vá embora, Peter, por favor!
- Quando nos veremos novamente?
- Aguarde minhas cartas, agora
vá!
Eu a beijei novamente e sai pelos
corredores da casa ate a porta dos fundos, mas para chegar ate ela teríamos que
passar pelas escadas principais onde o duque provavelmente estaria subindo
acompanhado da Madame Lis. Então fui puxado porta adentro por Anette para um
dos quartos, ela fez movimentos de silêncio com as mãos e eu a obedeci.
- Este é meu quarto, me espere
aqui em silêncio eu voltarei quando tudo estiver tranquilo.
Ela saiu fechando a porta com
chave. O quarto não era tão grande e suntuoso com o de Lis, mas tinha seu
charme, Uma cama grande e confortável com duas mesinhas como cabeceira a
esquerda uma passagem para uma saleta com uma poltrona, um guarda roupas e um
biombo vermelho florido. Paredes brancas com chão de madeira e moveis também em
madeira, uma penteadeira com espelhos e uma cadeira. Enquanto olhava o quarto e
esperava pela volta de Anette, notei uma carta amaçada em cima da penteadeira,
Eu reconhecera aquela letra em qualquer lugar, era a letra de Jean Charles,
provavelmente uma carta endereçada a ela eu pensei, mas dai me dei conta de que
nunca o vi cortejar ou pronunciar o nome de dama alguma.
Peguei aquele pedaço de papel
amaçado e coloquei no bolso antes que Anette entrasse e desse conta de sua
falta. A porta se abriu e ela disse quase sussurrando.
- vamos, depressa!
Saímos do quarto e nos dirigimos
ate a escada que levava para a porta dos fundos, ao sair tinha uma carruagem
parada de portas abertas a minha espera. Eu entrei fechei a porta e as cortinas
das pequenas janelas laterais e dos fundos, enquanto sentia o solavanco das
rodas no paralelepípedo das ruas da cidade.
Meu coração se acalmara agora que
eu estivera fora de perigo, mas voltara a bater freneticamente quando minha
mente se perdia na lembrança dos beijos, do gosto dos lábios de minha amada, e
na alegria que sentia em saber que ela provavelmente estava sentindo o mesmo
naquele exato momento.
Cheguei ao hotel que eu já estava
chamando de “casa” depois de rodar metade da cidade. Entrei em meu quarto,
praticamente bêbado de amor. Tranquei a porta, tirei minhas roupas e fui tomar
um banho, confesso o banho mais demorado que já tomei, apesar do clima frio que
já estava começando a aparecer eu havia perdido as contas de quanto tempo passei
vagando em meus devaneios entre um charuto ou outro naquela banheira.
Charutos um péssimo abito que eu
havia copiado de Jean e ao me lembrar disto, lembrei-me da carta amassada que
estava em meu bolso. Sai da banheira, me sequei e fui conferir o bolso direito
da calça que eu havia deixado jogada no meio do quarto junto com outras roupas.
Era realmente uma carta escrita
por Jean, e nela continha uma revelação que explicaria muita coisa sobre ele...
Meu amigo não era exatamente aquilo que eu achava que era!
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